O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO

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Pereira de Vasconcellos e Rodrigues Torres, com um grupo de políticos (destacando-se Paulino Soares de Souza e Euzebio de Queiroz) que comporia o futuro Partido Conservador, revelava a nova direção política do país.

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 Apesar da vitória do REGRESSO nas eleições parlamentares e regenciais, as dificuldades enfrentadas pelo novo esquema de poder foram praticamente as mesmas daquelas enfrentadas por Feijó, o que acabou resultando na queda do gabinete de Vasconcellos em 16/04/1839.

 Com o agravamento da crise, a solução passou a ser o fim da Regência e os PROGRESSISTAS (que comporiam o futuro Partido Liberal), apesar de serem minoria, começaram a articular a antecipação da MAIORIDADE do Imperador que se daria em 23/07/1840, quando D. Pedro de Alcântara ainda não havia completado 15 anos (só o faria em 02/12/1840).

O projeto Regressista, além da implantação da Lei de Interpretação do Ato Adicional, propôs também uma revisão no Código de Processo Criminal, cuja lei revisora foi sancionada pelo Imperador em 03/12/1841.

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 No que consistiu a reforma do Código de Processo Criminal?

 Concentração de toda a estrutura judicial e policial nas mãos do governo central (do Ministro da Justiça, representando o Imperador).

“Esvaziamento” da importância do JUIZ DE PAZ, em favor da POLÍCIA.

 Implantação de CHEFIAS DE POLÍCIA na Corte e em cada capital de província, cujos titulares eram nomeados pelo Ministro da Justiça, escolhidos dentre desembargadores e juízes de direito.

 Criação de cargos de DELEGADO e SUBDELEGADO (indicados e subordinados diretamente aos Chefes de Polícia e nomeados, na Corte, pelo Ministro da Justiça e nas Províncias, pelos Presidentes das Províncias) nas paróquias e nos municípios os quais assumiram muitas das funções antes atribuídas ao JUIZ DE PAZ, inclusive com atribuições de promover o julgamento de pequenas causas criminais, passando assim a POLÍCIA, em alguns casos, a ter atribuições de INVESTIGAÇÃO, de PROMOÇÃO DO INQUÉRITO e de APLICAÇÃO DE SENTENÇAS DE PRONÚNCIA em certos crimes, já que o art. 95 da Lei de Interpretação do Ato Adicional aboliu o JURI DE ACUSAÇÃO – a instrução criminal passou a ser matéria de polícia e as províncias perderam competências em matéria policial que haviam sido instituídas pelo Ato Adicional.

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 A reforma do Código de Processo Criminal também aumentou os requisitos para a condição de JURADO:

Saber ler e escrever.
Ter renda mínima anual que variava de 200 mil a 400 mil réis, de acordo com o tamanho da cidade.

 Além disso, determinou-se que, todas as pessoas em viagem pelo Império deveriam portar passaporte, para evitar interrogatórios e possíveis expulsões.

 A obra centralizadora do REGRESSO contemplou também o restabelecimento do CONSELHO DE ESTADO em 23/11/1841 , por meio de projeto de Bernardo Pereira de Vasconcellos.

 Foi promovida também a reforma da Guarda Nacional, com a abolição do princípio eletivo, passando os oficiais a serem escolhidos pelo governo central ou pelos presidentes de províncias, AUMENTANDO-SE AS EXIGÊNCIAS DE RENDA PARA OS POSTOS DA GUARDA.

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IMPERADOR
MINISTRO DA JUSTIÇA
CHEFES DE POLÍCIA
PRESIDENTES DE PROVÍNCIAS
JUÍZES DE PAZ
ESTRUTURA JUDICIÁRIA E POLICIAL DO ESTADO MONÁRQUICO BRASILEIRO COM A REFORMA DO CÓDIGO DE PROCESSO CRIMINAL
COMANDANTES DA GUARDA NACIONAL
MAGISTRADOS (desembargadores, juízes de órfãos, juízes municipais, juízes de direito e substitutos)
DELEGADOS
SUBDELEGADOS
INDEPENDENTES DO PODER CENTRAL
Nomeava o Chefe de Polícia, os delegados e os subdelegados na Corte

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PRIMEIROS TRINTA ANOS DO SEGUNDO REINADO: IMPLANTAÇÃO E CONSOLIDAÇÃO NA PRIMEIRA DÉCADA (1840 A 1850) – APOGEU DO GOVERNO DE D. PEDRO II (1850 A 1870)
 A década de 1850 não balizou para a sociedade brasileira apenas a metade do século XIX. Foi um período em que uma série de medidas foram tomadas na tentativa de mudar a fisionomia do país, conduzindo-o no sentido daquilo que se entendia como modernidade.

 Por exemplo, durante o ano de 1850 verificou-se a promulgação do Código Comercial, da Lei Euzébio de Queiroz que extinguiu o tráfico de escravos da África para o Brasil, da Lei de Terras e centralizou-se a Guarda Nacional.

Deve-se lembrar ainda que, na segunda metade da década de 1850, foi concluída a Consolidação da Leis Civis, elaborada pelo advogado e jurista AugustoTeixeira de Freitas.

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O CÓDIGO COMERCIAL
 Foi implantado pela Lei nº 556 de 25/06/1850, cuja redação foi levada a cabo por uma comissão presidida pelo ministro da Justiça, Euzébio de Queiroz e por notáveis conservadores como José Clemente Pereira, Nabuco de Araújo, Francisco Inácio de Carvalho Moreira e Irineu Evangelista de Souza, futuro Visconde de Mauá.

Compunha-se de três partes:
 Do artigo 1º ao 455, o Código tratava do comércio em geral.
 Do artigo 456 ao 796, o Código tratava do comércio marítimo.
 Do artigo 797 ao 913, o Código tratava das quebras (falências).

O Código continha um anexo com o título “Da administração da justiça nos negócios e nas causas comerciais” que tratava da regulamentação da profissão de banqueiro e das operações bancárias, as condições dos contratos e obrigações mercantis (hipotecas, penhor mercantil), organização das companhias de comércio, das sociedades anônimas e das sociedades por comanditas.

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 O Código Comercial foi regulamentado pelos decretos 737 e 738 de 1850, sendo que este último decreto disciplinava o funcionamento dos TRIBUNAIS COMERCIAIS.

 Já o decreto 737 se constituiu como um verdadeiro Código de Processo Comercial , funcionando também como um Código de Processo Civil.

 Para muitos juristas, o decreto 737 se constituiu na mais sólida referência processualística do período imperial.

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LEI EUZÉBIO DE QUEIROZ
 Na primeira metade do século XIX, havia a crença, entre os círculos dominantes da sociedade brasileira, que “O Brasil é o café e o café é o negro”.

 Após a Independência, apesar da pressão inglesa de fazer com que o Brasil eliminasse o tráfico de escravos, a população livre como um todo acreditava que o fim do tráfico escravos traria o colapso para a sociedade brasileira – durante a década de 1820, o tráfico aumentou em relação à década anterior e a maior parte dos escravos importados foi encaminhada para as lavouras de café no Vale do Paraíba ou ficou no Rio de Janeiro.

 Em 1826, o Brasil firmou um tratado com a Inglaterra, pelo qual, três anos após a sua ratificação, o tráfico de escravos para o Brasil seria considerado ilegal, reservando-se a Marinha Inglesa o direito de inspecionar, em alto-mar, navios suspeitos de comércio ilegal - tal acordo deveria entrar em vigor em março de 1827, com eficácia a partir de março de 1830.

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 Uma lei de 07/11/1831 tentou pôr em andamento o tratado, com a previsão de penas severas para os traficantes, declarando livres todos os cativos que entrassem no Brasil após aquela data - tal lei se mostrou inócua, uma vez que, os traficantes de escravos não eram ainda malvistos na sociedade brasileira e as reformas descentralizadoras da Regência os favoreceram, visto os júris locais, dominados pelos grandes proprietários absolviam os pouco acusados que iam a julgamento (uma lei para “inglês ver”).

 Diante da inércia (na verdade, da impossibilidade prática e política) do governo brasileiro combater o tráfico de escravos de maneira efetiva, o Parlamento inglês aprovou em 1845 o SLAVE TRADE ACT (que no Brasil ficou conhecido como BILL ABERDEEN), proposto por George Hamilton Gordon, Lord Aberdeen (então ministro das Relações Exteriores do governo britânico), e que autorizava a Marinha Inglesa a tratar os navios negreiros como navios piratas, promovendo sua apreensão (tanto em alto-mar, como em águas territoriais brasileiras gerando alguns incidentes ao longo da costa, como por exemplo a troca de tiros entre um navio da Armada Inglesa e o Forte de Paranaguá, no Paraná) e levando os envolvidos para julgamento em tribunais ingleses – no Brasil, o Bill Aberdeen foi alvo de ataques com um certo conteúdo “nacionalista”.

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 Em setembro