A origem do Brasil português e o Direito na Colônia

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A ORIGEM DO BRASIL PORTUGUÊS E O DIREITO NA COLÔNIA
 ASPECTOS GERAIS DA FORMAÇÃO DO REINO PORTUGUÊS, DA EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA, DO PROCESSO COLONIZADOR E DA CONSTRUÇÃO DA ORDEM JURÍDICO-POLÍTICA NO BRASIL DOS SÉCULOS XVI, XVII E XVIII
Detalhe do mapa Terra Brasilis (1519), fruto da expansão marítima portuguesa

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As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram...
CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas, canto primeiro, primeira oitava.

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A FORMAÇÃO DO REINO PORTUGUÊS: DA INDEPENDÊNCIA (SÉCULO XII) À REVOLUÇÃO DE AVIS (FINAL DO SÉCULO XIV)

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A formação portuguesa encontra-se intimamente relacionada ao seu caráter militar, condição esta que se configurou a partir de uma luta desenvolvida em duas frentes:
A luta contra os mouros que deve ser considerada dentro de um movimento maior – a RECONQUISTA, levada a cabo pelos cristãos contra os muçulmanos que haviam invadido a Península Ibérica por volta de 711, na vaga expansionista do islamismo, então em plena expansão.
A luta contra os castelhanos e leoneses, de cujo reino (o reino de Leão), o Condado Portucalense (posteriormente, Reino de Portugal) se separou em 1139.
OBS: Pelo Tratado de Zamora, firmado em 1143 entre o duque de Portugal (D. Afonso Henriques de Borgonha – 1128/1185) e D. Afonso VII, imperador de Leão, determinou-se que este último deveria reconhecer a independência do antigo condado, agora, Reino de Portugal sob o comando da Dinastia de Borgonha.

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A economia portuguesa durante o período da dinastia de Borgonha caracterizou-se pela hegemonia do setor agrário dominado pela nobreza, ao mesmo tempo em que se verificava uma crescente intervenção régia em relação à PRODUÇÃO, à REGULAMENTAÇÃO DE PREÇOS E SALÁRIOS e à CONCESSÃO DE TERRAS - tal hegemonia econômica da nobreza vinha acompanhada de preeminência política.
Todavia, ao longo dos séculos XIII e XIV, desenvolveu-se uma intensa atividade comercial de “longo curso” (marítima) que passou a se articular com a agricultura, especialmente com as “novas culturas” de vinhas e de oliveiras para a produção de produtos fundamentais para a movimentação comercial portuguesa: VINHOS e AZEITE.
Características desta evolução econômica portuguesa:
 Crescimento do número de feiras e expansão da economia monetária, com conseqüente aumento de preços.
Aumento da pressão do comércio sobre as propriedades agrícolas no sentido do desenvolvimento de culturas mais rentáveis.
Empobrecimento da nobreza (por força da crise do século XIV) e enriquecimento do grupo mercantil ligado ao comércio internacional, o que levou a seu fortalecimento político.

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PRIMEIRO CONJUNTO DE OBSERVAÇÕES
A crise do século XIV atingiu Portugal com grande intensidade, especialmente os setores da nobreza ligados à agricultura tradicional . A segunda metade deste século foi marcada por uma série crise dinástica (o final do reinado de D. Fernando – 1367/1383) e uma crise econômica igualmente grave.
A monarquia tentou recuperar alguns dos privilégios e ganhos da nobreza, diante do avanço dos setores mercantis nos diversos campos de atuação da sociedade (econômico e político), mas foi em vão.
A crise dinástica conduziria à eclosão da Revolução de Avis (1383/1385) e à reafirmação da independência portuguesa com a vitória sobre forças castelhanas na batalha de Aljubarrota (1385), inaugurando-se, com D. João I, mestre de Avis, a dinastia de Avis.

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A EXPANSÃO MARÍTIMA PORTUGUESA

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A posição geográfica de Portugal, voltada para o Atlântico e, principalmente, ao longo do século XIV, seus principais portos (Lisboa e Porto) servindo de entrepostos nas relações comerciais entre as regiões produtoras do Mediterrâneo e as do Mar do Norte/Mar Báltico.
O fortalecimento e a crescente centralização do poder monárquico levada a cabo, a partir de 1385, por D. João I, o primeiro rei da Dinastia de Avis que substituiu a Dinastia de Borgonha que governara Portugal desde sua formação em meados do século XII.
Conjugação dos interesses da nobreza na incorporação de novos territórios, com os interesses da burguesia mercantil, das principais cidades portuárias, voltados para os lucros do comércio marítimo, sob os auspícios da monarquia e da Igreja Católica.
Aquisição de conhecimentos náuticos de construção naval e de experiência organizacional na montagem de expedições marítimas – tais conhecimentos foram adquiridos, principalmente, ao longo do século XV .

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SEGUNDO CONJUNTO DE OBSERVAÇÕES
A posição geográfica de Portugal tornou-se mais significativa durante o século XIV, quando, por força da incidências de surtos de doenças infectocontagiosas (como a PESTE NEGRA), associadas a condições climáticas adversas, más colheitas e guerras, em grande parte da Europa Ocidental e Central, as rotas comerciais terrestres entre o Mediterrâneo e as regiões situadas às margens do Mar do Norte/Mar Báltico foram, em grande parte, substituídas pelo comércio marítimo, o que favoreceu as regiões portuárias de Portugal, especialmente Lisboa, que se tornou um grande entreposto comercial nas ligações entre a área do Mediterrâneo e o Mar do Norte/Mar Báltico .
Com a ascensão da Dinastia de Avis ao comando da monarquia portuguesa a partir do fim da Revolução de Avis (ocorrida entre 1383 e 1385), verificou-se um crescente fortalecimento da centralização monárquica em Portugal, tendo seu primeiro rei, D. João I (Mestre da Ordem de Avis), atuado com grande habilidade política no sentido de conjugar os interesses da nobreza e da burguesia mercantil na consecução do ataque à cidade de Ceuta localizada no norte da África, nas proximidades do Estreito de Gibraltar (que se constitui na passagem do Mediterrâneo para o Atlântico), ataque este que é considerado como o evento inaugurador da expansão marítima portuguesa.

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TERCEIRO CONJUNTO DE OBSERVAÇÕES
A caminhada de Portugal no sentido da Modernidade do século XVI só pode ser entendida quando devidamente associada ao processo de expansão marítima ocorrida ao longo de todo o século XV e das primeiras décadas do século XVI.

Tal expansão encontra suas origens ainda no século XIV, quando comerciantes, pescadores e técnicos em navegação se mostraram capazes de navegar em alto-mar.

A expansão portuguesa iniciada nos primórdios do século XV desenvolveu-se por etapas, não existindo um plano inicial voltado para o atingimento das Índias.

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QUARTO CONJUNTO DE OBSERVAÇÕES
A partir de 1460, com a morte do Infante D. Henrique, verificou-se uma interrupção no de expansão, já que o rei Afonso V manifestou interesse pelo norte da África, arrendando o monopólio do comércio africano à iniciativa privada.
Esta interrupção do processo de expansão marítima portuguesa ocorrida no reinado do rei Afonso V (1438-1481) se constituiu em um dos muitos episódios que marcaram os conflitos políticos entre a nobreza e a monarquia, mais precisamente o confronto entre a perspectiva do poder senhorial dos grandes nobres e as pretensões centralizadoras da monarquia.
Tal condição se reverteu no reinado de João II (1481-1495) que passou a tomar medidas francamente hostis à nobreza, incrementando o poder de sua burocracia e enfraquecendo o poder senhorial – com a intimidação da nobreza e com a consolidação da Monarquia, a partir de 1485 retomou-se o projeto da expansão marítima, agora com o objetivo de atingir as Indias.
A concorrência com a Espanha no Atlântico teve uma primeira solução com o Tratado de Alcáçovas (1479), através do qual Portugal reconhecia a soberania espanhola sobre as Canárias enquanto que a Espanha reconhecia a soberania portuguesa sobre as demais ilhas do Atlântico – este tratado afirmou o princípio do MARE CLAUSUM pelo qual a prioridade da descoberta dos mares determinava sua posse, com a exclusão das demais nações cristãs.

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QUINTO CONJUNTO DE OBSERVAÇÕES
Até