DA CRISE DO 2º REINADO À PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

Disciplina:História do Direito Brasileiro2.360 materiais101.209 seguidores
Pré-visualização4 páginas
de ensino, as limitações do sistema representativo.

Uma pequena parcela de adeptos do regime republicano defendia que a República deveria se estabelecer a partir de uma revolução popular, enquanto que a maioria dos republicanos compartilhava da opinião de Quintino Bocaiúva de que a transição de um regime para outro (ou seja, a transição da Monarquia para a República) deveria se dar de forma pacífica, preferencialmente após a morte de D. Pedro II.

A base social do republicanismo nas cidades era formada primordialmente por profissionais liberais e por jornalistas, além da influência que as idéias republicanas exerceram sobre os militares do Exército – a Marinha se mostraria mais refratária aos ideais republicanos.

*
*

 Os republicanos no Rio de Janeiro ligavam a República a uma representação mais efetiva dos cidadãos, aos direitos e garantias individuais, à federação e ao fim do regime escravista.

Em São Paulo, o movimento republicano se constituiu em bases mais conservadoras e em 1873 foi fundado o Partido Republicano Paulista cujos quadros eram formados, majoritariamente, por membros da burguesia cafeeira

O republicanismo paulista se diferenciava daquele que existia no Rio de Janeiro pela maior ênfase dada à idéia de federação, ao mesmo tempo em que demonstrava menor interesse pelo tema das liberdades civis e políticas, assim como evitou tomar uma posição clara a respeito da escravatura e de sua extinção até às vésperas da Abolição.

 Em São Paulo, na cidade do Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o movimento republicano encontrou terreno fértil para seu crescimento. Em outras áreas, a evolução do republicanismo foi mais difícil. No Amazonas, não se organizou um partido republicano enquanto durou a Monarquia. Na Bahia, o Manifesto Republicano teve pouquíssima repercussão. Na Paraíba, inexistiu um partido republicano até o fim da Monarquia. O Ceará só teria seu partido republicano em 1887. No Maranhão, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte e na Província do Rio de Janeiro só se organizaram partidos republicanos após o fim da escravidão. No Rio Grande do Sul, em 1882, organizou-se o partido republicano com forte viés federalista e em Santa Catarina, em 1885. No Paraná, os republicanos não ultrapassaram a fase de formação de clubes.

*
*

A QUESTÃO RELIGIOSA, A QUESTÃO MILITAR E A QUEDA DA MONARQUIA
 Na década de 1870, as relações entre o Estado brasileiro e a Igreja se tornaram tensas. A origem deste conflito pode ser encontrada nas diretrizes emanadas do Vaticano (pontificado de Pio IX) a partir de 1848, quando então o papa tratou de reafirmar o predomínio espiritual da Igreja no mundo – em 1870, o poder do papa foi reafirmado quando um Concílio Vaticano proclamou o dogma da INFALIBILIDADE DO PAPA.

No Brasil, a política do Vaticano incentivou uma atitude mais rígida dos padres em matéria de disciplina religiosa, ao mesmo tempo em que passaram a reivindicar uma autonomia maior perante o Estado – o conflito surgiu quando Dom Vital, bispo de Olinda, seguindo determinações do papa, decidiu proibir o ingresso de maçons nas irmandades religiosas.

 Dom Vital foi tratado como “funcionário rebelde” e foi preso, ocorrendo logo depois o mesmo com outro bispo – o conflito se amainou com a substituição do gabinete do Visconde do Rio Branco (que era maçom), com a anistia dos bispos e com a suspensão, pelo papa, das proibições aplicadas aos maçons.

 Esta crise se entrelaçou com os levantes ocorridos no Nordeste por força da Revolta do Quebra-Quilos e da Lei de Recrutamento Militar, o que causou grande desgaste da imagem da Monarquia perante a população do interior do Nordeste.

*
*

 Antes da Guerra do Paraguai, algumas críticas contra o governo imperial já estavam sendo feitas por oficiais do Exército. Tais críticas diziam respeito tanto a questões específicas da corporação (como por exemplo, critérios de promoção), como a outras mais gerais referentes à situação do país – os militares mais jovens defendiam o fim da escravidão e maior atenção do governo à educação, à indústria e à construção de estradas de ferro.

Com a reorganização da Academia Militar, transferida para a praia Vermelha em 1858 e após a Guerra do Paraguai, o Exército se reforçou como corporação – A Escola Militar da Praia Vermelha acabou se convertendo e um centro de estudos de matemática, de filosofia e de letras e foi no seu ambiente que os ataques ao governo passaram a se dirigir para o próprio regime monárquico e a idéia de República ganhou terreno, influenciada em parte pelo POSITIVISMO que, a partir de 1872, teve grande aceitação, quando Benjamin Constant se tornou professor da Escola Militar.

 A partir de 1883, vários desentendimentos surgiram entre o governo, deputados e oficiais do Exército, dentre os quais, um dos mais expressivos, foi o que ocorreu com o tenente-coronel Sena Madureira que, na condição de comandante da Escola de Tiro do Rio de Janeiro, convidou um dos jangadeiros que havia participado da luta pela abolição da escravidão no Ceará, a visitar a Escola – o oficial foi punido com sua transferência para o Rio Grande do Sul e com isso ele publicou um artigo no jornal Republicano “A Federação”, narrando o episódio, o que acirrou os ânimos.

*
*

 Vários outros casos chegaram aos jornais gerando polêmicas o que levou o ministro da Guerra a assinar uma ordem proibindo os militares de discutir questões políticas ou da corporação pela imprensa.

Os oficiais sediados no Rio Grande do Sul protestaram contra a proibição do ministro e Deodoro da Fonseca, presidente da Província do Rio Grande do Sul, se recusou a punir os oficiais envolvidos em polêmicas e debates pela imprensa – por fim surgiu uma solução conciliatória, favorável aos militares.

 Em 1887 foi organizado o Clube Militar como uma associação permanente de defesa dos interesses dos militares e Deodoro foi eleito presidente do Clube – neste mesmo mês de fundação do Clube Militar (junho de 1887), Deodoro solicitou ao Ministro da Guerra que isentasse o Exército da função de caçar escravos fugidos e apesar da recusa do ministro, o Exército, na prática, não mais desempenhou esta atividade.

 A insatisfação militar e a propaganda republicana cresciam e em junho de 1889 os ânimos se acirraram quando um novo gabinete liberal, sob o comando do Visconde de Ouro Preto, nomeou para a presidência da província do Rio Grande do Sul um inimigo pessoal de Deodoro: Silveira Martins.

*
*

 Reuniões entre líderes republicanos paulistas e gaúchos e militares com o objetivo de derrubar a Monarquia vinham acontecendo desde 1887 – em 11 de novembro de 1889, importantes figuras do cenário político e militar (Rui Barbosa, Benjamin Constante, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva) reuniram-se com Deodoro da Fonseca, tentando convencê-lo a liderar um movimento contra o regime monárquico – apesar da resistência de Deodoro, ele acabou por decidir-se a participar de um movimento que, a princípio, deveria tão somente derrubar o gabinete de Ouro Preto.

Em 15 de Novembro de 1889, Deodoro assumiu o comando da tropa e se dirigiu para o Ministério da Guerra, onde se encontravam os líderes monarquistas – segue-se um episódio confuso, não se sabendo ao certo se Deodoro proclamou a República ou apenas considerou derrubado o ministério de Ouro Preto, mas, de qualquer forma, no dia seguinte, dia 16/11/1889, a queda da Monarquia estava definida.

*

*