CCJ0009-WL-PA-12-T e P Narrativa Jurídica-Novo-15855
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DisciplinaTeoria e Prática da Narrativa Jurídica732 materiais3.502 seguidores
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da Narrativa Jurídica 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
6 
Tema 
Seleção dos fatos da narrativa jurídica. 
Objetivos 
O aluno deverá ser capaz de: 
- Iden\u19f\ufb01car os fatos que constarão na narra\u19fva jurídica. 
- Dis\u19fnguir os fatos juridicamente importantes daqueles que são esclarecedores das questões importantes. 
- Desenvolver raciocínio jurídico capaz de levar à compreensão de que os fatos que não são usados, direta ou indiretamente, na fundamentação da tese, não 
precisam ser narrados. 
Estrutura do Conteúdo 
1. Classi\ufb01cação dos fatos 
1.1. Fatos juridicamente importantes 
1.2. Fatos que contribuem para a compreensão dos que são relevantes 
1.3. Fatos que dão ênfase a informações relevantes 
1.4. Fatos que satisfazem a curiosidade do leitor 
2. Seleção de fatos para a produção da narra\u19fva jurídica 
Aplicação Prática Teórica 
Num relato pessoal, interessa ao narrador não apenas contar os fatos, mas jus\u19f\ufb01cá-los. No mundo jurídico, entretanto, muitas vezes, é preciso 
narrar os fatos de forma obje\u19fva, sem jus\u19f\ufb01cá-los. Ao redigir um parecer, por exemplo, o narrador deve relatar os fatos de forma objetiva antes de 
apresentar seu opinamento técnico-jurídico na fundamentação. 
Antes de iniciar seu relato, o narrador deve selecionar o quê narrar, pois é necessário garan\u19fr a relevância do que é narrado. Logo, o primeiro 
passo para a elaboração de uma boa narra\u19fva é selecionar os fatos a serem relatados. 
  
INSERIR AQUI O ANEXO 3 
QUESTÃO 1: 
Leia os casos concretos que seguem e sublinhe todas as informações que precisam ser observadas em uma narra\u19fva imparcial. Em seguida, liste, 
em tópicos, todas essas informações que devem ser usadas no relatório. 
  
Caso concreto 1 
O motorista que atropelou a estudante universitária Dan iele Silva, de 24 anos, moradora da Rua da Saudade, 25, casa 3, Santa Teresa, CPF 
453992292 -67, na pista do Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, na noite de segunda -feira, 08 de março de 2010, às 23h 30min , confessou ter fugido sem 
prestar socorro à vi\u19fma, que morreu no local. Formado em Relações Internacionais, Marcelo Cotrim, de 25 anos, mora na Rua Senador Patrício, 80, 
apartamento 403, Flamengo, CPF 435 874 985-20, RG 2323874044-9, e se apresentou ontem ao 10º DP (Botafogo), onde alegou não ter parado para 
prestar socorro, por ter ficado com medo de ser linchado. 
Marcelo é liberado após prestar esclarecimentos, autuado por homicídio culposo e omissão de socorro. 
Em seu d epoimento , Marcelo disse : "logo após o acidente, liguei para o meu pai, o médico Reinaldo Cotrim, que mora a 500 metros do lugar do 
atropelamento. Não bebi antes do acidente. Tinha acabado de sair de casa, no Flamengo, para buscar a minha namorada, em Copacabana. Um casal 
passou correndo na frente do carro". 
Reinaldo, por telefone, quando Marcelo liga logo depois do acidente, fala para o filho ir para a casa. O médico vai até o local do acidente, constata 
que a menina já está morta, sai sem se iden\u19f\ufb01car à polícia e aos bombeiros. 
Nos próximos dias, será ouvido o rapaz que estava com Dan iele no momento do atropelamento, identificado como Alexandro, que também foi 
atingido. 
O advogado de Marcelo, Pedro Lavigne, ficou na delegacia com ele durante toda a tarde. Indagado por que seu cliente ligara para o pai em vez de 
chamar os bombeiros, Lavigne ainda tentou justificar: 
_ O pai dele é médico e estava a poucos metros dali. Ele foi até lá para tentar salvar a menina, mas ela já estava morta. Ele está muito abalado e, 
por isso, não se apresentou antes.  
Opinião do delegado do 10º DP, Laurindo Lobo, ele está jogando a culpa em cima da ví\u19fma. O advogado de defesa disse acreditar que ele sequer 
responderá a processo. 
  
Caso concreto 2 
Desde o dia 18 de setembro de 2010, o motorista José Menezes de Lacerda, de 47 anos, portador do vírus da AIDS, é procurado pela polícia. Ele mudou de 
casa e vive apavorado com a ideia de passar os próximos anos na cadeia. Sem antecedentes criminais, José foi condenado, em outubro de 2008, por um júri 
popular, a oito anos em regime fechado. A acusação: tentar matar a amante, transmi\u19fndo- lhe o HIV. O caso que teve repercussão nacional. O réu recorreu ao 
Tribunal de Jus\u19fça de São Paulo, mas perdeu: em março de 2009, o órgão con\ufb01rmou a decisão dos jurados. 
O advogado que defendeu José, no início do processo, e o promotor que o denunciou, em 2006, dizem que não sabem de casos semelhantes no país. Como 
eles, outros especialistas a\ufb01rmaram ao Estado não ter no\u1a1cia de processos no qual um portador do HIV tenha sido condenado à prisão por homicídio doloso (com 
intenção de matar) e quali\ufb01cado (por uso de meio cruel) porque contaminou alguém com o vírus. 
Luiz Carlos Magalhães acompanhou José durante o processo como advogado da assistência judiciária do Estado. Hoje o motorista está sem defensor. 
Magalhães diz que o caso \ufb01cou \u201cainda mais sui generis \u201d \u2013 e dramá\u19fco \u2013 porque Marília, a mulher contaminada, retomou o romance com José. Ela a\ufb01rmou que já 
está arrependida de ter registrado bole\u19fm de ocorrência contra o companheiro. Mas não há o que fazer, porque, em casos de homicídio, a ação penal independe 
da vontade da ví\u19fma (ação penal pública incondicionada). Marília não quis falar com a reportagem. 
José disse ter sido informado sobre a ordem de prisão há duas semanas pela própria amante, que \u19fnha ido buscar um atestado de bons antecedentes para 
ele. \u201cFoi um baque \u201d. O motorista a\ufb01rma que ele e Marília vivem entre \u201cidas e vindas\u201d, mas ainda estão juntos. \u201cEu não sei se é gostar. É alguma coisa mais forte do 
que eu. \u201d Ele a\ufb01rma que ambos estão em boas condições de saúde e recebem tratamento gratuito do governo. 
\u201cEste caso foi um circo\u201d, diz Magalhães. \u201cOs dois estão vivos e saudáveis. Não houve tenta\u19fva de homicídio. Além disso, não existe essa \u19fpi\ufb01cação na nossa 
legislação, tentar matar por meio do vírus da AIDS.\u201d 
\u201cNão lembro de nenhuma condenação no Brasil, um caso concreto\u201d, a\ufb01rma Damásio de Jesus, professor convidado da especialização em Direito Penal da 
Escola Paulista de Magistratura. Em Espanha e Alemanha, no entanto, já são comuns os processos nos quais a transmissão do vírus foi classi\ufb01cada como tenta\u19fva 
de homicídio. A alegação é de que o réu sabia que \u19fnha o HIV e mesmo assim manteve relações sexuais sem proteção. \u201cAs coisas lá acontecem antes\u201d, afirma 
Damásio. 
O próprio Magalhães diz que há poucas chances de sucesso em recursos aos tribunais em Brasília, porque se trata de decisão de júri popular, referendada 
pelo Tribunal de Jus\u19fça. Depois da condenação a oito anos de regime fechado e do recurso do réu, o TJ apenas adaptou a decisão para que José possa pleitear a 
progressão da pena. 
Para o professor \u19ftular de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná, René Ariel Do\u1ab, como José perdeu o prazo para novo recurso ao TJ, sobram 
como alterna\u19fvas uma revisão de pena ou um habeas corpus  ao Superior Tribunal de Jus\u19fça. Do\u1ab diz ter dúvidas sobre a condenação. \u201cAcho duvidoso. A 
tenta\u19fva de homicídio depende da probabilidade da contaminação. Se não há 100% de certeza de que em uma relação possa haver o contágio, não houve 
tenta\u19fva de homicídio\u201d. 
Recentemente, deixou de\ufb01ni\u19fvamente a mãe dos quatro \ufb01lhos para \ufb01car com a amante. Conseguiu novo emprego e começou a se \u201creerguer \u201d. Mas então 
soube da ordem de prisão expedida contra ele, há duas semanas. 
\u201cMarília \ufb01cou abalada. E eu não acho justo. Sei que \u19fnha minha parcela de culpa, mas ela também. Era responsabilidade do casal. Essa decisão de me 
prender foi um baque, quebrou minhas estruturas \u201d, a\ufb01rmou José ao Estado. 
José diz que \u19fnha muitas parceiras e não sabe exatamente como contraiu o vírus da AIDS. A\ufb01rma que evitou contar a verdade para Marília porque 
estava apaixonado. \u201cMeu cérebro está conges\u19fonado; não sei o que fazer\u201d. 
  
Plano de Aula: 6 - Teoria e Prática da Narrativa Jurídica 
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA
Estácio de Sá Página 2 / 2