CCJ0009-WL-PA-12-T e P Narrativa Jurídica-Novo-15855
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da Narrativa Jurídica

Número de Aulas por Semana

Número de Semana de Aula

6

Tema

Seleção dos fatos da narrativa jurídica.

Objetivos

O aluno deverá ser capaz de:
- IdenƟficar os fatos que constarão na narraƟva jurídica.
- DisƟnguir os fatos juridicamente importantes daqueles que são esclarecedores das questões importantes.
- Desenvolver raciocínio jurídico capaz de levar à compreensão de que os fatos que não são usados, direta ou indiretamente, na fundamentação da tese, não 
precisam ser narrados.

Estrutura do Conteúdo

1. Classificação dos fatos

1.1. Fatos juridicamente importantes

1.2. Fatos que contribuem para a compreensão dos que são relevantes

1.3. Fatos que dão ênfase a informações relevantes

1.4. Fatos que satisfazem a curiosidade do leitor

2. Seleção de fatos para a produção da narraƟva jurídica

Aplicação Prática Teórica

Num relato pessoal, interessa ao narrador não apenas contar os fatos, mas jusƟficá-los. No mundo jurídico, entretanto, muitas vezes, é preciso 
narrar os fatos de forma objeƟva, sem jusƟficá-los. Ao redigir um parecer, por exemplo, o narrador deve relatar os fatos de forma objetiva antes de
apresentar seu opinamento técnico-jurídico na fundamentação.

Antes de iniciar seu relato, o narrador deve selecionar o quê narrar, pois é necessário garanƟr a relevância do que é narrado. Logo, o primeiro 
passo para a elaboração de uma boa narraƟva é selecionar os fatos a serem relatados.

 
INSERIR AQUI O ANEXO 3

QUESTÃO 1:
Leia os casos concretos que seguem e sublinhe todas as informações que precisam ser observadas em uma narraƟva imparcial. Em seguida, liste, 

em tópicos, todas essas informações que devem ser usadas no relatório.
 
Caso concreto 1

O motorista que atropelou a estudante universitária Dan iele Silva, de 24 anos, moradora da Rua da Saudade, 25, casa 3, Santa Teresa, CPF
453992292 -67, na pista do Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, na noite de segunda -feira, 08 de março de 2010, às 23h 30min , confessou ter fugido sem
prestar socorro à viƟma, que morreu no local. Formado em Relações Internacionais, Marcelo Cotrim, de 25 anos, mora na Rua Senador Patrício, 80,
apartamento 403, Flamengo, CPF 435 874 985-20, RG 2323874044-9, e se apresentou ontem ao 10º DP (Botafogo), onde alegou não ter parado para 
prestar socorro, por ter ficado com medo de ser linchado.

Marcelo é liberado após prestar esclarecimentos, autuado por homicídio culposo e omissão de socorro.
Em seu d epoimento , Marcelo disse : "logo após o acidente, liguei para o meu pai, o médico Reinaldo Cotrim, que mora a 500 metros do lugar do

atropelamento. Não bebi antes do acidente. Tinha acabado de sair de casa, no Flamengo, para buscar a minha namorada, em Copacabana. Um casal
passou correndo na frente do carro".

Reinaldo, por telefone, quando Marcelo liga logo depois do acidente, fala para o filho ir para a casa. O médico vai até o local do acidente, constata 
que a menina já está morta, sai sem se idenƟficar à polícia e aos bombeiros.

Nos próximos dias, será ouvido o rapaz que estava com Dan iele no momento do atropelamento, identificado como Alexandro, que também foi
atingido.

O advogado de Marcelo, Pedro Lavigne, ficou na delegacia com ele durante toda a tarde. Indagado por que seu cliente ligara para o pai em vez de
chamar os bombeiros, Lavigne ainda tentou justificar:

_ O pai dele é médico e estava a poucos metros dali. Ele foi até lá para tentar salvar a menina, mas ela já estava morta. Ele está muito abalado e, 
por isso, não se apresentou antes. 

Opinião do delegado do 10º DP, Laurindo Lobo, ele está jogando a culpa em cima da víƟma. O advogado de defesa disse acreditar que ele sequer 
responderá a processo.
 
Caso concreto 2

Desde o dia 18 de setembro de 2010, o motorista José Menezes de Lacerda, de 47 anos, portador do vírus da AIDS, é procurado pela polícia. Ele mudou de 
casa e vive apavorado com a ideia de passar os próximos anos na cadeia. Sem antecedentes criminais, José foi condenado, em outubro de 2008, por um júri 
popular, a oito anos em regime fechado. A acusação: tentar matar a amante, transmiƟndo- lhe o HIV. O caso que teve repercussão nacional. O réu recorreu ao 
Tribunal de JusƟça de São Paulo, mas perdeu: em março de 2009, o órgão confirmou a decisão dos jurados.

O advogado que defendeu José, no início do processo, e o promotor que o denunciou, em 2006, dizem que não sabem de casos semelhantes no país. Como 
eles, outros especialistas afirmaram ao Estado não ter noơcia de processos no qual um portador do HIV tenha sido condenado à prisão por homicídio doloso (com 
intenção de matar) e qualificado (por uso de meio cruel) porque contaminou alguém com o vírus.

Luiz Carlos Magalhães acompanhou José durante o processo como advogado da assistência judiciária do Estado. Hoje o motorista está sem defensor. 
Magalhães diz que o caso ficou “ainda mais sui generis ” – e dramáƟco – porque Marília, a mulher contaminada, retomou o romance com José. Ela afirmou que já 
está arrependida de ter registrado boleƟm de ocorrência contra o companheiro. Mas não há o que fazer, porque, em casos de homicídio, a ação penal independe 
da vontade da víƟma (ação penal pública incondicionada). Marília não quis falar com a reportagem.

José disse ter sido informado sobre a ordem de prisão há duas semanas pela própria amante, que Ɵnha ido buscar um atestado de bons antecedentes para 
ele. “Foi um baque ”. O motorista afirma que ele e Marília vivem entre “idas e vindas”, mas ainda estão juntos. “Eu não sei se é gostar. É alguma coisa mais forte do 
que eu. ” Ele afirma que ambos estão em boas condições de saúde e recebem tratamento gratuito do governo.

“Este caso foi um circo”, diz Magalhães. “Os dois estão vivos e saudáveis. Não houve tentaƟva de homicídio. Além disso, não existe essa Ɵpificação na nossa 
legislação, tentar matar por meio do vírus da AIDS.”

“Não lembro de nenhuma condenação no Brasil, um caso concreto”, afirma Damásio de Jesus, professor convidado da especialização em Direito Penal da 
Escola Paulista de Magistratura. Em Espanha e Alemanha, no entanto, já são comuns os processos nos quais a transmissão do vírus foi classificada como tentaƟva 
de homicídio. A alegação é de que o réu sabia que Ɵnha o HIV e mesmo assim manteve relações sexuais sem proteção. “As coisas lá acontecem antes”, afirma
Damásio.

O próprio Magalhães diz que há poucas chances de sucesso em recursos aos tribunais em Brasília, porque se trata de decisão de júri popular, referendada 
pelo Tribunal de JusƟça. Depois da condenação a oito anos de regime fechado e do recurso do réu, o TJ apenas adaptou a decisão para que José possa pleitear a 
progressão da pena.

Para o professor Ɵtular de Direito Penal da Universidade Federal do Paraná, René Ariel Doƫ, como José perdeu o prazo para novo recurso ao TJ, sobram 
como alternaƟvas uma revisão de pena ou um habeas corpus  ao Superior Tribunal de JusƟça. Doƫ diz ter dúvidas sobre a condenação. “Acho duvidoso. A
tentaƟva de homicídio depende da probabilidade da contaminação. Se não há 100% de certeza de que em uma relação possa haver o contágio, não houve 
tentaƟva de homicídio”.

Recentemente, deixou definiƟvamente a mãe dos quatro filhos para ficar com a amante. Conseguiu novo emprego e começou a se “reerguer ”. Mas então 
soube da ordem de prisão expedida contra ele, há duas semanas.

“Marília ficou abalada. E eu não acho justo. Sei que Ɵnha minha parcela de culpa, mas ela também. Era responsabilidade do casal. Essa decisão de me 
prender foi um baque, quebrou minhas estruturas ”, afirmou José ao Estado.

José diz que Ɵnha muitas parceiras e não sabe exatamente como contraiu o vírus da AIDS. Afirma que evitou contar a verdade para Marília porque 
estava apaixonado. “Meu cérebro está congesƟonado; não sei o que fazer”.
 

Plano de Aula: 6 - Teoria e Prática da Narrativa Jurídica
TEORIA E PRÁTICA DA NARRATIVA JURÍDICA

Estácio de Sá Página 2 / 2