PORTUGAL E BRASIL NO SÉCULO XVIII

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1750 a 1777.
o de Dª Maria I – de 1777 a 1816.

 Ao longo destes três reinados, foram implementadas várias reformas de natureza administrativa, fiscal e judicial e que se constituíram em tentativas de adaptação do Império Português aos novos tempos do século XVIII, o século do Iluminismo.

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O REINADO DE D. JOÃO V (DE 1707 A 1750)

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D. João V subiu ao trono português no momento em que a descoberta das minas de ouro e de diamantes caminhava para o seu apogeu.
A riqueza proveniente do ouro e dos diamantes brasileiros, durante seu reinado, proporcionou importantes mudanças em todos os aspectos da vida do reino português (político, econômico, administrativo, cultural).
Dando continuidade ao processo de centralização do poder político desenvolvido no reinado de seu pai, esvaziou o poder dos conselhos de nobres que haviam sido fortalecidos depois da Restauração em 1640, implementou novos impostos e reformou a administração política do governo, que ficou reduzido, a partir de 1736, a três secretários:
Secretário de Estado do Reino (que dirigia o gabinete, atuando como primeiro ministro).
Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra.
Secretário de Estado da Marinha e do Ultramar.

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D. João V estimulou várias reformas no campo cultural, já que era um admirador da Ilustração. Em tais reformas contou com o apoio de portugueses que haviam estudado ou vivido fora de Portugal (os estrangeirados).
Por outro lado, mostrou-se bastante pródigo em relação à Igreja Católica o que provocou um forte endividamento no final de seu reinado.
 Com relação ao Império Colonial, Portugal sofreu reveses definitivos na Ásia e teve sua posição muito reduzida na África, ao mesmo tempo em que definiu seu eixo de dominação imperial no Atlântico Sul.
No que se refere ao Brasil, verificou-se, durante o reinado de D. João V, um reforço e uma reestruturação do controle com medidas que intensificavam o monopólio comercial e com uma vasta legislação fiscal sobre as regiões mineradoras.

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Em 1702, foi criado o Regimento dos Superintendentes, Guardas-Mores e Oficiais Deputados para as Minas de Ouro, substituindo todas as cartas-régias anteriores, mantendo-se, porém, os princípios gerais do livre comércio e o do quinto do ouro extraído para o Tesouro Real.
Como inovação trazida pelo Regimento de 1702, tem-se a implantação da Intendência das Minas em todas as capitanias onde houvesse a extração do ouro – tal instituição era dotada de múltiplas funções, dentre elas, a manutenção da ordem fiscal e a repressão ao contrabando e encontrava-se subordinada diretamente à Metrópole.
Abaixo das Intendências encontravam-se as Casas de Fundição onde se deveria recolher, fundir e “quintar” todo o ouro extraído.
No que se referia ao Distrito Diamantino (os diamantes foram encontrados em Minas em 1729), sua administração seria realizada por um Regimento que procuraria isolar o distrito do resto da colônia, permitindo-se a entrada e a saída de pessoas somente com autorização escrita do intendente.

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O SÉCULO XVIII E A MUDANÇA DO EIXO DA DOMINAÇÃO IMPERIAL PORTUGUESA
A PRIMEIRA METADE DOS OITOCENTOS

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A mudança do eixo do poder imperial português em direção ao Atlântico Sul em virtude da deterioração de suas posições coloniais na Ásia e na África, representou também uma mudança no eixo do poder político e econômico na América Lusitana. Este “deslocamento” que já começava a se prenunciar nas últimas décadas do século XVII, tornou-se efetivo ao longo do século XVIII e marcou a ascensão do Rio de Janeiro à condição de centro político-administrativo da América Portuguesa.

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O Rio de Janeiro na primeira metade do século XVIII (I)
A situação estratégica do Rio de Janeiro no contexto do Império Português, ao longo do século XVIII, continuou dependeu fundamentalmente da própria dinâmica colonial e dos conflitos entre as potências européias;
Ao longo do século XVIII, o centro de gravidade político e econômico da América Lusitana foi se deslocando do Nordeste para o Sudeste – e o Rio de Janeiro, por decisão real, tornou-se a principal cidade dos domínios portugueses na América do Sul;
A elevação do status político e estratégico do Rio de Janeiro no âmbito da América portuguesa se deveu em grande parte:
à sua função militar, pois a partir do Rio de Janeiro os portugueses se voltaram para a colonização do sul e para o encetamento das hostilidades contra os espanhóis da região do Rio da Prata;
à descoberta do ouro em Minas Gerais.

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Nos primeiros tempos imediatamente posteriores à descoberta do ouro na região das minas, que somente seria separada da capitania de S.Paulo em 1720, o Rio de Janeiro que, geograficamente, encontrava-se deslocado da área de produção deste metal precioso, sofreu os inconvenientes desta descoberta.
A cidade sofreu com a atração exercida pela exploração do ouro sobre a mão-de-obra, uma vez que uma parcela considerável daqueles que trabalhavam nas lavouras nas regiões do entorno do recôncavo da Guanabara, abandonou suas atividades, para tentar a sorte na lavra do ouro.
Por outro lado, o boom da exploração aurífera provocou uma elevação significativa dos preços dos gêneros alimentícios e dos escravos, o que onerou bastante o custo de vida para os habitantes da cidade.

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Nos primeiros anos da exploração aurífera, o Rio de Janeiro ficou afastado dos dois caminhos que levavam à região das minas:
Entre as costas e a região do ouro, o caminho mais curto era o Caminho Velho, que podia ser alcançado a partir do pequeno porto de Parati;
O outro caminho, mais longo, era o que ligava Minas a Salvador através do vale do rio S. Francisco – era um caminho mais longo, porém a viagem era bem mais confortável, além do que, o porto de Salvador encontrava-se mais perto da Europa do que o Rio de Janeiro;
Os rebanhos de bois e os comboios de mulas que circulavam entre Minas e as cidades portuárias se valiam destes dois caminhos – a partir de 1705, a Coroa portuguesa mandou abrir o Caminho Novo, e preocupada com o contrabando, desenvolveu esforços em concentrar no Rio de Janeiro o escoamento do ouro, fechando os outros caminhos.

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O Rio de Janeiro na primeira metade do século XVIII (II)
O Caminho Novo “ampliou” o interior do Rio de Janeiro, que até a descoberta deste, limitava-se grandemente ao recôncavo (ao entorno da baía), acrescentando a seu perfil marítimo/atlântico uma função continental, o que deu ao Rio de Janeiro uma condição de vantagem definitiva sobre S.Paulo e Salvador nas relações com a região das minas.
Assim, a descoberta do ouro em Minas criou novas circunstâncias para a cidade – nesta etapa o Rio se tornou a porta de entrada para os sertões das minas, tornando-se seu porto freqüentado progressiva e intensamente por frotas de embarcações destinadas ao abastecimento dos mercados gerados pela nova área econômica.
Além do comércio gerado e estimulado pelas necessidades de abastecimento da região das minas, uma outra atividade econômica marcou o incremento econômico do Rio de Janeiro: o contrabando.

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Em virtude da novas circunstâncias que foram criadas para a cidade do Rio de Janeiro, tornou-se também uma presa atraente para as potências adversárias de Portugal.
O século XVIII iniciou-se para a Europa e para o continente americano sob a égide do confronto entre França e Inglaterra, confronto este, que apreendido no longo prazo, estendeu-se até o fim das Guerras Napoleônicas na primeira década do século XIX.
Logo no início do século XVIII, o Rio de Janeiro experimentou a repercussão deste conflito maior a que nos referimos acima, uma vez que a Guerra de Sucessão Espanhola (1701/1713), opôs Portugal à França, já que, em 1703, D.Pedro II, rei de Portugal, aliou-se à Inglaterra, através de um tratado político e de um tratado comercial (o tratado de Methuen) pelo qual os tecidos ingleses seriam isentos de imposto para entrarem em Portugal, enquanto que os vinhos portugueses teriam preferência em sua entrada no mercado inglês.
Por força do apoio da monarquia portuguesa às pretensões
KAREN GUERREIRO fez um comentário
  • Muito bom, ajudou bastante!
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