Clinica Eqüinos 21-2
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Clinica Eqüinos 21-2

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Clinica Eqüinos 21/03 – 2ª Parte

- Colite

O que a gente tem, olha só, alterações teciduais, secreções de fluidos, estas podem ser ativas e passivas, na ativa eu vou ter fluidos sendo secretados por conta das enterotoxinas e tbm por conta de grandes volumes de água e eletrólitos que ficam retidos no tubo intestinal. Nas secreções passivas eu tenho aumento da permeabilidade, danos a matriz intersticial e eu tenho secreção rica em proteínas em algumas situações, a partir do momento que eu aumento a permeabilidade eu vou ter perda de proteína para a luz intestinal, a partir do momento que eu tenho quadro de diarréia eu tenho que avaliar a hipoproteinemia. Olha a importância disso, se eu tenho um animal em um quadro de hipoproteinemia pensa que eu não posso repor fluidos em grandes qtds, eu preciso repor a proteína plasmática primeiro para depois fazer a reposição dos fluidos, reponho com albumina, plasma intravenoso.
Com relação aos danos nos tecidos eu vou ter danos de mucosa e submucosa, na mucosa com relação a toxinas enteropatogenicas, células e mediadores inflamatórios, a partir do momento que eu tenho uma lesão vou ter um aporte celular, então eu tenho agressão dessa mucosa, eu vou ter um aporte inflamatório, um aporte celular, sanguíneo maior. Na submucosa, mantém esse aumento de permeabilidade capilar a partir do momento que eu tenho dano, aporte de células inflamatórias, danos a matriz e a formação de edema justamente pelo processo inflamatório. Eu posso ter isso td acontecendo por conta das agressões bacterianas, por conta de lesão viral (ex. enterite viral), lesões parasitárias tbm que a gente vai falar mais para frente. Aqui uma imagem normal e aqui a gente tem até perda de tecido chegando quase que na submucosa.	
As causas envolvidas, salmonela, clostridium, neorickettsia, parasitas e outras causas infecciosas, ai eu posso ter as causas virais, rodococcus na sua forma digestiva (tbm existe na forma respiratória). Intoxicações por antibióticos, trimetoprim/sulfa, eritromicina, as tetraciclinas, antiinflamatórios como a fenilbutazona, aine.
Sobre os sinais clínicos, eles podem ser agudos e crônicos. Os agudos, diarréia copiosa, fétida, e pode ser hemorrágico, dependendo da causa e da extensão da lesão eu posso ter hemorragia, por ex. as rickettsias. Vamos ter leucopenia com desvio a esquerda degenerativa, podemos ter febre, desidratação, alterações cardiovasculares relacionados aos casos que eu tenho hemorragia intensa, hipoproteinemia progressiva, perda de proteína pela luz intestinal pelo aumento da permeabilidade, distúrbios hidro- eletrolíticos e acido-base, insuficiência renal. Já nos casos crônicos, diarréia moderada, perda de peso e mal desempenho, se a minha diarréia é crônica é por incapacidade de absorção e por um aumento dessa velocidade do transito intestinal. Olha la, um potrinho, geralmente o aspecto é perda de pelo, secreção, “fica assado”, esse morreu por rodococcus.

Especificamente falando de cada uma, algumas mais importantes.

-Salmonela: E a causa mais comum de colite infecciosa em cavalos

adultos, pq são muitos sorotipos, ex. S. typhimurium, S. agona, S. krefeld, S. anatum, por serem muitos sorotipos podemos ter salmonela em qualquer lugar. Alguns sorotipos são mais comuns em certas áreas. O que precisamos saber é se é uma salmonela, o sorotipo é outra história, eles vão agir quase todos da mesma forma. Os cavalos eles vão eliminar salmonela de qualquer maneira, lembrem-se existe uma flora em equilíbrio, essa flora normal não permite que essa salmonela fique ativa, ela é oportunista, qualquer alteração que eu tenha, stress, nem só alterações do sistema imunológico, por ex. ph, então qualquer alteração que eu tenha vai fazer com que esse desequilíbrio mate a flora normal, e a flora patológica, antes inativa se ative e com isso se desenvolva. A infecção é onipresente, em 1 a 5% de cavalos normais eliminam (cultura fecal) salmonela na forma inativa, pois ela esta presente na flora normal mesmo que na forma assintomática, 17% dos cavalos normais eliminam pq foi observado a partir do PCR, não existe nenhum tipo de Salmonella adaptado a eqüinos elas ficam na forma inativa e só vão “acordar” qd as condições forem propícias, os cavalos portadores assintomáticos eliminam pequenas quantidades nas fezes(103/g), nos casos clínicos eliminam grandes quantidades (106-109/g). É contagiosa, precisamos isolar o paciente. E os fatores de risco, então vai depender da virulência da cepa, existem cepas mais e menos virulentas, o número de bactérias presentes, susceptibilidade: com uma terapia antimicrobiana que o cavalo esta sendo submetido eu posso predispor ao desenvolvimento de uma salmonela, alterando a flora normal; cólicas e doenças gastrointestinais, após a cólica ele pode ter uma diarréia intensa, alterando o equilíbrio da flora normal; stress, transporte, exercício extenuante, hospitalização, então todas essas situações podem alterar a flora bacteriana normal e com isso o desenvolvimento da salmonela. Então como ela vai fazer isso? A partir do momento que elas se ativam começam a liberar toxinas, elas vão produzir, se reproduzir, formar as suas colônias e produzir suas toxinas, fazem um estrago e tanto, são as enterotoxinas que vão direto ativar a secreção de fluidos, as citocinas vão agir direto no tecido, causando dano celular, a partir daí vão pros linfonodos, pro sangue e causam um quadro de endotoxemia. Prognóstico e complicações, os que não fazem alta celestial melhoram em um prazo de uma semana a 10 dias, a melhora é gradativa ao longo do tratamento, os que fazem alta celestial são aqueles que vc tem esses processos e msm com o tratamento não melhoram, diarréia e toxemia por mais de 10 dias, a laminite nesses casos não é comum, pode ocorrer infarto do cólon, tromboembolismo séptico e colonização de outros órgãos. Diagnóstico: cultura de fezes, tem que ter enriquecimento de meio para o crescimento com selenito, amostras grandes, então pra eu tentar isolar das fezes a salmonela eu tenho que ter muita quantidade de fezes, outra opção é o PCR, ele é altamente sensível mas pouco específico, detecta DNA de organismos mortos, podemos acompanhar com o exame de sangue, dosando fibrinogênio para saber se esta acontecendo uma resposta imunológica a aquela infecção e a dosagem da proteína total por causa da hipoproteinemia. Tratamento: tratamento para diarréia normal, antiinflamatórios, reposição hidroeletrolítica, plasmaterapia, alimentação parenteral, outra coisa importante em potro é repor energia com um soro glicosado. Antimicrobianos pq é controverso?! Como a gente tem muitos sorotipos a resposta que a gente tem in vitro não é a mesma resposta que a gente tem in vivo, então as vezes os antibióticos funcionam bem in vitro e não in vivo. Se o animal estiver imunodeprimido eu nunca vou utilizar bacteriostático, isso acaba sendo comum em potros, qd a gente chega ela já esta imunodeprimido então fazer um antibiótico bactericida pq se não eles não conseguem eliminar as bactérias. Prevenção da salmonelose, higiene e prevenção daquelas situações que predispõem o desenvolvimento da salmonela, os tratamentos com antibiótico por exemplo, instalações e ambientes são importantes pq justamente existem cavalos que eliminam a salmonela, higiene dos tratadores, eliminação de roedores e aves; outra condição diminuição do stress, cuidados no transporte, excesso de calor, stress altera o ph e acaba tendo alteração dessas bactérias patogênicas.