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Caderno IED Processual/ Teoria Geral do Processo @catharinaorganiza

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Anna Catharina Garcia 
@graduanda.em.direito
2019.2
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Introdução ao Estudo do Direito Processual
Profª Paula Sarno e priscilla de jesus 
noções fundamentais 
· Necessidade, bem, interesse, conflito, pretensão, resistência e lide. 
1. O bem da vida, é o ente capaz de satisfazer as necessidades humanas; assim como um doente necessita de um medicamento, esse remédio é o bem da vida. Quando o ser humano, que tem uma necessidade, se coloca diante de um bem da vida que pode satisfazer essa necessidade, surge o que se chama de interesse. O interesse é uma situação favorável a satisfação de uma necessidade. As necessidade humanas são ilimitadas, enquanto que, os bens da vida são limitados em grande maioria, mas pode ser que alguns não sejam tao limitados, mas, independente disso, sobre esses, podem incidir interesses antagônicos. Sejam em razão das limitações ou dos interesses divergentes que podem incidir sobre o mesmo bem, surgem os conflitos de interesse, ou, conflitos intersubjetivos de interesse. Os conflitos intersubjetivos de interesse poderão ser qualificados por uma pretensão resistida: exigência de prevalência de interesse próprio em detrimento do interesse do outro. Esse outro alguém, cujo interesse se quer submeter, poderá resistir e não querer se submeter a pretensão. O conflito de interesses qualificados por essa pretensão resistida é chamada de LIDE (conflito intersubjetivo de interesse qualificado por uma pretensão resistida). 
2. Durante muito tempo se disse que o processo jurisdicional tem sempre como objeto/finalidade a resolução de uma LIDE. Mas, esse entendimento sofreu uma atualização, hoje, já se compreende que o processo pode ter como objeto situações jurídicas não litigiosas, isso acontece em pelo menos 3 situações:
2.1 Situações jurídicas relativas a uma única pessoa. Exemplo: processo para alteração de nome. Há uma pretensão mas não é a resistência, pois não tem quem resista. 
2.2 Preservação/prevenção de um direito. Exemplo: Ações preventivas. Se o direito ainda não foi violado, não se pode dizer que há lide, pois o objetivo dele é justamente evitar a lide. 
2.3 Direito potestativo (direito subjetivo de submeter outrem a criação/modificação/extinção de uma situação jurídica) e o sujeito passivo do direito potestativo não pode se submeter a outra postura se não se submeter ao exercício desse direito potestativo, ou seja, não pode resistir. Se não há resistência, não há lide. 
3. Dissoluções sociais: Nem sempre a lide será solucionada através de um processo jurisdicional. A lide é um fenômeno social e como tal, ela pode se dissolver na própria sociedade. E isso pode acontecer de duas maneiras: 
3.1 Dissolução de forma belicosa: vingança privada; não é em regra admitida no ordenamento jurídico brasileiro. 
3.2 Através de comportamentos de submissão ou de transação. 
3.2.1 Submissão: uma pessoa se submete voluntariamente a vontade do outro. 
3.2.2 Transação: Concessões mutuas por cada uma das pessoas envolvidas. 
· Direito material x processual
1. A sociedade se organiza para produzir e distribuir bens e o estado atua de forma a garantir a ordem social. O estado garante a ordem social através de seu poder legislativo, ou seja, ele cria normas gerais e abstratas que indicam as condutas desejadas e não desejadas na sociedade. É nesse cenário que pode se falar em direito material e direito processual. 
2. Direito material: conjunto de normas gerais e abstratas que disciplinam as relações jurídicas estabelecidas com os bens da vida. Exemplos: Direito do consumidor – que disciplina as relações entre o consumidor e o fornecedor em relação aos bens da vida como produtos e serviços – ; o direito administrativo – disciplina as relações entre administrado e administração publica e os bens e serviços públicos – ; o direito civil – que disciplina as relações entre particulares que dizem respeito a alimentos, herança, propriedade, posse, direitos reais de uma maneira geral –. 
2.1 As normas gerais do direito material não deveriam, mas, podem vir a ser violadas. O Estado trabalha para que não sejam, mas pode acontecer; Se essas normas forem violadas, surgirão os conflitos de interesses, e, se esses problemas não se resolverem na sociedade, serão submetidos a um processo jurisdicional. É nesse âmbito que surge o direito processual. 
3. Direito Processual: É o conjunto de normas gerais e abstratas que disciplinam o fenômeno PROCESSO. Essas normas disciplinam o processo em suas duas dimensões, que são:
3.1 Dimensão externa: O procedimento. Sendo o procedimento: o conjunto de atos interligados que se destinam ao alcance de um objetivo ou finalidade comum: a decisão jurisdicional que solucionara o conflito. 
3.2 Dimensão interna: é o conjunto de relações jurídicas travadas e estabelecidas entre os sujeitos processuais (juiz, partes, MP, DP, perito, interprete...), que titularizam situações jurídicas processuais. Exemplo: poderes, deveres, responsabilidades, faculdades e ônus desses sujeitos. 
4. Costuma-se dizer que as normas de direito material são normas de julgamento, enquanto que, as de direito processuais são meramente procedimentais. Geralmente, os conflitos que são objeto de um processo jurisdicional, são resolvidos aplicando-se normas de direito material, por isso que se diz que as normas de direito material são normas de julgamento. Mas, em alguns casos, as normas de direit processual, serão utilizadas para solucionar conflitos e, acabarão sendo utilizadas para solucionar conflitos, ou seja, normas de julgamento. 
5. Teorias da relação entre direito material e direito processual: 
5.1 Teoria dualista (Chiovenda): O direito material é um conjunto de normas gerais e abstratas que se aplicam através de subsunção, ou seja, ocorrendo a situação fática descrita na norma, a aplicação se dará diretamente através do método subsuntivo. Para essa mesma teoria, o direito processual apenas viabiliza, no âmbito de um processo jurisdicional, a aplicação do direito material ao caso concreto através da subsunção. No processo jurisdicional, cujo fim é uma decisão jurisdicional, não há nenhuma criação, há apenas a aplicação automática do que já esta posto ao caso concreto. 
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OBS1: Casos como o de exceção de impedimento ou de suspensão do juiz por conta da parcialidade, vai ser julgada por normas do direito processual, que, obrigam o juiz a ser imparcial.
OBS2: Ações como a ação rescisória são julgadas a partir de normas do CPC. 
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5.2 Teoria unitarista (Carnelutti) ADOTADA: Não há uma distinção tão definida entre direito material e direito processual, não há como o legislador prever genericamente e em abstrato todos os direitos e obrigações que merecem tutela estatal. Em razão disso, como o direito material é incompleto, o direito processual não serve apenas para viabilizar uma mera subsunção, e sim, a própria criação de direitos e obrigações através da decisão jurisdicional, complementando o direito material, logo, a decisão jurisdicional não apenas cria direitos e obrigações no caso concreto, mas também a decisão pode ser um precedente para o julgamento de casos futuros e semelhantes ao caso já julgado. 
· Processo: instituto da teoria geral do direito 
Primeira dimensão - Teoria da norma jurídica: Processo é método de criação de normas jurídicas. O processo é monopólio do Estado, instrumento de trabalho da jurisdição, exercida em regra pelo Estado. O instituto processo é da teoria geral do direito e acaba sendo levada para varias áreas como o direito constitucional, civil... 
Segunda dimensão – teoria do fato jurídico externo: Processo é sinônimo de ato jurídico complexo, pois, ele é composto por uma infinidade de atos, mas, essa grande quantidade de atos é vista como um procedimento. Processo é procedimento e procedimento é processo. 
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso, respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma revogada.
Terceira dimensão – teoria do fato jurídico interno:
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