A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
14 pág.
Anamnese Psiquiatrica

Pré-visualização | Página 2 de 5

ou 
característica relevante. 
VI.	HISTÓRIA	PATOLÓGICA	PREGRESSA	(HPP) 
Nesta etapa, investigam-se os antecedentes mórbidos do paciente. Devem constar somente as doenças físicas. 
 Viroses comuns da infância, desmaios, convulsões e sua freqüência, doenças, operações, acidentes, traumatismos 
(sintomas, datas, duração), internações e tratamentos. 
VII.	EXAME	PSÍQUICO	(EP) 
 Até aqui, tivemos um relato feito pelo paciente e, em alguns casos, outros dados colhidos por familiares ou pessoa 
que o acompanha à entrevista. Nosso trabalho foi o de registrar e organizar tais informações. 
 Neste ponto da anamnese, cessa esse relato do paciente e passa-se a ter o registro da observação do entrevistador 
ou terapeuta, no momento da(s) entrevista(s). 
 No exame psíquico, as anotações deverão ser feitas de forma que alguém de fora da área “Psi” possa compreendê-
las. 
 A sua organização deve obedecer a determinados quesitos que, obrigatoriamente, serão respondidos pelo 
entrevistador. 
 Nunca é demais lembrar que tudo o que não é observado no momento da entrevista ficará na HDA ou HPP. 
Exemplo: se o paciente diz ter insônia, isso constará da HDA. 
 Os tópicos seguintes apontam para os diferentes aspectos da vida psíquica do indivíduo e devem ser investigados. 
A coleta desses dados, bem como a de todos os outros, poderá ser feita na ordem em que melhor parecer ao 
entrevistador. Porém, no texto final, será mantida uma ordem preestabelecida, com a finalidade de facilitar o acesso ao 
material. 
 Para melhor organização, usa-se a forma de parágrafo para cada um dos assuntos, sem porém titulá-los. 
 No exame psíquico, não se usam termos técnicos; o que se espera que seja registrado aqui são aspectos objetivos 
que justifiquem os termos técnicos que serão empregados posteriormente na súmula. 
Ex: “Paciente apresenta-se inquieto, demonstrando desassossego, mas podendo ainda controlar sua agitação.” Isso 
corresponde ao que se chama de “hipercinesia moderada”. Esse termo não será aqui utilizado. Ele aparecerá somente 
na súmula quando se estiver apontando o termo técnico indicativo da psicomotricidade do paciente. 
Em seguida, apontamos os diversos aspectos que integram o exame psíquico. 
1.	Apresentação 
 Refere-se à impressão geral que o paciente causa no entrevistador. Compreende: 
a. Aparência: tipo constitucional, condições de higiene pessoal, adequação do vestuário, cuidados pessoais. Não 
confundir com a classe social a que pertence o indivíduo. 
Ex: “Paciente é alto, atlético e apresenta-se para a entrevista em boas condições de higiene pessoal, com vestes 
adequadas, porém sempre com a camisa bem aberta...”. 
b. Atividade psicomotora e comportamento: mímica – atitudes e movimentos expressivos da fisionomia (triste, alegre, 
ansioso, temeroso, desconfiado, esquivo, dramático, medroso, etc.); gesticulação (ausência ou exagero); motilidade – 
toda a capacidade motora (inquieto, imóvel, incapacidade de manter-se em um determinado local); deambulação – 
modo de caminhar (tenso, elástico, largado, amaneirado, encurvado, etc.). 
Ex: “Sua mímica é ansiosa, torce as mãos ao falar, levando-as à boca para roer as unhas...” ou “Seu gestual é 
discreto...”. 
c. Atitude para com o entrevistador: cooperativo, submisso, arrogante, desconfiado, apático, superior, irritado, 
indiferente, hostil, bem-humorado, etc. 
Ex: “Mostra-se cooperativo, mas irrita-se ao falar de sua medicação...”. 
d. Atividade verbal: normalmente responsivo às deixas do entrevistador, não-espontâneo (tipo pergunta e resposta), 
fala muito, exaltado ou pouco e taciturno. 
Ex: “É normalmente responsivo às deixas do entrevistador, mas torna-se hostil quando algo é anotado em sua ficha...”. 
2.	Consciência 
 Não se trata de consciência como capacidade de ajuizar valores morais, mas, sim, num sentido amplo, uma 
referência a toda atividade psíquica, ou seja, é a capacidade do indivíduo de dar conta do que está ocorrendo dentro e 
fora de si mesmo. 
 Consciência, aqui, será a indicação do processo psíquico complexo, que é capaz de integrar acontecimentos de um 
determinado momento numa atividade de coordenação e síntese. Na prática, a consciência se revela na sustentação, 
coerência e pertinência das respostas dadas ao entrevistador. 
 A clareza dessa consciência é traduzida pela lucidez. Quando o paciente está desperto, recebendo e devolvendo 
informações do meio ambiente, ele está lúcido, não importando, para esta classificação, o teor de sua integração com o 
meio. 
 Os distúrbios da consciência geralmente indicam dano cerebral orgânico. As informações sensoriais chegam 
amortecidas ou nem chegam à consciência. 
 Os estados de rebaixamento da consciência podem ser: rebaixamento ou embotamento, turvação ou obnubilação 
(que é um rebaixamento geral da capacidade de perceber o ambiente) e estreitamento (perda da percepção do todo 
com uma concentração em um único objetivo paralelo à realidade (ex. estados de hipnotismo e sonambulismo). 
 Cabe ao entrevistador avaliar o grau de alteração da consciência, observando se o paciente faz esforço para manter 
o diálogo e levar a entrevista a termo, se a confusão mental interfere na exatidão das respostas, que se fazem com 
lentidão, ou se o paciente chega mesmo a cochilar, adormecer no curso da entrevista. 
 O paciente que exibe estado alterado da consciência, com freqüência mostra algum prejuízo também de 
orientação, embora o contrário não seja verdadeiro. 
 Exemplo de como descrever paciente lúcido nas entrevistas: “Paciente apresenta-se desperto durante as 
entrevistas, sendo capaz de trocar informações com o meio ambiente...”. 
3.	Orientação 
 Pode-se definir orientação como um complexo de funções psíquicas, pelo qual tomamos consciência da situação 
real em que nos encontramos a cada momento de nossa vida. 
 A orientação pode ser inferida da avaliação do estado de consciência e encontra-se intimamente ligada às noções 
de tempo e de espaço. 
 Em geral, o primeiro sentido de orientação que se perde é o do tempo, depois o do espaço, que envolve 
deslocamento e localização e, num estado mais grave, a desorientação do próprio eu (identidade e corpo). 
 
 A orientação divide-se em: 
a. Autopsíquica: paciente reconhece dados de identificação pessoal e sabe quem é; 
b. Alopsíquica: paciente reconhece os dados fora do eu; no ambiente: 
- Temporal: dia, mês, ano em que está; em que parte do dia se localiza (manhã, tarde, noite); 
- Espacial: a espécie de lugar em que se encontra, para que serve; a cidade onde está; como chegou ao consultório; 
- Somatopsíquica: alterações do esquema corporal, como, por exemplo, os membros fantasmas dos amputados, 
negação de uma paralisia, a incapacidade de localizar o próprio nariz ou olhos... 
Ex: “Sabe fornecer dados de identificação pessoal, informar onde se encontra, dia, mês e ano em que está...”. 
4.	Atenção 
 A atenção é um processo psíquico que concentra a atividade mental sobre determinado ponto, traduzindo um 
esforço mental. É resultado de uma atividade deliberada e consciente do indivíduo – foco da consciência – a fim de 
inserir profundamente nossa atividade no real. 
 Essa energia concentrada sobre esse foco está intimamente ligada ao aspecto da afetividade. Destaca-se aí a 
vigilância (consciência sem foco, difusa, com atenção em tudo ao redor) e a tenacidade (capacidade de se concentrar 
num foco). O paciente não pode ter essas duas funções concomitantemente exaltadas (o paciente maníaco, por 
exemplo, é hipervigil e hipotenaz), porém, pode tê-las rebaixadas, como no caso do sujeito autista, esclerosado ou 
esquizofrênico catatônico. 
 Investiga-se assim: 
- atenção normal: ou euprossexia; normovigilância; 
- hipervigilância: ocorre num exagero, na facilidade com que a atenção é atraída pelos acontecimentos externos; 
- hipovigilância: é um enfraquecimento

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.