O DIREITO NA REPÚBLICA VELHA

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AULA 6 – 2ª PARTE - O DIREITO NA REPÚBLICA VELHA
A proclamação da República como um golpe militar, os tensionamento políticos nos primeiros anos da República, o Código Penal de 1890, a Constituição de 1891 (seu perfil político-ideológico e principais aspectos da organização do Estado Brasileiro), a República Oligárquica, o Código Civil de 1916, a crise da República Velha.

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AS INCERTEZAS DOS PRIMEIROS TEMPOS DA REPÚBLICA...
Os primeiros tempos posteriores à Proclamação da República foram de grande incerteza. O “15 de novembro”, um episódio, a princípio, pacífico, fez com que emergissem uma multiplicidade de posições e de interesses.
Isto significa dizer que os diversos grupos que apoiavam a substituição da Monarquia pela República tinham interesses diversos e claramente divergiam em suas concepções de como o Estado Republicano deveria ser organizado.
Tal situação ficou ainda mais complicada com a passagem do comando do movimento para as mãos de um oficial-general do Exército, conservador, amigo do imperador e que pretendia, na verdade, derrubar o gabinete do Visconde de Ouro Preto.

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De acordo com o historiador José Murilo de Carvalho, podiam ser identificadas três correntes distintas dentro do movimento republicano:
A corrente formada por políticos civis e “históricos” (o Partido Republicano Paulista e os políticos se apresentavam como representantes de um liberalismo de inspiração norte-americana).
A corrente positivista (predominante no Rio Grande do Sul e que se apresentava como a expressão política de grupos civis de perfil autoritário).
Os militares (que não se constituíam como um grupo homogêneo, havendo rivalidades entre o Exército e a Marinha e entre os partidários de Deodoro e de Floriano Peixoto).

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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES...
Apesar da profunda rivalidade existente dentro do Exército entre os partidários de Deodoro da Fonseca e de Floriano Peixoto, eles se aproximavam em um ponto fundamental: eram porta-vozes de uma instituição (o Exército) que fazia parte do “aparelho do Estado”.
Os oficiais do Exército, em virtude das características de suas funções e da cultura institucional que os havia configurado, mostravam-se, majoritariamente, avessos ao liberalismo.
A República, segundo a “vertente militar”, deveria ser dotada de um Poder Executivo forte ou deveria passar por uma fase de DITADURA. A autonomia das províncias (ou estados) era vista com reserva pelo Exército porque serviria aos interesses dos grandes poderes locais

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Em seu primeiro pronunciamento, no dia 15 de novembro o Governo Provisório que se instalava naquele momento prometia e garantia, “por todos os meios a seu alcance”, a todos os habitantes do Brasil, nacionais e estrangeiros, a segurança da vida e da propriedade, o respeito aos direitos individuais e políticos, com ressalvas que fossem exigias pelo bem a Pátria e pela defesa do Governo que havia sido proclamado pelo povo, pelo Exército e pela Armada Nacional.
Por este pronunciamento ficavam abolidos o Conselho de Estado e a vitaliciedade do Senado e dissolvia-se a Câmara dos Deputados. Por outro lado, as funções da justiça comum, da administração civil e militar, continuariam a ser exercidas pelos órgãos até então existentes, assim como, com relação às pessoas, respeitar-se-iam todas as vantagens e direitos adquiridos por cada funcionário.
O Governo Provisório se comprometia também a reconhecer e acatar todos os compromissos internos e externos assumidos pelo regime monárquico.

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Assinaram este primeiro pronunciamento, esta primeira proclamação do Governo Provisório da recém-instalada República Brasileira no dia 15 de novembro de 1889, os seguintes membros:
Marechal Manoel Deodoro da Fonseca (alagoano da Cidade de Alagoas, atualmente Município de Marechal Deodoro): Chefe do Governo Provisório.
Aristides da Silveira Lobo (paraibano de Cruz do Espírito Santo – jurista e jornalista): Ministro do Interior.
Tenente-coronel Benjamin Constant Botelho de Magalhães (fluminense de Niterói): Ministro da Guerra.
Chefe de Esquadra, Eduardo Wandenkolk: Ministro da Marinha.
Quintino Bocaiúva (fluminense de Itaguaí - jornalista): Ministro das Relações Exteriores e interinamente da Agricultura, Comércio e Obras.

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Passados poucos meses, a composição do Governo Provisório se alterou:
 Rui Barbosa (baiano de Salvador – advogado e jornalista) que ocupava inicialmente a vice-chefia do Governo Provisório, foi substituído pelo General Floriano Peixoto (alagoano de Maceió) e passou a ocupar a pasta da Fazenda.
Manoel Ferraz de Campos Sales (paulista de Campinas – advogado e ex-deputado republicano no Parlamento do Império), ocupou a pasta da Justiça.
Quintino Antonio Ferreira de Souza Bocaiúva (fluminense de Itaguaí - jornalista), ocupou a pasta dos Negócios Estrangeiros.
Demétrio Nunes Ribeiro (gaúcho de Porto Alegre – educador, engenheiro, jornalista) – ocupou a pasta da Agricultura, interinamente ocupada, no início do Governo provisório, por Quintino Bocaiúva.

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OS PRIMEIROS PASSOS NO SENTIDO DA INSTITUCIONALIZAÇÃO DO NOVO REGIME...
Já nos primeiros dias que se seguiram à Proclamação da República, o Governo Provisório editou uma série de decretos através dos quais buscava a rápida institucionalização do novo regime.
O Decreto nº 1, de 15 de novembro de 1889, proclamava provisoriamente e decretava, como forma de Governo do Brasil (dos Estados Unidos do Brasil), a República Federativa, ao mesmo tempo em que estabelecia normas que deveriam reger os Estados Federais.
O Decreto nº 2, de 16 de novembro de 1889, previa a concessão de um montante de recursos de cinco mil contos de réis (5000$000) à família imperial, sem prejuízo das vantagens asseguradas ao chefe da dinastia deposta e de sua família, na mensagem do Governo Provisório desta data de 16 de novembro de 1889.

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O Decreto nº 3, de 16 de novembro de 1889, reduzia o tempo de serviço de algumas classes da Armada (recrutados e oriundos das escolas de aprendizes de marinheiros) para 09 anos e extinguia nela os castigos corporais.
O Decreto nº 4, de 19 de novembro de 1889, fixava os novos símbolos da Nação: bandeira, armas, selos e sinetes da República.
O Decreto nº 5, de 19 de novembro, assegurava assegurava a continuidade dos subsídios com que o ex-imperador sustentava, de seu bolso, necessitados, enfermos, viúvas e órfãos.
O Decreto nº 6, de 19 de novembro, estabelecia os critérios para o exercício do voto, incumbindo o Ministério da Justiça da expedição de instruções e da organização dos regulamentos para a qualificação e o para o processo eleitoral.
O Decreto nº 7, de 20 de novembro de 1889, dissolvia as Assembléias Provinciais e fixava as atribuições dos governadores dos Estados.

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O GOVERNO PROVISÓRIO E O PROCESSO CONSTITUINTE...
Em dezembro de 1889, foi criada uma comissão de cinco elementos para a elaboração de um anteprojeto da Constituição – membros da comissão: Saldanha Marinho (presidente da comissão), Américo Brasiliense de Almeida Melo (vice-presidente da comissão), Antonio Luís dos Santos Werneck, Francisco Rangel Pestana e José Antonio Pedreira de Magalhães Castro.
O decreto nº 510, de 22 de junho de 1890, além da convocação da futura assembléia constituinte (que deveria se instalar em 15 de novembro de 1890) e do estabelecimento das eleições constituintes para o dia 15 de setembro de 1890, trazia a “constituição dos Estados Unidos do Brasil” (na verdade, o projeto da constituição).

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A inépcia política e administrativa de Deodoro e alguns atos arbitrários seus, assim como a desconfiança em relação a suas intenções (possivelmente ditatoriais) levaram os partidários de um regime republicano de perfil liberal e federativo a apressarem a convocação da Assembléia Constituinte.
Em 15 de novembro de 1890, o Congresso Constituinte se instalou no antigo Palácio Imperial (na Quinta da Boa Vista) depois de uma série de sessões preparatórias realizadas entre os dias 04 e 14 de novembro no prédio do antigo Automóvel Club.
Após três meses de minucioso trabalho, de muitas