Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (61)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (61)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professor: Dr. Flávio Tartuce

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 4 Aula 3

PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES

DA OBRIGAÇÃO

PARTE 2

 Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

Classificação Quanto à Divisibilidade.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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1. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À DIVISIBILIDADE.

As obrigações divisíveis são aquelas que comportam fracionamento ou divisão, quer quanto a prestação,

quer quanto ao próprio objeto sem prejuízo de sua substância ou de seu valor. Sua origem é a natureza da

prestação.

As obrigações indivisíveis são aquelas que possuem um individualidade ou unicidade da prestação.

Segundo prevê o art. 258 do Código Civil atual, “a obrigação é indivisível quando a prestação tem por

objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica

ou dada a razão determinante do negócio jurídico”. Assim, as obrigações indivisíveis diferenciam-se das

obrigações solidárias, eis que estas últimas têm a sua origem somente na lei e na convenção das partes. As

obrigações indivisíveis gera os seguintes efeitos:

a) Havendo dois ou mais devedores cada um será obrigado pela dívida toda. O devedor que paga a dívida

inteira sub-roga-se no direito do credor, havendo ação de regresso em relação aos demais co-obrigados.

b) Nos casos de pluralidade de credores, o devedor ou devedores somente se desobrigarão pagando: a

todos conjuntamente ou a um dos credores, dando este caução de ratificação dos outros credores.

c) Caso somente um dos credores receba toda a dívida, os demais poderão exigir deste a parte que lhes

cabia. No caso de remissão por parte de um dos credores, a obrigação não ficará extinta em relação aos

demais, que poderão exigir as suas cotas, descontada a parte remitida.

d) Caso a obrigação seja convertida em perdas e danos perderá o seu caráter de indivisível.

e) As obrigações de dar e fazer podem ser divisíveis ou indivisiveis.

As de não fazer somente indivisíveis.

2. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO CONTEÚDO.

De grande interesse prático é a classificação das obrigações em obrigação de meio, de resultado e de

garantia.

As obrigações de meio ou de diligência são aquelas em que o devedor só é obrigado a empenhar-se para

conseguir o resultado, mesmo que este não seja alcançado. Aqueles que assumem obrigação de meio, só

respondem se provada a sua culpa responsabilidade subjetiva. Assume obrigação de meio o advogado em

relação ao cliente, o médico cardiologista em relação ao paciente, por exemplo.

Aula 3

02

Já nas obrigações de resultado ou de fim, a prestação só é cumprida com a obtenção de um resultado,

geralmente oferecido pelo devedor previamente. Aqueles que assumem obrigação de resultado, respondem

independentemente de culpa-responsabilidade objetiva. Assumem obrigação de resultado o transportador e

o médico cirurgião plástico estético.

Nas obrigações de garantia o objetivo da obrigação é uma garantia pessoal, oferecida por força de um

instituto contratual. Exemplo típico é a fiança.

3. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À PRESENÇA OU NÃO DE ELEMENTO ACIDENTAL.

Quanto à presença ou não de elemento acidental, as obrigações podem ser assim classificadas:

- Obrigações puras ou simples: não estão sujeitas a condição, termo ou encargo. Sem a presença de

qualquer elemento acidental do negócio jurídico.

- Obrigações condicionais: aquelas que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e incerto

(condição).

- Obrigações a termo: são aquelas que contêm cláusula que subordina seu efeito a evento futuro e certo

(termo).

- Obrigações modais ou com encargo: são as oneradas de um encargo, um ônus à pessoa contemplada

pela relação jurídica. Acompanhando a liberalidade vem um ônus ao devedor.

4. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À INDEPENDÊNCIA.

Quanto à dependência em relação à outra obrigação, as obrigações podem ser principais ou acessórias.

As obrigações principais são aquelas que independem de qualquer outra para ter validade. Já as acessórias

têm a sua existência subordinada a outra relação jurídica obrigacional. A extinção, ineficácia, nulidade ou

prescrição da obrigação principal reflete-se na acessória.

5. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO LOCAL PARA CUMPRIMENTO.

Quanto ao local de cumprimento, as obrigações podem ser quesíveis ou portáveis.

As obrigações quesíveis (ou querable) têm o seu cumprimento no domicílio do devedor. Não havendo

previsão no contrato, constitui regra geral.

Já as obrigações portáveis (ou portable), são aquelas em que o seu cumprimento deverá ocorrer no domicílio

do credor ou de terceiro. Para gerar efeitos, tal regra deve constar no instrumento relacionado com a

obrigação, que aqui definimos como instrumento obrigacional.

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6. CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO MOMENTO PARA CUMPRIMENTO.

Quanto ao momento para cumprimento obrigacional, têm-se, inicialmente, as obrigações instantâneas,

com cumprimento imediato. Se a regra for relacionada com o pagamento, o mesmo será à vista. Não se

pode rever contrato relacionado com obrigação instantânea.

As obrigações de execução diferida são aquelas que têm cumprimento da obrigação e deverá ocorrer de

uma vez só, no futuro. Exemplo típico é a situação em que se pactua o pagamento com cheque "pós-datado".

Aplica-se a revisão contratual por imprevisibilidade, prevista no artigo 317 do Código Civil.

Muito comuns hoje, pela ausência de crédito imediato, as obrigações de execução continuada, periódica ou

de trato sucessivo, aquelas, cujo cumprimento se dá por meio de subvenções periódicas. Também há a

possibilidade de revisão do contrato, pela aplicação da revisão por imprevisibilidade (antiga teoria da

imprevisão).

7. OUTROS CONCEITOS IMPORTANTES.

Finalizando a presente unidade, interessante rever duas modalidades de obrigação que muito interessam à

prática.

- Obrigações Propter Rem - são obrigações híbridas (parte direito real, parte direito pessoal), que recaem

sobre uma pessoa, por força de um direito real.

Exemplo típico é a obrigação do proprietário do imóvel pagar as despesas de condomínio, inclusive pelo que

prevê o artigo 1.345 do Código Civil atual.

- Obrigações Naturais são aquelas obrigações em que o credor não pode exigir a prestação do devedor; já

que não há pretensão para tanto. Entretanto, em caso de pagamento por parte do devedor capaz, é

considerado válido e irretratável.

São obrigações naturais previstas no ordenamento jurídico brasileiro:

Dívida prescrita (art. 882 do CC).

Dívidas resultantes de jogo e aposta (814 e 815 CC).

Mútuo feito a menor sem a prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver.

Gorjetas e atos de liberalidade.

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violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

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