ok 28.02.11 clin equi
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ok 28.02.11 clin equi

Disciplina:Clínica Médica Veterinária De Equídeos12 materiais174 seguidores
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(ficam presos durante a noite, passam o dia no pasto), esses eventos acabam estando mais relacionados aos eventos de manejo clinico. Mas isso não quer dizer que eu não tenha também a campo os eventos em que eu preciso de um procedimento cirúrgico. Ex. intussuscepção, torção (por conta de gases, e o organismo tenta colocar pra fora e acaba torcendo). O evento que era clínico, que era apenas os gases, eu poderia manejar clinicamente, retirando o conteúdo todo, fazer com que esses gases se dissolvessem inteiros pelo organismo e ai seguindo o seu trato pra que agente consiga eliminar. E com isso diminuir esse estado de desconforto nele. Mas não, uma coisa levou a essa outra coisa, a torção é cirúrgico.
Temos que ter a sensibilidade, conhecimento, perspicácia, uma boa anamnese, uma anamnese bastante minunciosa e a verdade contada por quem toma conta do animal.

Condições intestinais. O abdome agudo pode ter uma origem:
Origem intestinal
Origem gástrica

O abdômen agudo intestinal eu posso ter:
Sem surgimento de peritonite
Com surgimento de peritonite
Peritonite: mata o cavalo em horas.

Deveria ter feito uma punção pra confirmar essa peritonite.
Se o proprietário falar pra vc tentar salvar, vc teria que fazer uma lavagem abdominal, ali não adianta antibiótico e nada, só a lavagem abdominal. Dentro do tratamento da peritonite vc tem os prós e os contras de fazer uma lavagem abdominal.

Vc tem as técnicas de se fazer, vc pode fazer por uma única abertura ventral, colocar conteúdo pra cima pra ir lavando e ai se tiver no começo vc pode até ter sucesso.
Numa extensão maior vc pode fazer 2 entradas pelo flanco, uma pra um lado e a outra pro outro e uma saída ventral, e com isso colocar uma sonda pra um lado e pro outro e soro pra dentro e deixar sair, deixar drenar, e ir lavando. Depois de conseguir lavar eu tenho 3 aberturas, ai eu posso contaminar, podendo virar uma bola de neve. O que agente observa é o estado de prostração dos animais nesse estado.

Cólica tromboembólica (Strongylus vulgaris)

A peritonite no eqüino é difusa. Então ela vai acontecer, e ai eu tenho muito a ver, se eu tenho uma cólica tromboembolia (Strongylus vulgaris), se eu tenho uma obstrução, eu tenho um comprometimento circulatório eu vou ter fragilidade de tecido e vou ter ruptura desse tecido. Quanto maior a ruptura, maior o extravasamento e mais rápido a peritonite vai se instalar.

Por isso que a cólica tromboembólica é muito grave, o Strongylus vulgaris é muito grave pro cavalo, porque mata e mata rápido, justamente por isso, ele altera o tecido por falta circulatória na região e ai vc acaba tendo essa tromboembolia e essa peritonite instalada.

As cólicas tromboembólicas estão diretamente relacionadas à migração das larvas do Strongylus vulgaris. E ai, essas cólicas tromboembólicas quando esses êmbolos (essas larvas) obstruem grandes vasos (ex. artéria mesentérica) o animal vai morrer.

OBS: Quando agente tem esses Strongylus vulgaris, as vezes eles vão migrar e podem obstruir (provocarem trombos) em pequenos vasos e ai vou ter pequenos focos de obstrução que vão gerar uma anastomose, ou seja, uma neocirculação (neovascularização), com isso vou ter pontos mortos na minha alça intestinal, se eu tenho pontos mortos, eu tenho uma alteração na minha peristalse. Esses cavalos podem ser cavalos diarréicos crônicos, vai ser constante, porque vc já vai ter alteração na capacidade de absorção dessa alça intestinal, vão ter áreas que não vão absorver. Animais estão sempre magros, comem bem, mas não engordam, estão sempre com diarréia.

Dentro do meu abdômen agudo intestinal eu posso ter:
Com surgimento de peritonite: tromboembolias. (S. vulgaris, que vai levar a uma área de isquemia, grandes vasos como, por exemplo, a artéria mesentérica, são cólicas intensas, dor muito intensa. Quando eu tenho um prejuízo circulatório, a dor é muito intensa, o animal se joga, cavuca, deitam o tempo inteiro).

Nem sempre na necropsia agente tem áreas de isquemia que estejam diretamente relacionados com o strongylus, é uma tromboembolia. Eu posso ter uma área de isquemia por comprometimento circulatório por uma obstrução por exemplo, e ai não ter a ver com o strongylus. No caso do strongylus vulgaris, ele vai causar a cólica tromboembólica.
Essas cólicas não dão tempo de operar, na maioria das vezes as cólicas tromboembólicas não temos tempo de fazer nada. Em geral, esse animal morre em horas (média 4h). Se eu tenho lesão de artéria mesentérica, isso acontece muito rápido.

Temos uma coisa importante:
Histórico:
Tenho que ter um histórico de vermifugação, se não tem um controle parasitário nessa propriedade. Ou o controle é feito com informações erradas, que o proprietário compra, e o peão vende.
As cólicas tromboembólicas pelo s. vulgaris normalmente são rápidas, não dá tempo de atender. Surge a peritonite porque normalmente tem a fragilidade tecidual.

Obstrução mecânica
Essas são situações que são operáveis, então eu preciso de uma mesa cirúrgica
Nessa situação, essas obstruções mecânicas são doloridas.
Cólicas intensas, com surgimento rápido, geralmente essas dores intensas nos animais encocheirados, que comem ração concentrada, que pouco sai, tem pouco espaço, pouco correm, pouco pastejo, geralmente é indicativo de cirurgia.

Essas obstruções mecânicas são aquelas em que se eu não fizer nada externamente eu não consigo resolver o problema. Cabe a nós clínicos identificarmos o mais rápido possível. Se eu tenho uma obstrução mecânica para que eu possa fazer a indicação cirúrgica o mais rápido possível.

Dentro das obstruções mecânicas, posso ter:
Volvo (cirúrgico)
Encarceramento (cirúrgico)
Distopia (mais ou menos)
Intussuscepção (cirúrgico)
Torção (cirúrgico)
Estrangulamento (cirúrgico)

Volvo: eu não consigo resolver um volvo se eu não fizer uma cirurgia. O volvo é quando as alças se torcem, a alça se entorce, mas eu tenho o mesentério torcendo junto (envolvido).
Torção: as alças se torcem, mas tenho só a torção da alça.
Quanto mais tempo passar, mais comprometido vai estar essa vascularização, o tratamento é cirúrgico tanto no volvo quanto na torção. Geralmente é intestino delgado.

A maioria das dores abdominais de origem no intestino delgado são intensas, levam a refluxo nasogástrico, pois são muito intensas, bastante doloridos. Assim como a maioria delas leva ao refluxo nasogástrico. -> No diagnostico, uma das coisas que agente faz é sondar, passar sonda.

Encarceramento: uma alça encarcerada pode se estrangular, ex. hérnia.
OBS: lembre-se que cavalo macho garanhão inteiro, é comum hérnia ingnal em macho principalmente em Mangalarga Marchador onde tem se observado uma freqüência muito grande dessas hérnias nos marchadores, principalmente aqueles que levam o cavaleiro mais pesado, porque eu tenho uma abertura.
Nos cavalos castrados não, que ai vc acaba tendo um fechamento, os castrados fazem uma fibrosezinha ali e acabam sendo mais difícil vc ter uma hérnia ingnal do que os cavalos inteiros, onde nos inteiros acaba descendo uma alça ali.
Posso ter o encarceramento que vai gerar desconforto, vai gerar aquelas cólicas intermitentes. Só que se estrangular babou.

Estrangulamento: O animal morre mais rápido ainda, faz isquemia do local. (Às vezes não dá nem tempo de fazer um trombo pra obstruir)

Gravem: cavalos inteiros tem se observado uma freqüência grande nos marchadores. E também cavalos que carregam peso muito grande, uma carga maior, acabam tendo uma tendência maior a fazer esse encarceramento.

Intussuscepção: muito relacionado com a peristalse, há descontrole dessa peristalse (ex. movimento muito rápido, dá uma estreitada e acaba invaginando) e uma alça intestinal se invagina na outra.
É um evento que causa muita dor, dor intensa. (Imagem abaixo)

Distopia: é a mudança de lugar. Quando a alça intestinal vai parar em outro lugar. Há perda da sua localização anatômica normal.
Existiam algumas manobras que antigamente se fazia, tipo deitar o cavalo, colocar ele na madeira pra rolar, pendurava ele, rodava ele, etc. pra tentar