ok clin equi 09.05.11
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ok clin equi 09.05.11

Disciplina:Clínica Médica Veterinária De Equídeos12 materiais173 seguidores
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Quando o organismo percebe que nesse local tem impedimento do fluxo de sg na extremidade causando isquemia, ele tem um mecanismo de defesa, mas só que nesse caso piora, que é a abertura do “shunt” artério-venosos, ou o comunicador da artéria venosa, nesse caso aqui é uma comunicação que existe na altura da coroa do casco, ele age como um mecanismo de defesa. O organismo quando percebe um impedimento no fluxo sanguíneo ele abre o mecanismo de defesa que são as comunicações ou shunt artério-venosos que faz com que esse sangue arterial oxigenado não chegue até a extremidade porque ele não vai poder ser utilizado, então ele é desviado e então ele chega pela artéria digital palmar e vai voltar pela veia digital palmar. Ao invés do sangue oxigenado arterial ir até a extremidade, ele vai até a coroa do casco (como se fosse um atalho) e volta.
Ele diminui a formação do edema, mas ele suprime ainda mais o aporte de oxigênio, se é que por ventura poderia haver essa possibilidade de chegar lá.

	Vc tem o casco, chega o sangue oxigenado por uma via arterial que é uma via aferente, e sai o sangue não oxigenado por uma via eferente que é uma veia. Só que como tem uma venoconstricção que dificultou a passagem do sangue, está tendo uma obstrução ali, o organismo percebendo esse impedimento no fluxo de sangue, ao invés do sangue ir até o final do casco pro sangue irrigar essa área, ele abre um desvio na altura da região da coroa e esse sangue arterial não chega até o final, ele passa por esse shunt artério-venoso e volta, ai não passa mais sangue até o final. Isso por um lado é bom porque diminui o edema, mas por outro lado, se o animal tiver a necessidade desse sangue oxigenado ele não vai ter.
Ex. O cavalo quando fica muito tempo na neve, isso acontece, só que nesse caso não vai ser deletério, porque como a temperatura está muito baixa, o metabolismo do cavalo está praticamente nulo. Tanto que vamos ver que um dos tratamentos mais efetivos é o gelo.

	Vimos aqui então o impedimento do fluxo laminar, que acontece porque tem uma venoconstricção, e com isso vc vai ter aumento da pressão hidrostática capilar, extravasamento de liquido fazendo o edema, que aperta mais.
	Com essa obstrução vc vai ter a abertura do shunt artério-venoso.
	Vc tem um ambiente necessário para microtrombose. A trombose vai ser a agregação de plaquetas e outros elementos quando vc tem uma alteração em suma do fluxo laminar, e nesse caso vc está tendo alteração do fluxo, porque o sangue está vindo, fica interrompido ali, fica uma estase sanguínea, ou seja, interrupção do fluxo capilar-laminar, esse sangue parado favorece a agregação de plaquetas e outros elementos que favorece formação de microtrombos. Esses microtrombos vão acabar entupindo ainda mais os pequenos vasos de uma forma geral.
O sangue está ali parado porque o calibre de vaso diminuiu, o vaso está entupido porque está cheio de microtrombo e alem disso vc ainda tem o shunt artério venoso, então vc não tem mais sangue ali, e a conseqüência disso é necrose isquêmica.

	Quando vc tem edema pela pressão hidrostática capilar aumentada, esse edema que se formou nesse espaço comprime as terminações nervosas e isso é o principal quadro gerador de dor. Inclusive, quanto mais dor vc tem, mais vasoconstricção vc tem, porque quando vc tem dor vc libera catecolaminas que vão provocar mais vasoconstricção.

Vc teve necrose isquêmica, então vc separou a lâmina dérmica da epidérmica, então a 3ª falange está solta dentro do casco, e ai quando isso acontece, ela fica sujeita a algumas forcas que agem sobre ela:
A mais conhecida e a mais propagada é a forca do tendão flexor digital profundo (TFDP), porque a inserção dele é nessa lâmina, então ele puxa a 3ª falange.
Outra forca que o pessoal não fala, mas ela existe é a forca do TFDP que é a forca de rotação. Falam “cavalo rodou”, rodou porque vc já teve uma rotação de 3ª falange.
Forca de deslocamento: quem faz isso é o próprio peso do animal, e ela aproxima a 3ª falange da sola. O peso do animal empurra pra baixo a 3ª falange, com isso ela fica mais próxima da sola.
Essas 2 forcas juntas (2 e a 3), promovem a perfuração da sola.

O principal pra gente entender é a forca de rotação, é devido à tração do TFDP na sua inserção da 3ª falange.

No cavalo normal, a 3ª falange tem que estar paralela à parede do casco. É isso que vamos aferir quando fazemos o acompanhamento radiográfico do cavalo. Mas quando o animal está com laminite e começa a ocorrer esse descolamento das laminas dérmicas e epidérmicas, vc vai ter a rotação da 3ª falange, e ai o que era paralelo, já não vai ficar mais. Por conseguinte, pelo deslocamento, essa parte acaba incidindo e perfurando a sola do casco.

Às vezes quando vc faz uma radiografia, vc não observa a rotação, mas vc já consegue através de uma área mais escura que está havendo o descolamento.

Normalmente se estabelece que vc já tem a rotação a partir de 24-48 horas de dor continua. Mas nem sempre, vc pode ter uma situação em que isso não vai se estabelecer. Nem sempre vc vai ter a imagem do raio-x, vc tem que tratar a laminite antes que tenha rotação. O diagnostico da laminite é clínico.

Epidemiologia
Vamos tratar o grupo de animais que manifestem com mais freqüência a laminite.
Não há predileção por raça ou sexo, porem se notou que os pôneis têm uma incidência maior e os animais quarto de milha. (isso não está na literatura, mas é uma observação feita na clínica no dia a dia)

Sinais
O principal sinal da laminite é a claudicação.
Podemos dividir os sinais da laminite em 2 fases:
- Fase aguda
- Fase crônica

Na fase aguda o que agente observa é a claudicação que é mais freqüente nos membros anteriores, podendo afetar um ou ambos, mas pode incidir também sobre os 4 membros simultaneamente.

O que acontece no maior numero de vezes, o animal tem laminite nos 2 anteriores, as vezes 1 com uma forma mais forte que a outra (forma mais agressivo do que a outra), mas com o tempo vai havendo um implemento e os 4 membros ficam afetados, as vezes os posteriores estão afetados porem de forma bem mais discreta, tanto que há uma tendência no animal com laminite adotar uma posição característica: se apoiando nos membros posteriores. Ele desloca o eixo de gravidade dele fazendo com que os membros posteriores fiquem pra debaixo do corpo e ele adianta os membros anteriores. Ele bota os posteriores pra debaixo do corpo e os membros anteriores ele apóia nos talões, que é a parte posterior do casco, com isso ele alivia o peso nos membros mais afetados.
O animal com laminite assume uma posição característica, justamente em função do acometimento que normalmente é mais forte nos membros anteriores então ele pega os membros posteriores, desloca ele cranialmente pra que o membro posterior , com isso o maior peso fica apoiado nos posteriores e ele alivia os anteriores que ficam apoiados só na região do talão.
Ele tende a apoiar a maior parte do peso nos membros posteriores e na região do talão nos membros anteriores.
O casco fica quente, o pulso da artéria digital palmar fica cheio, vc vai colocar a mão e vai ver que está quente. Isso gera uma certa duvida, será o casco está quente mesmo ou não está? O ideal é vc verificar isso com as costas da mão, e que o animal não esteja no sol e vc pode comparar com outros cascos do mesmo cavalo ou de outro cavalo, mas na fase aguda normalmente o casco afetado vai estar quente.
O que é bem evidente: é um pulso cheio na artéria digital palmar, é o pulso em que a quantidade de sg que está passando por ele é maior, então fica fácil vc aferir ou de vc verificar a pulsação ali. Normalmente no cavalo saudável vc vai ter até dificuldade de aferir a pulsação da artéria digital palmar. Já um cavalo com laminite, vc coloca a mão perto da região da quartela, e vc vai sentir o impulso dele, e vai estar cheio. No cavalo normal é bem discreto, vc quase não consegue observar.
Mas isso pode ser também passível de acontecer quando o cavalo tem outras alterações no casco, ex. osteíte podal, abscesso, miopatia