265_METEOROLOGIA_E_CLIMATOLOGIA_VD2_Mar_2006
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METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
Mário Adelmo Varejão-Silva

Versão digital 2 – Recife, 2006

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Os breves comentários incluídos nesta seção são válidos para qualquer diagrama equiva-
lente (emagrama, tefigrama e skew-T, log p) e referem-se apenas aos aspectos mais simples.
Essa abordagem superficial prende-se ao fato do assunto envolver técnicas gráficas, cuja descri-
ção é geralmente muito mais difícil que a própria execução. Nessa área a prática é indispensável
e, sem ela, de pouco adiantaria um tratamento exclusivamente descritivo, mesmo que feito exaus-
tivamente.

13.1 - As curvas p, T e p, Td.

A representação gráfica de uma sondagem atmosférica sobre um diagrama aerológico é
constituída por duas curvas fundamentais: a da temperatura (p, T) e a da temperatura do ponto de
orvalho (p, Td). A seleção dos níveis de pressão para os quais devem ser obtidos os valores de T
e Td, é feita na própria estação de radiossondagem, atendendo a dois critérios, estabelecidos por
acordo internacional. O primeiro especifica os níveis de pressão que devem ser sempre selecio-
nados, chamados níveis obrigatórios; o segundo estabelece limites permissíveis para a variação
da temperatura e da umidade em relação aos pontos de inflexão das respectivas curvas, obtidas
durante a sondagem da atmosfera. Quando o perfil vertical observado revela que esses limites
foram ultrapassados (em relação à temperatura, à umidade ou a ambas), caracteriza-se um nível
significativo (O.M.M., 1968). A escolha dos níveis significativos é feita de modo a permitir restau-
rar, com a maior fidelidade possível, os perfis verticais de temperatura e umidade realmente ob-
servados.

Uma vez plotados todos os pares de pontos referentes a uma dada radiossondagem, tra-
çam-se as curvas p, T e p, Td; ligando os pontos por segmentos de reta (Fig. VI.8). Admite-se
que as linhas quebradas, assim formadas, são representativas das verdadeiras curvas. Para de-
senhar essas linhas, é preferível uma convenção policromática: a curva p, T é normalmente traça-
da na cor azul; para a curva p, Td utiliza-se a cor verde.

Embora a radiossonda demore um certo tempo para percorrer verticalmente a coluna de ar
entre a base e o topo da sondagem, o perfil obtido é considerado instantâneo. Essa hipótese é
justificada pelo fato das condições de pressão, temperatura e umidade, reinantes em cada nível
de altitude, não mudarem rapidamente, exceto na camada atmosférica justaposta à superfície
(com cerca de 1000 m de espessura) onde, devido à influência da própria superfície, geralmente
há intenso transporte convectivo e advectivo de propriedades (massa, calor e quantidade de mo-
vimento). Acima dessa camada os gradientes horizontais de pressão, temperatura e umidade são
normalmente pequenos e, por isso, embora a radiossonda se desloque também horizontalmente
(levada pelo vento), se aceita que os dados coletados especificam o perfil vertical das proprieda-
des termodinâmicas da atmosfera. Por essas razões, à linha p, T chama-se curva de estado.

Na caracterização da atmosfera por meio gráfico, deve-se ter presente que, em cada ponto
de um diagrama aerológico, passa uma linha de todas as famílias (isotermas, isóbaras, adiabáti-
cas secas, pseudo-adiabáticas e de igual razão de mistura saturante), mesmo que não esteja gra-
ficamente representada. Quando, em um determinado ponto do diagrama, se precisa obter uma
delas (por não estar impressa), usam-se as linhas congêneres mais próximas, como referência,
fazendo-se uma interpolação gráfica da linha desejada.

Na determinação gráfica dos parâmetros meteorológicos mais comuns, comentada adian