ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL

ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL


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o debate político se configurou em torno da aprovação de uma Constituição, que deveria ser produzida e votada por uma Assembléia Constituinte que começou a se reunir no Rio de Janeiro em maio de 1823.
Logo no início dos trabalhos da Assembléia Constituinte, começaram a surgir divergências entre os constituintes (na maioria, liberais moderados) e as tendências centralizadoras, autoritárias e absolutistas de D. Pedro I, apoiado a princípio por Jose Bonifácio.
As desavenças entre o Imperador e os constituintes se produziram em torno das atribuições do Poder Executivo (o imperador) e o Legislativo \u2013 os constituintes não queriam que o imperador tivesse o poder de dissolver a Câmara dos Deputados, nem que pudesse negar a validade de qualquer lei aprovada pelo Legislativo.
Já o imperador e os círculos políticos que o apoiavam achavam que era necessário um Executivo forte, capaz de conter as \u201ctendências democráticas e desagregadoras\u201d.
Tais divergências levaram ao afastamento de José Bonifácio do ministério em julho de 1823 , imprensado entre as críticas dos liberais e as insatisfações dos conservadores e posteriormente à dissolução da Assembléia Constituinte, com o apoio dos militares.
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OBSERVAÇÕES ACERCA DA ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE DE 1823 (II)
Durante o período em que esteve reunida a Assembléia Constituinte para a elaboração da primeira constituição do Brasil independente (entre maio e novembro de 1823, o debate político foi intenso, com frequentes mudanças de posição.
Quando o projeto da Constituição começou a ser discutido, as galerias ficaram lotadas, com populares acompanhando o posicionamento dos parlamentares a respeito dos direitos civis e suas opiniões sobre a maior ou menor extensão dos direitos políticos, com uma tendência clara para a não extensão destes direitos a todos os membros da sociedade.
Havia a preocupação com as parcelas mestiças que podiam ser excluídas do processo político. Por sua vez a participação política dos que fossem considerados cidadãos deveria ser graduada entre cidadãos \u201cpassivos\u201d e \u201cativos\u201d \u2013 para ser brasileiro, segundo o deputado Rocha Franco, não bastava apenas a naturalidade ou a naturalização, devendo-se somar a tais critérios, a residência no Brasil e a propriedade, o que significava dizer que a residência e a propriedade seriam os caracteres distintivos da cidadania.
Quando se votou a proposição da extensão dos direitos de cidadãos aos LIBERTOS, ela foi rejeitada.
Aos poucos, a Assembléia ia sendo pautada pelo cotidiano das ruas e pela intensa participação popular, até a sua dissolução.
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A constituição de 1824 (caracterização inicial):
Com a dissolução da Assembléia Constituinte e a prisão de vários deputados, dentre eles os irmãos Andradas (José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos), o imperador cuidou de criar uma comissão de \u201cnotáveis\u201d que elaborassem um projeto de constituição que resultou na Constituição outorgada em 25 de março 1824 - apesar de OUTORGADA, esta constituição marcou o início da institucionalização da monarquia constitucional, configurando-se a partir daí os Poderes do Estado, as garantias de direitos e a contenção de abusos \u2013 a prática constitucional somente teria início em maio de 1826, quando se instalou o Legislativo.
A Constituição de 1824 não diferia muito da proposta dos constituintes de 1823 \u2013 a grande diferença é que ela foi imposta pelo imperador ao \u201cpovo\u201d, ou seja àquela minoria de brancos e mestiços que tinham participação política.
Com relação ao alcance da Constituição de 1824, devemos destacar dois pontos essenciais: 
Havia um contingente expressivo da população (os escravos) que estava excluído de seus dispositivos.
Ainda que a Constituição representasse um avanço do ponto de vista da organização dos poderes, da definição de atribuições e de garantia dos direitos individuais, sua aplicação seria muito relativa, especialmente no campo dos direitos em um país onde a maioria da população livre dependia dos grandes proprietários rurais, onde só uma minoria (bem pequena) tinha alguma instrução e onde existia uma tradição autoritária.
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Esta constituição vigorou, com algumas modificações, até o final do período imperial e apresentou como principais características:
A forma de governo foi definida como MONÁRQUICA, HEREDITÁRIA e CONSTITUCIONAL.
O império teria uma nobreza, mas não uma aristocracia, cujos títulos seriam concedidos pelo imperador, não sendo, todavia hereditários.
A religião católica continuou como religião oficial, (o Estado Monárquico Brasileiro era CONFESSIONAL) permitindo-se o culto particular de outras religiões, sem que houvesse, todavia, \u201cforma alguma exterior de templo\u201d.
O Poder Legislativo foi dividido em duas instâncias: a Câmara dos Deputados e o Senado \u2013 para a Câmara, a eleição era temporária, enquanto que, para o Senado, era vitalícia.
O voto era INDIRETO e CENSITÁRIO \u2013 INDIRETO (até a reforma de 1881) porque os votantes (que corresponderiam a massa atual de eleitores) votavam em um CORPO ELEITORAL, em ELEIÇÕES PRIMÁRIAS, o qual elegia os deputados e CENSITÁRIO porque para ser votante primário, fazer parte do CORPO ELEITORAL (COLÉGIO ELEITORAL), ser deputado ou ser senador, o indivíduo deveria atender a alguns requisitos, dentre os quais (e principalmente) de NATUREZA ECONÔMICA.
O país foi dividido em províncias cujos presidentes eram nomeados pelo imperador, ao mesmo tempo em que se asseguravam, formalmente, os direitos individuais (igualdade perante a lei, liberdade de religião com algumas restrições, liberdade de pensamento e de manifestação).
o Judiciário, apesar de formalmente independente, encontrava-se sob a égide dos interesses da administração.
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Foram instituídos o Conselho de Estado e o Poder Moderador que desempenhariam importantes papéis no desenvolvimento da história política do Império.
O Conselho de Estado era um órgão composto por conselheiros vitalícios nomeados pelo Imperador dentre cidadãos brasileiros com idade mínima de 40 anos (idade avançada para a época), renda não inferior a 800 mil-réis e que fossem pessoas de \u201csaber, capacidade e virtude\u201d \u2013 o Conselho deveria ser ouvido nos \u201cnegócios graves e medidas gerais da pública administração\u201d, como por exemplo, declaração de guerra e ajustes de pagamentos.
O Poder Moderador provinha de uma idéia do escritor francês Benjamin Constant que defendia a separação entre o Poder Executivo, cujas atribuições caberiam aos ministros do rei, e o poder propriamente imperial, chamado de neutro ou MODERADOR \u2013 tal poder, exercido pelo monarca (pelo imperador), teria a função de moderar as disputas mais sérias e gerais, interpretando a \u201cvontade e o interesse nacional\u201d, não intervindo na administração do dia-a-dia.
No Brasil nunca houve uma clara separação entre o Poder Moderador e o Poder Executivo, resultando uma concentração de atribuições nas mãos do imperador.
Assim, pelos princípios constitucionais, a figura do imperador foi considerada sagrada e inviolável, NÃO ESTANDO SUJEITA A RESPONSABILIDADE ALGUMA, cabendo a ele, dentre outros pontos, a nomeação de senadores, a faculdade de dissolver a Câmara e convocar eleições para renová-la e o direito de sancionar, ou seja, aprovar ou vetar as decisões da Câmara e do Senado.
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ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA DO PERÍODO IMPERIAL:
A Constituição de 1824 deu nova feição à Justiça brasileira, elevando-a à condição de um dos poderes estatais (Do Poder Judicial \u2013 Título VI).
Pela Constituição imperial, o Poder Judiciário se organizava da seguinte forma:
PRIMEIRA INSTÂNCIA:
	Juizes de Paz \u2013 para conciliação prévia das contendas cíveis e, pela Lei de 15 de outubro de 1827, para instrução inicial das causas criminais, sendo eleitos em cada distrito. 
	Juizes de Direito \u2013 para julgamento das contendas cíveis e criminais, sendo nomeados pelo Imperador.
SEGUNDA INSTÂNCIA:
	Tribunais de Relação (Provinciais) - Para julgamento dos recursos das sentenças (revisão das decisões). 
TERCEIRA INSTÂNCIA: 
	Supremo Tribunal de Justiça - Para revista de determinadas causas e solução dos conflitos de jurisdição