ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.251 materiais100.332 seguidores
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do Norte se recusaram a qualquer subordinação, tanto econômica, quanto política, ao Rio de Janeiro, as províncias do Sul, apesar de prestarem lealdade ao príncipe, se recusaram a prestar apoio financeiro – a posição de D. Pedro era de quase impotência e de dependência do Congresso de Lisboa.
Em junho de 1821, D. Pedro foi obrigado “pela tropa e pelo povo” a jurar a Constituição portuguesa chegada de Lisboa no final de maio, ao mesmo tempo que, ao longo de 1821, as diversas províncias brasileiras formaram governos provisórios ou juntas governativas eleitas e reconhecidas pelas Cortes de Lisboa, em oposição ao controle central do Rio de Janeiro.
Diante de tais dificuldades, o príncipe regente teve que se aproximar dos setores mais conservadores da elite brasileira, os que haviam frequentado a Universidade de Coimbra e exercido funções na administração, compartilhando a idéia de um império luso-brasileiro.

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A REVOLUÇÃO DO PORTO E A EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA (1820-1822) - IV
Durante o segundo semestre de 1821 as notícias acerca das discussões travadas nas Cortes de Lisboa deixavam claro que a assembléia intentava submeter o rei ao controle do Legislativo e restabelecer a supremacia européia sobre o resto do império.
Aos poucos, foi se desenvolvendo nas Cortes a perspectiva de uma política integradora, em que o Reino Unido deixasse de representar a união de dois reinos, tornando-se uma única entidade política, da qual o Congresso seria o símbolo, em substituição ao rei.
No início de dezembro de 1821, chegaram ao Rio os decretos de 29/09 das Cortes que referendavam as juntas provinciais diretamente subordinadas a Lisboa e que exigiam o retorno imediato de D. Pedro a Portugal.
Entre voltar para Portugal e permanecer no Brasil para tentar erguer uma monarquia do tipo “ilustrado”, D. Pedro optou pela segunda via, opção esta que se confirmou com a proclamação do Fico, em 09/01/1822 – em 11/02, tropas portuguesas tentaram forçar o embarque de D. Pedro para Lisboa, sendo impedidos pela movimentação do povo e de soldados brasileiros.
Deste ponto em diante, as decisões tomadas em ambos os lados do Atlântico acabaram por aprofundar o crescente mal-entendido entre as partes, o que levaria à independência brasileira.

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A INDEPENDÊNCIA E O INÍCIO DA CONSTRUÇÃO DO ESTADO MONÁRQUICO BRASILEIRO: O PRIMEIRO REINADO

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Ao longo do primeiro semestre de 1822, foi se delineando o processo da ruptura definitivo com Portugal.
Em 16/01, D. Pedro organizou um novo ministério, tendo à frente José Bonifácio de Andrada e Silva, o mais destacado elemento do “grupo de Coimbra”.
Em fevereiro, com o objetivo de estreitar os laços das províncias com o governo do Rio de Janeiro, D. Pedro convocou um Conselho de Procuradores.
Em 30/04, Gonçalves Ledo, através de seu jornal “Revérbero Constitucional Fluminense”, levantou a proposta de emancipação política do Brasil.
Em 23/05, o português José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara do Rio de Janeiro, entregou ao príncipe regente uma representação solicitando a convocação de uma “Assembléia Brasílica” (uma Assembléia Constituinte Brasileira), convocação esta que foi decidida no dia 03/06.
Tal assembléia teria como objetivo evitar o esfacelamento do Brasil – a instalação de um Poder Legislativo poderia afastar a “sombra do despotismo no Rio de Janeiro” que ainda amedrontava as províncias do Norte.

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Até meados do ano de 1822, raros foram os escritos que fizeram alguma referência ao desejo das Cortes de Lisboa em restabelecer o exclusivo colonial como fator que pudesse ensejar a separação entre Brasil e Portugal.
Todos os atos do governo regencial de D. Pedro no Rio de Janeiro tinham como objetivo afirmar um centro de poder que fosse capaz de evitar o esfacelamento territorial do país – ainda não havia a pretensão da ruptura plena entre a Metrópole e a antiga colônia.
Em 01/08, D. Pedro declarava inimigas todas as tropas portuguesas que desembarcassem no país sem seu consentimento, afirmando, contudo, que a INDEPENDÊNCIA era tomada no sentido da AUTONOMIA POLÍTICA, sem o rompimento formal com Portugal.
Neste mesmo mês, dois manifestos (Manifesto aos povos do Brasil, de Gonçalves Ledo e Manifesto às nações amigas, de José Bonifácio) entendiam que a separação era um fato consumado, sendo que José Bonifácio se mostrou mais reticente em relação à ruptura total.
Com o aprofundamento das divergências entre os que apoiavam o príncipe regente e a crescente autonomia do Brasil e as Cortes de Lisboa, a ruptura dos laços políticos foi se mostrando como uma tendência irreversível.
Na medida em que se caminhava para a emancipação, importantes grupos sociais, como o dos bacharéis, magistrados, altos funcionários que perderam seus empregos em função da decretação da extinção dos Tribunais Superiores no Rio de Janeiro, mostravam sua insatisfação com o domínio português.

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Outro grupo importante, o dos grandes comerciantes portugueses estabelecidos no Rio de Janeiro, não concordavam com uma provável retomada da hegemonia portuguesa no contexto do Império.
Combinando seus interesses com os interesses de outros setores tradicionais ligados à propriedade da terra e com os da burocracia político-administrativa da cidade, estes comerciantes poderosos preferiram cerrar fileiras em torno do príncipe regente, desde que se mantivessem a ordem e as estruturas vigentes, especialmente o sistema escravista.
Apesar do 07/09/1822 ser considerada a data da independência brasileira (e que hoje é comemorada como a data nacional do Brasil), a separação, ainda que parcial, já estava devidamente consumada para a grande maioria dos contemporâneos – para estes, a decisão de convocar uma Assembléia Constituinte, tomada no dia 03/06 e o decreto de 01/08 representava a emancipação.
Ela viria ser oficializada com a aclamação de D. Pedro I como imperador constitucional do Brasil (12/10/1822) e com a sua coroação em 01/12/1822.

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Durante o Primeiro Reinado (de 1822 a 1831) procedeu-se à montagem de todo o arcabouço legal, político e institucional do Império Brasileiro.
 A construção da ordem jurídico-político-institucional brasileira se deu sob a égide de um liberalismo iluminista (marcado pelas idéias e pelos ideais do Iluminismo do século XVIII) matizado pelas práticas patrimoniais e corporativas de uma parte considerável de suas elites e pela presença “hegemônica” do trabalho escravo no cenário sócio-econômico, tendo sido o debate jurídico-político, ao longo do período imperial, marcado pelos seguintes temas: poder moderador, centralismo, soberania popular e representação política.

Sobre o Primeiro Reinado...

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Características gerais do Primeiro Reinado:
O Primeiro Reinado (1822/1831) se constituiu como uma etapa de consolidação da emancipação política brasileira, a qual não produziu grandes alterações na ordem social e econômica e na forma de governo;
Ainda que a emancipação política, sob a forma de união em torno do Rio de Janeiro, não tenha produzido grandes mudanças na organização sócio-político-econômica brasileira, ela resultou de lutas e não de consenso;
Nestas lutas travadas pela consolidação da Independência, foram derrotados, nas províncias, os movimentos autonomistas e os que defendiam a permanência da união com Portugal;
A nova relação de dependência econômica que começou a se construir com as principais potências da época (especialmente com a Inglaterra) a partir da abertura dos portos brasileiros (1808) e que se consolidou com a emancipação política de 1822, não significou uma simples continuidade com o padrão colonial anterior, mas uma nova forma de inserção no sistema econômico internacional;
Por outro lado, a Independência demandava a tarefa a construção de um Estado Nacional capaz de organizar o país e de garantir sua unidade, e para tal tarefa não havia um consenso das autoridades em torno das linhas básicas que deveriam marcar a organização do novo Estado.

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OBSERVAÇÕES ACERCA DA ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE DE 1823 (I)
Nos dois primeiros anos após a Independência,