O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO

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de 1848, subiu ao poder no governo brasileiro um gabinete conservador que, a partir de outubro de 1849 passou a ser presidido pelo Marquês de Porto Alegre, e que representava uma aliança de burocratas, magistrados e grandes fazendeiros fluminenses, ocupando o Ministério da Justiça, Eusébio de Queiros – partiria do Ministro da Justiça um projeto de lei, submetido ao Parlamento, para que se tomassem medidas eficazes contra o tráfico negreiro, reforçando a lei de 1831.

Por este projeto, o Brasil reconheceria os traficantes de escravos como piratas e tribunais especiais julgariam os infratores – tal projeto transformou-se em lei em setembro de 1850 e, desta vez, a lei “pegou”.

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DUAS QUESTÕES IMPORTANTES A RESPEITO DA EXTINÇÃO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS PARA O BRASIL: Quais os motivos que teriam levado a efetiva aplicação da lei de 1850 e o que mudou entre 1831 e 1850 para que isto tivesse acontecido?

 O incremento da pressão inglesa sobre o governo brasileiro.

Ao final da década de 1840, o mercado brasileiro encontrava-se bem abastecido de mão-de-obra escrava, em função da intensa importação de escravos realizada nas décadas anteriores.

A situação de muitos fazendeiros que tinham hipotecado suas terras para grandes traficantes, a maioria deles portugueses, que passaram a ser vistos com ressentimento.

O reforço do governo central, iniciativa dos conservadores, facilitou a tomada de medidas repressivas, destacando-se nesta tarefa homens como João Maurício Wanderley (futuro Barão de Cotejipe) e Nabuco de Araújo (ministro da Justiça entre 1853 e 1857).

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LEI DE TERRAS
 A Lei de Terras (Lei nº 601 de 18 de setembro de 1850), aprovada duas semanas após a extinção do tráfico de escravos, tentou colocar ordem no emaranhado existente em matéria de propriedade rural, determinando que, no futuro, as terras públicas (terras devolutas) não poderiam ser ocupadas por qualquer outro título que não o de COMPRA DO ESTADO EM HASTA PÚBLICA.

 Garantia-se os direitos dos ocupantes de terra por posse mansa e pacífica ocorrida a partir de 1822 (quando foi revogado o instituto de doação de sesmarias) e dos possuidores de sesmarias com empreendimentos agrícolas instalados até a data da promulgação da lei.

 Esta lei foi concebida como uma forma de evitar o acesso à propriedade da terra por parte dos futuros imigrantes, estabelecendo que as terras públicas deveriam ser vendidas por um preço suficientemente alto para que posseiros e imigrantes pobres fossem afastados.

Na verdade, a lei visava o favorecimento dos grandes fazendeiros preocupados em atrair o trabalho de imigrantes, para substituir a mão-de-obra escrava, impedindo que aqueles se tornassem pequenos proprietários.

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A CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS CIVIS DE TEIXEIRA DE FREITAS
 Proclamada a Independência, foi promulgada a Lei de 20 de outubro de 1823 que determinou vigorassem no Império do Brasil as Ordenações Filipinas, as Leis e Decretos de Portugal promulgados até 25 de abril de 1821, até que se publicasse um novo Código.

 A Constituição de 1824 expressou “a necessidade de se organizar, o quanto antes, um Código Civil e um Criminal, fundado nas sólidas bases da Justiça e da Eqüidade” - em 1830 e 1850 foram promulgados os Códigos Criminal e Comercial, respectivamente.

Para a legislação civil, adotou-se outro critério, o de aperfeiçoá-la em duas fases distintas: primeiro, seria feito o levantamento e a consolidação de toda a legislação vigente até ali (“formar um novo corpo, mas de direito já vigente”); a seguir, com o auxílio do que fora feito, seria elaborado o texto do novo Código Civil (“formar um corpo novo de direito novo”).

 Em 15 de fevereiro de 1855, o Governo, representado pelo então Ministro da Justiça, José Tomás Nabuco de Araújo, celebrou contrato com o advogado Augusto Teixeira de Freitas, a quem foi concedido o prazo de cinco anos para a realização da tarefa.

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 A Consolidação (que foi publicada em 1857) foi o verdadeiro Código Civil do Brasil durante mais de meio século (até 1917, quando entrou em vigor o Código Civil Brasileiro, sancionado em 1º de Janeiro de 1916).

Depois de haver realizado com pleno êxito a tarefa de elaborar a Consolidação das Leis Civis do Império, em 1859, Augusto Teixeira de Freitas foi contratado pelo governo imperial para elaborar o primeiro anteprojeto, mas o trabalho foi por ele abandonado em 1867, o que pode ser atribuído ao conflito entre as idéias de Teixeira de Freitas (que entendia que o Código Civil deveria abordar Direito Civil e Comercial)e as intenções do governo imperial (que entendia que o Código deveria abordar aspectos da legislação civil não incluídos no Código Comercial) a respeito dos temas que deveriam compor o Código Civil.

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