Aula 14 - A célula cancerosa
13 pág.

Aula 14 - A célula cancerosa


DisciplinaBiologia Geral I194 materiais1.653 seguidores
Pré-visualização4 páginas
ao sistema imune;
4. à medida que se multiplicam, as células cancerosas são capazes 
de estimular a formação de vasos sangüíneos em suas proximidades, 
o que lhes garante o aporte de oxigênio e nutrientes;
5. as células cancerosas são imortais. Uma célula normal divide-se, no 
máximo, umas 70 vezes. Uma célula cancerosa divide-se indefinidamente;
6. as células cancerosas adquirem a capacidade de invadir outros 
tecidos e órgãos, disseminando-se na forma de tumores metastásicos. 
Esta última propriedade é a responsável final pela letalidade do câncer.
Biologia Celular II | A célula cancerosa
10 C E D E R J
A
U
LA
 
1
4
 
M
Ó
D
U
LO
 3
C E D E R J 11
O processo de metástase não é simples; para disseminar-se, uma 
célula cancerosa de origem epitelial tem de transpor várias barreiras: 
\u2022 desfazer contatos juncionais com outras células;
\u2022 atravessar a lâmina basal; 
\u2022 ser aspirada pelo sistema linfático ou cair na corrente sangüínea; 
\u2022 passar pelo endotélio em um ponto distante do tumor primário 
(no fígado, por exemplo) e ali formar nova colônia. 
Este processo requer habilidades especiais que nem toda célula 
tumoral possui; assim, apenas uma em cada 1.000 células que se 
desprendem do tumor primário formarão metástases. Um outro fato 
interessante é que é muito comum que as células sejam aspiradas pelo 
sistema linfático, vindo a \u201cencalhar\u201d em um gânglio e ali originem um 
novo tumor.
O QUE INDUZ À FORMAÇÃO DE UM CÂNCER?
Já temos em mente que uma só alteração no DNA não causa 
câncer. São necessárias várias mutações cumulativas em seqüência 
capazes de causar uma desregulação no mecanismo de crescimento e 
multiplicação. Observamos que o câncer ocorre mais freqüentemente em 
pessoas idosas. A partir dos 55 anos, a incidência da doença cresce em 
nível exponencial. Isso quer dizer que quanto mais tempo uma pessoa 
tem para expor seu material genético a um fator qualquer que possa 
alterá-lo, maior será a chance disso acontecer. Se vivêssemos até 200 
anos, todos provavelmente teríamos algum tipo de câncer. Isso porque 
passou tempo suficiente para que se acumulassem mutações genéticas 
em nossas células.
Aos elementos lesivos capazes de acarretar um aumento na 
probabilidade de ocorrência de lesões no DNA, e, portanto, de 
aumento da incidência de neoplasias, é dado o nome de carcinógenos. 
Podem ser agentes químicos, alguns vírus e diversos tipos de radiação, 
como os raios ultravioleta e os raios gama. A exposição prolongada ou 
repetida a esses agentes pode, após um certo tempo, resultar num câncer. 
Os fumantes, por exemplo, só costumam ter tumores diagnosticados 
após 10 ou 20 anos de tabagismo. Da mesma forma, os tumores de pele, 
Biologia Celular II | A célula cancerosa
12 C E D E R J
A
U
LA
 
1
4
 
M
Ó
D
U
LO
 3
C E D E R J 13
ou melanomas, podem surgir depois de décadas de exposição aos raios 
solares. Num caso histórico, os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki 
desenvolveram diversos tipos de tumor alguns anos após o lançamento 
das bombas atômicas sobre aquelas cidades. 
Os agentes químicos incluem substâncias notoriamente tóxicas, 
como o gás mostarda e a aflatoxina. Entretanto, a inflamação crônica de 
algum órgão, como o intestino, por exemplo, provoca aumento da divisão 
celular, aumentando a chance de alguma mutação. Dessa forma, gorduras 
animais (que causam um tipo de inflamação na mucosa intestinal) são 
carcinógenos \u201cindiretos\u201d. É por essa razão que se recomenda uma dieta 
rica em fibras. Elas aumentam o volume do bolo fecal, diminuindo o 
tempo de exposição de todas as substâncias à mucosa intestinal, além de 
diminuir a concentração da gordura animal na massa fecal total.
A ação de hormônios é semelhante. Eles aceleram a divisão celular 
de alguns tipos de células, facilitando a ocorrência de mutações. Por este 
motivo, as terapias de reposição hormonal para mulheres na menopausa 
ainda são tema de muitos debates e pesquisas.
O fumo, por sua vez, desenvolve uma ação carcinogênica mista. 
Ele é capaz tanto de lesar o DNA das células do corpo inteiro, 
diretamente, quanto irritar mucosas, causando inflamação crônica na 
boca, na garganta, nos brônquios e nos pulmões. É por isso que o fumo 
pode causar também câncer de bexiga e pâncreas, por exemplo, não 
ficando limitado apenas às vias aéreas.
Outras situações em que pode ocorrer lesão direta do DNA é 
quando ocorre invasão celular por vírus. Como exemplo mais evidente 
temos o vírus das hepatites B e C, que a longo prazo podem causar 
câncer hepático. Também há a associação do papilomavirus (HPV) com 
o câncer de colo de útero. As alterações específicas provocadas no DNA 
por esses tipos de vírus ainda não estão bem determinadas. O que se 
sabe é que pode haver uma completa integração do genoma do vírus ao 
genoma (DNA) da célula hospedeira, sendo que esta célula dará origem 
à oncogênese.
Biologia Celular II | A célula cancerosa
12 C E D E R J
A
U
LA
 
1
4
 
M
Ó
D
U
LO
 3
C E D E R J 13
O CÂNCER PODE SER TRATADO HOJE?
Sim, em muitos casos. O resultado do tratamento contra o câncer varia 
de acordo com cada paciente. Os tratamentos em uso atualmente incluem:
\u2022 Cirurgia: em geral é o tratamento mais importante e mais 
definitivo, quando o tumor está localizado em local anatomicamente 
favorável. Para muitos tipos de câncer, no entanto, apenas a cirurgia 
não é suficiente, devido à disseminação de células cancerosas local ou 
difusamente.
\u2022 Radioterapia: é utilizada para tumores localizados que não 
podem ser ressecados totalmente ou para tumores que costumam 
recidivar localmente após a cirurgia. O objetivo da radioterapia é lesar 
extensamente o DNA das células cancerosas, inviabilizando sua divisão 
e sobrevivência.
\u2022 Quimioterapia: consiste na utilização de medicamentos 
que têm ação citotóxica (causam danos às células). São utilizadas 
combinações de vários medicamentos diferentes, pois nos tumores há 
freqüentemente subpopulações de células com sensibilidade diferente às 
drogas antineoplásicas. Os mecanismos de ação das drogas são diferentes, 
mas em geral acabam em lesão do DNA celular. Algumas das drogas 
utilizadas, como o taxol e a colchicina, interferem com a integridade dos 
microtúbulos, essenciais na formação do fuso mitótico. 
\u2022 Terapia biológica: usam-se modificadores da resposta biológica do 
próprio organismo frente ao câncer, \u201cajudando-o\u201d a combater a doença 
(linfoquinas, anticorpos monoclonais). Pode-se usar também drogas que 
melhoram a diferenciação das células tumorais, tornando-as de mais 
fácil controle.
COMO SERÃO OS TRATAMENTOS NO FUTURO?
Há grande esperança de que as pesquisas em Biologia Celular 
abram novas perspectivas para tratamento de câncer, assim como outras 
doenças. A terapia celular, utilizando células-tronco (Aula 12), é uma 
dessas possibilidades, especialmente para o tratamento de leucemias. 
Além dessas, estão sendo pesquisadas e testadas terapias baseadas em:
Imunoterapia: o tratamento imunoterápico do câncer se baseia na 
ativação do sistema imune contra a célula maligna. Ela produz alguns 
tipos de proteínas que passariam a ser reconhecidas pelas células de 
Biologia Celular II | A célula cancerosa
14 C E D E R J
A
U
LA
 
1
4
 
M
Ó
D
U
LO
 3
C E D E R J 15
defesa do organismo. Haveria então a destruição das células do tumor. 
Estuda-se também a produção de vacinas, a partir de antígenos específicos 
da célula tumoral, com o fim de estimular o próprio sistema imune do 
paciente a destruir as células cancerosas. 
Já está em uso uma vacina contra o vírus HPV, indutor do