A origem do Brasil português e o Direito na Colônia

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correições nas capitanias de sua jurisdição;
Neste mesmo período, existia um juízo especial referente às questões de órfãos, defuntos, ausentes, cuja instância máxima era a MESA DE CONSCIÊNCIA E ORDENS (cuidava dos bens e testamentos dos que faleciam e dos que deixavam filhos) localizada na Metrópole e que na Colônia cabia ao PROVEDOR DE DEFUNTOS E AUSENTES (que teve um primeiro Regimento em 1613 que lhe atribuía a mesma alçada dos ouvidores de capitania no tocante aos bens dos mortos).

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Aspectos gerais da estrutura judicial da colonização portuguesa na América (II): 1580/1640
O Regimento de 07/03/1609 estabeleceu o funcionamento da RELAÇÃO DO ESTADO DO BRASIL, o qual viria garantir à Coroa maior vigilância sobre a aplicação das leis na Colônia – constituiu-se como o tribunal máximo na Colônia, recebendo recursos de todas as instâncias judiciais existentes,subordinando e fiscalizando, através das correições e “residências”, os demais funcionários e oficiais de Justiça, nomeados ou não pelos donatários;
O Tribunal da Relação era dirigido pelo próprio Governador-Geral e era formado por magistrados profissionais (um Chanceler, dois Desembargadores dos Agravos e Apelações, um Ouvidor-Geral do Cível e do Crime, um Juiz dos Feitos da Coroa, Fazenda e Fisco, um Provedor dos Defuntos e Resíduos e mais dois desembargadores extravagantes) e por oficiais menores, tornando-se assim, a Relação, passagem quase que obrigatória aos letrados que almejassem atuar nas instâncias judiciais hierarquicamente superiores localizadas na Metrópole, como a Casa de Suplicação;
O exercício do cargo de GOVERNADOR DA RELAÇÃO, por parte do GOVERNADOR-GERAL, indica a inexistência da divisão de poderes, não existindo uma percepção muito clara da diferença entre as funções judiciais e as administrativas, o que facilitava a ingerência e a vigilância de funcionários em diversas áreas da administração, resguardando-se assim a Coroa contra a formação de interesses locais ligados a seus funcionários

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Aspectos gerais da estrutura judicial da colonização portuguesa na América (III): 1580/1640
Diante do desagrado provocado nos proprietários e comerciantes pelo funcionamento do Tribunal e com a escassez de recursos do Tesouro Real para cobrir as despesas com pagamento de tropas em luta contra os holandeses na América, a Relação foi extinta pelo alvará de 05/04/1626 – a extinção do Tribunal da Relação do Estado do Brasil trouxe modificações na estrutura judicial da Colônia;
Através dos Regimentos de 1628 e 1630, a administração judicial ficou centralizada em três ouvidorias-gerais, independentes entre si e diretamente subordinadas à Casa de Suplicação: uma no Estado do Maranhão, outra no Estado do Brasil e uma terceira na Repartição Sul;
O estabelecimento do Estado do Maranhão, em 1621, se deu por força da conquista e da colonização da parte norte do Estado do Brasil, apesar de, desde 1619, existir um Regimento para o principal responsável pela administração judicial: o OUVIDOR-GERAL – este recebia e julgava os recursos das sentenças dos juízes ordinários e dos ouvidores das capitanias de sua jurisdição, enviando apelos e agravos de seus julgamentos para a Casa de Suplicação;
Além do Regimento de 1619, foram baixados, para o Ouvidor-Geral do Maranhão, Regimentos nos anos de 1624 e 1644 – o Regimento deste último ano ampliou a sua alçada nas causas cíveis para até cem mil-réis e passou a não receber mais recursos das decisões dos juízes ordinários, julgando apenas os recursos que saíssem dos capitães e dos ouvidores das capitanias.

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Aspectos gerais da estrutura judicial da colonização portuguesa na América (IV): 1580/1640
A Ouvidoria-Geral do Estado do Brasil foi recriada e regulamentada segundo o regimento de 1628, com as seguintes atribuições, limitações e prerrogativas:
Seu titular não poderia ser suspenso nem retirado do cargo pelo governador-geral, EXCETO POR ORDEM DO REI;
Nenhuma causa ou feito pendente em sua jurisdição poderiam ser avocados por outro juiz, a não ser por ordem expressa do Rei;
Tinha total independência em relação ao governador-geral quanto à sua autoridade em matéria judicial;
 Apesar de poder entrar nas capitanias sob sua jurisdição para fiscalizar os demais funcionários, NÃO PROCEDERIA CONTRA O CAPITÃO DA CAPITANIA, a não ser quando alguma parte representasse contra ele;
Em 02/04/1630, um novo Regimento ampliou a alçada do Ouvidor-Geral do Estado do Brasil para cem mil-réis nas causas cíveis, além de conferir o poder para tirar residência aos capitães e ouvidores das capitanias;
Para a Ouvidoria-Geral da Repartição do Sul foi baixado um novo Regimento em 21/03/1630 – esta ouvidoria se manteve, por um longo período, como instância imediatamente superior de recurso, tanto para as sentenças dos ouvidores de capitania, quanto para as sentenças dos juízes ordinários da região sul da Colônia.

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Em 1652, restabeleceu-se, por força do Regimento de 12/09 do mesmo ano, a Relação do Estado do Brasil, voltando à situação vigente do período 1609/1626, em que o OUVIDOR-GERAL LHE ERA SUBORDINADO;
O tribunal voltou a centralizar todas as questões de Justiça, EXCETO AS OCORRIDAS NO ESTADO DO MARANHÃO, onde o Ouvidor-Geral permanecia como autoridade judicial máxima, DIRETAMENTE LIGADA À METRÓPOLE;
Com o tempo, algumas atribuições da Relação do Estado do Brasil se modificaram, sem que se atingisse sua autoridade no fundamental – duas cartas régias de 1670 proibiram os desembargadores de conhecerem as apelações e os agravos das execuções da Fazenda Real e uma outra carta régia de 1674, impediu o conhecimento de todos os agravos no tocante às questões fazendárias;
Com o objetivo de fortalecer o processo de centralização, foram enviados ao Brasil, em 1696, os JUÍZES DE FORA, funcionários letrados diretamente designados pelo Rei para servir nos municípios e, desde então, OS OFICIAIS MAIS IMPORTANTES DAS CÂMARAS – em 1731 instituiu-se, EM NÍVEL MUNICIPAL, o cargo de JUIZ DOS ÓRFÃOS, cujo responsável deveria zelar, até a maioridade, pelos interesses e bens dos menores sem pais;
Em 1751, o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro foi criado, recebendo o Regimento em 13/10, instalando-se em cerimônia solene em15/07 de 1752 – a criação da Relação do Rio de Janeiro está diretamente ligado ao movimento de centralização do poder promovido pela Coroa Portuguesa desde o final da União Ibérica e às condições econômicas relacionadas à atividade mineradora no interior da Colônia.

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Os tribunais superiores do Império Português localizavam-se na Metrópole:
Casa de Suplicação – Tribunal Supremo de uniformização da interpretação do Direito Português – estava localizada em Lisboa;
Desembargo do Paço - encarregado de apreciar matérias sobre liberdade (graça, indulto, perdão, comutação de pena), sobre adoção, legitimação e emancipação, sobre reintegração de posse e sobre censura de livros. Originariamente fazia parte da Casa da Suplicação, para despachar as matérias reservadas ao rei, tornou-se corte autônoma em 1521;
Mesa de Consciência e Ordem – Instância única, que tratava do provimento de benefícios, da administração de comendas e dos negócios relativos a interditos, cativos, ausentes e defuntos e de consciência do rei;