Dir Civil II - Semana 1
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Dir Civil II - Semana 1

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à
natureza do negócio. Vale ainda ressaltar o fortalecimento dos direitos dos
adquirentes, em caso da existência de vícios redibitórios, ampliando-se os
prazos decadenciais para o ajuizamento das ações edilícias, o que aproxima o
Código Civil do direito consumerista. Parece-nos
indispensável observar, quanto à este aspecto, que se
estabeleceu louvável e necessária simetria entre o Código Civil e o de Defesa
do Consumidor, que, agora, se completam, unificando os regimes de proteção da
parte contratual mais vulnerável. Percebe-se que o novo Código recepciona, e
com vigor, os princípios do dirigismo contratual, para equilibrar os contratos
em que uma parte é mais frágil que a outra, da transparência, da informação e
da boa-fé. Como se não bastasse, também se fortalece, no novo Código, a teoria do risco,
no que concerne à responsabilidade civil, consagrada no Código de Defesa do
Consumidor, afastando-se cada vez mais a obsoleta teoria da culpa provada,
que passa a ser a exceção, quando, antes, era regra geral. Ao contrário do que
muitos temiam, o Código do Consumidor não foi revogado, passando a interagir
com o Civil, criando agora um poderoso sistema de proteção do hiposuficiente. Outras leis especiais, já bem recepcionadas
pela sociedade, e que disciplinam, com eficiência, seus respectivos mercados,
como a Lei do Inquilinato, também foram preservadas, não se tornando o Código
uma lei exaustiva, a regular todo o direito privado, e permitindo a manutenção
de micro-sistemas, mais ágeis e flexíveis, que possam acompanhar as rápidas
mutações econômicas e as turbulências políticas. Notável conquista representa o
novo capítulo que disciplina o regime jurídico dos contratos preliminares,
destacando-se o artigo 464, que permite ao juiz, a pedido do interessado,
suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo à
promessa, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação. O velho dogma da
imutabilidade dos contratos resulta temperado, com a adoção, ainda que tardia,
da teoria da onerosidade excessiva, que assegura a qualquer das partes pedir a
resolução ou a modificação do contrato que, por motivos imprevisíveis, tiver rompida a sua base econômica, causando insuportável
prejuízo a um dos contratantes. Neste particular, vale a pena ressaltar que se
estabelece a diferença entre a lesão, a que se refere
o artigo 157, e a onerosidade excessiva, de que trata o artigo 478. A primeira
traduz vício de consentimento, defeito do negócio jurídico, sendo antecedente à
sua celebração, conduzindo à anulação do contrato. Verifica-se quando alguém,
aproveitando-se da premente necessidade de outrem, ou de usa inexperiência, lhe
impõe uma prestação desproporcional à contraprestação. A onerosidade excessiva,
ao contrário, é sempre superveniente ao nascimento do contrato, decorrente de
fatos extraordinários e imprevisíveis, que rompam a sua base econômica, não
constituindo um vício de vontade, e trazendo, como conseqüência, o direito de
resolver ou modificar o pacto. A rápida circulação dos contratos, exigência de
uma economia cada vez mais célere e sofisticada, e antes tão dificultada, pela
exacerbada aplicação do princípio da relatividade, agora se viabiliza, com a
adoção de figuras novas, como a do contrato com pessoa a declarar (artigos 467
a 471), no qual a parte se reserva o direito potestativo
de, em certo tempo, indicar uma outra pessoa que virá substituí-la na relação
contratual, sub-rogando-se em todos os seus direitos e deveres. Na disciplina
dos contratos em espécie, e em decorrência da unificação das obrigações civis e
comerciais, passaram a figurar modelos que antes se aninhavam no Código
Comercial, como, por exemplo, os contratos de comissão, agência e distribuição,
corretagem e estimatório, ampliando o campo dos
contratos típicos. Como se pode perceber, do apertado resumo que procuramos
fazer, as relações obrigacionais resultam, no novo Código, muito mais éticas e
efetivas, permitindo a construção de um modelo que realize uma função social.
Em inúmeros dispositivos se percebe, claramente, a já referida técnica das
cláusulas abertas, o que confere muito maior responsabilidade aos magistrados,
QUE terão que fixar os seus limites e consolidar os conceitos enunciados. Foi
por isto que o Professor Miguel Reale, coordenador do
projeto, afirmou que o Código está, a gora, na mão dos juízes, que deixam de
ser, apenas, a “boca da lei”, para exercer uma função efetiva de realização e
distribuição da justiça. De nada adiantarão as mudanças, frustrando-se as
justas expectativas da sociedade, se o Judiciário não interpretar o Código
segundo os ideais que o inspiraram, aplicando-o com coragem e fidelidade, o que
lhe permitirá cumprir o seu redentor papel de reformador social. Este novo
tempo, que emerge do Código Civil, exigirá também um novo Poder Judiciário, com
maior liberdade de atuação, inclusive política, modernizado pelas conquistas
tecnológicas, livre de ingerências externas, e integrados por juízes que se sintam
comprometidos com a função social do direito. O Judiciário fluminense não só
está preparado para o desafio, como certamente o vencerá!” Texto
confeccionado por Sylvio Capanema de Souza. Distinção
entre obrigação e responsabilidade. Pode haver obrigação sem responsabilidade:
ex. débitos prescritos. Assim como pode haver responsabilidade sem obrigação:
ex. fiador, que pagará a dívida somente em caso de inadimplemento. A obrigação,
do latim obligatio (ob+ ligatio),
que significa ação de prender, deriva do verbo obligare
(atar, ligar, vincular). A obrigação não se confunde com: sujeição, ônus e
dever jurídico. A sujeição tem o significado de obediência. Ex. um direito potestativo (que significa a impossibilidade de uma pessoa
em não cumprir um determinado comando): a existência de um prédio encravado e o
direito de o proprietário desse bem obter uma passagem forçada (art. 1.285 CCv), o direito de o locador despejar o locatário (arts. 59 e 60 da Lei 8.245/91). Portanto, nos exemplos
dados (direitos potestativos), há a sujeição e não a
obrigação daquele que se encontra na situação passiva. Ônus, por sua vez, é a
necessidade de seguir uma dada conduta em benefício próprio, como, verbi gratia, o ônus da prova
(art. 333, do CPC). O dever jurídico, no entanto, é a
necessidade de todos no cumprimento dos comandos legais, sob pena de sanção. Aí
vem a diferenciação da obrigação com as figuras acima expostas (sujeição, ônus
e dever jurídico), pois ela caracteriza-se e diferencia-se diante do fato de
uma determinada pessoa se encontrar obrigada a realizar uma certa conduta no
interesse de outra, denominada prestação (determinada no negócio jurídico). A
obrigação é um efeito jurídico e como tal sempre possui um fato que lhe dá
origem. Dos fatos jurídicos nascem as obrigações. Daí, do fato, a fonte da
obrigação. Para efeitos didáticos, as fontes das obrigações seriam as
seguintes: os negócios jurídicos bilaterais (contratos), de que trata os arts. 104 e segs. Do CCv/2002;
atos jurídicos unilaterais (arts. 854 e segs. do CCv/2002 - promessa de recompensa (arts.
854 e segs.), gestão de negócios (arts. 861 e segs.),
pagamento indevido ( arts.
876 e segs.) e enriquecimento sem causa (arts. 884 e
segs.); atos ilícitos (arts. 186/188 do CCv); e a lei. Portanto, a afirmativa de que a única fonte
das obrigações são os fatos jurídicos procede, pois se um fato está previsto
legalmente e tem o condão de criar efeitos obrigacionais, ele passa a ser um
fato jurídico. A lei é considerada fonte obrigacional por ser possível dar a um
fato conseqüências jurídicas, mediante a criação de uma norma, que poderá criar
uma nova relação obrigacional. A obrigação, pois, é sempre um dever jurídico
originário.

 

APLICAÇÃO PRATICA TEÓRICA - CASO CONCRETO 1

“- Saiba o senhor que o ordenamento civil obrigacional
brasileiro não dispõe de norma específica reguladora do denominado adimplemento
ruim. O art. 422 de nosso Código Civil, porém, ao estabelecer as normas gerais
sobre contraltos dispõe: “Os contrantes
são obrigados a guardar,