A origem do Brasil português e o Direito na Colônia

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.344 materiais101.002 seguidores
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respeitantes ao início do povoamento, para defesa ou exploração agrícola estável de uma terra erma e a habitar para cultivo.
Foro breve: documento legal em que se inserem normas de conduta local, quer originais, quer extraídas, mais ou menos livremente, de outros paradigmas de agregados habitacionais já existentes, mais evoluídos e destinados a criar ou melhorar a organização coletiva do núcleo de moradores a que se destina.
Foros extensos: são os mais desenvolvidos e pormenorizados. Seu conteúdo envolve dois elementos primordiais. O primeiro refere-se à garantia da propriedade plena de terras e casas, possuídas pelos membros da coletividade local, com direito de livre alienação, em vida ou por morte, embora, em muitos casos, com encargos ou restrições. O segundo diz respeito à determinação explícita dos tributos ou prestações que os vizinhos terão de fazer à entidade outorgante, de modo a evitar quaisquer arbitrariedades ou abusos.

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As ORDENAÇÕES FILIPINAS, que de acordo com o historiador Stuart Schwartz, se constituíram como uma “revisão” (que constou de acréscimos, cancelamentos e retificações quando necessários) das ORDENAÇÕES MANUELINAS (1521) e da COLEÇÃO DE LEIS EXTRAVAGANTES de Duarte Nunes de Leão (1569), revisão esta que ficou pronta em 1595, mas que somente foi publicada em 1603.
A elaboração das ORDENAÇÕES FILIPINAS deve ser entendida no contexto de um conjunto de reformas nas estruturas judiciais e administrativas portuguesas (reformas estas que se produziram entre 1581 e 1590) promovidas no início da UNIÃO IBÉRICA por Felipe II e Felipe III de Espanha (Felipe I e Felipe II de Portugal) e que geraram efeitos duradouros tanto em Portugal como em suas colônias (mais particularmente no Brasil).

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Durante os séculos XV e XVI, ocorreram em Portugal manifestações no sentido da implantação de uma reforma judicial que se fazia necessária em virtude dos seguintes fatores:
complexidade da “teia normativa”;
pouca eficácia da “lei” para os indivíduos mais poderosos que se apropriavam de postos judiciais e administrativos pela nomeação de seus empregados;
privilégios da alta hierarquia da Igreja e dos fidalgos;
treinamento deficiente e má vontade dos “letrados” e dos juízes com relação a seus afazeres;

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Pelos acordos de Tomar, gerados pelas reivindicações produzidas nas Cortes de Tomar (1581), Felipe II tomou uma posição cautelosa com relação à reforma judiciária, mantendo formas e costumes portugueses e nomeando o jurista português Damião de Aguiar para a presidência da comissão que procederia a reforma.
Tal como as ordenações portuguesas anteriores, as Ordenações Filipinas também se dividiam em 05 livros.

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ESTRUTURA DAS ORDENAÇÕES FILIPINAS
LIVRO I: matérias acerca de Direito Administrativo e Organização Judiciária;
LIVRO II: disposições a respeito dos direitos dos eclesiásticos, dos fidalgos, dos privilégios do Rei, envolvendo ainda fontes de direito, jurisdição e poderes;
LIVRO III: essencialmente de caráter processual civil, contendo ainda regras gerais sobre fontes, vigência das leis que auxiliavam os juízes na tomada de decisões;
LIVRO IV: matérias de direito civil e comercial: regras de contratos (compra e venda, sociedade, aluguéis e rendas da terra), relações entre servos e amos, aforamentos, censos, sesmarias, parceria entre marido e mulher, empréstimos, mútuos, depósitos, fianças, doações)
LIVRO V: trata de crimes e do processo penal.

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A CONSTRUÇÃO DA AMÉRICA PORTUGUESA
COLONIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO APARATO JURÍDICO-ADMINISTRATIVO

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De acordo com Darcy Ribeiro, o Brasil e os brasileiros, sua gestação como povo, se produziu a partir da confluência, do entrechoque, do caldeamento do INVASOR PORTUGUÊS com ÍNDIOS SILVÍCOLAS E CAMPINEIROS e com NEGROS AFRICANOS – tanto os índios como os negros, uns e outros aliciados como ESCRAVOS;
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES INCIAIS A RESPEITO DA FORMAÇÃO COLONIAL BRASILEIRA:
Nesta confluência que se processou sob a regência dos PORTUGUESES, diferentes matrizes étnicas, distintas tradições culturais e formações sociais díspares se enfrentaram e se fundiram para dar lugar a um povo novo e a um novo modelo de organização societária;
Em seus três primeiros séculos (XVI, XVII e XVIII), a história do Brasil esteve intimamente ligada à história da EXPANSÃO COMERCIAL E COLONIAL EUROPÉIA da chamada IDADE MODERNA - como parte integrante do IMPÉRIO ULTRAMARINO PORTUGUÊS, o Brasil, durante o período colonial, refletiu os problemas e os mecanismos de conjunto que agitaram a política imperial lusitana.

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A história da expansão ultramarina e da exploração colonial portuguesa se desenrolou no amplo quadro da competição entre as várias potências, em busca do equilíbrio europeu;

É, portanto, na história do sistema geral da colonização européia moderna que devemos buscar o esquema de determinações dentro do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil na primeira fase de sua história e se encaminharam os problemas políticos de que esta região foi o palco.

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A ESTRUTURA JUDICIAL-ADMINISTRATIVA DO “EMPREENDIMENTO” PORTUGUÊS NO BRASIL (ENTRE 1530 E 1580)

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“A justiça é de tão grande e particular obrigação minha, e tão necessária para a conservação e acrescentamento dos Estados, que tudo o que na administração dela encarregar será muito menos do que desejo” (trecho do Regimento de 23/01/1677 passado pelo rei de Portugal a Roque da Costa Barreto, governador geral do Estado do Brasil)

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Caracterização inicial da estrutura judicial portuguesa na colônia americana:
Desde as primeiras etapas da colonização portuguesa na América, a aplicação da justiça foi uma das preocupações principais da Coroa – no Brasil, a implantação do aparelho judicial, além dos propósitos tradicionais (fazer cumprir a lei, evitar abusos e crimes, garantir a tranqüilidade social), trazia consigo ainda a finalidade de controlar os próprios funcionários administrativos, sobretudo aqueles relacionados à Justiça.
A expressão “justiça” no período colonial assumiu uma conotação bem mais ampla do que a atual, referindo-se não apenas à organização do aparelho judicial, mas também apresentando-se como sinônimo de lei, legislação, direito.
Visando reduzir ou mesmo evitar interferências de interesses particulares que dificultassem o exercício da justiça nas áreas coloniais, as atribuições dos diversos funcionários judiciais objetivavam uma fiscalização recíproca, ao mesmo tempo em que a montagem de uma estrutura judicial na Colônia teve como tendência a constante ampliação dos poderes concedidos aos funcionários mais diretamente ligados à Coroa.

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Aspectos gerais da estrutura judicial da colonização portuguesa na América (I): 1530/1580
Em 1530, Martim Afonso de Sousa recebeu documento régio que lhe dava poderes quase absolutos para a aplicação da lei nos territórios que viesse a descobrir, estendendo-se sua alçada a condenações até a pena de morte, SEM POSSIBILIDADE DE APELAÇÃO, exceto no caso do acusado ser FIDALGO, quando então caberia recurso a Lisboa;
Por meio de outra carta de poderes da mesma data, era conferido a Martim Afonso o direito de criar ofícios de Justiça necessários a montagem da administração judicial na Colônia;
Apesar destes poderes iniciais concedidos a um agente da Coroa (a expedição de Martim Afonso teve caráter oficial, financiada pela Tesouro Real), a colonização, em suas etapas iniciais, se fez pela concessão de imensos poderes e ampla autonomia (EXCETO NA ÁREA FAZENDÁRIA) a todos os que se dispusessem a investir seus capitais na região - os CAPITÃES DONATÁRIOS;

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Aspectos gerais da estrutura judicial da colonização portuguesa na América (II): 1530/1580
- No que se refere ao funcionamento do sistema de capitanias hereditárias, este foi regulamentado pela CARTA DE DOAÇÃO e pelo FORAL (passados em 10/03 e em 24/09 de 1534 ao capitão donatário da capitania de Pernambuco – Duarte Coelho).
- Estes documentos foram fundamentais quanto à jurisdição e aos privilégios concedidos aos donatários pela