A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
15 pág.
Semin.09.Estadão-Sarney

Pré-visualização | Página 4 de 7

uma investigação policial acerca de um servidor público envolvido em corrupção.
 No último dia 30 de julho, o juiz Dácio Vieira da Corte Federal de Brasília, ordenou que o jornal O 
Estado de S. Paulo e seu site parassem de publicar reportagens sobre alegados casos de corrupção 
de Fernando Sarney, filho do senador e presidente do Senado, José Sarney. O Estado de S. Paulo 
publicou transcrições de gravações da polícia, que incriminavam Fernando Sarney em casos de 
corrupção. A medida proíbe que qualquer meio reproduza as reportagens do jornal. O não 
cumprimento da medida acarreta uma multa de R$ 150 mil.
 Gostaríamos de lembrar respeitosamente que a medida judicial de proibir as reportagens se 
constitui em um caso de censura e é uma clara violação do direito de livre expressão, que é 
garantido por inúmeras convenções internacionais, incluindo a Declaração Mundial dos Direitos 
Humanos. O artigo 19 da Declaração diz: "Todos têm o direito de livre expressão e opinião, incluso 
o direito de ter opiniões sem interferência e de procurar, receber e transmitir informações e ideias 
por quaisquer meios, independentemente de fronteiras".
 Respeitosamente pedimos a Vossa Excelência que faça tudo o que estiver ao seu alcance para 
garantir que esta decisão seja anulada e que seja permitido à imprensa publicar livremente 
reportagens sobre todos os assuntos de interesse público. Contamos com o compromisso do Sr. Para 
que no futuro seu país respeite todos os acordos.
 Atenciosamente,
Gavin O´Reilly
Presidente da Associação Mundial de Jornais
E
Xavier Vidal-Folch
Presidente do Fórum Mundial de Editores
Como antanho, o periódico impetrante resvala no princípio da separação dos poderes.
Note-se a que ponto tem chegado o vilipêndio do ora impetrante quanto às vias regulares e 
constitucionais da Justiça, do Sistema Judiciário, da Função Jurisdicional, da própria Segurança 
Jurídica vigente em nosso país, em face de seus peculiares interesses na hipótese, tudo em nome de 
uma falaciosa ofensa à liberdade de expressão que, como se vê, em nada restou desprestigiada na 
decisão liminar, eis que fundamentada na mais balizada e atual orientação jurisprudencial acerca do 
thema decidendum.
Declinar da Relatoria do feito, como querem, corresponderia a admitir uma intimidade inocorrente 
com a parte, a falácia de um interesse espúrio na solução da lide, a capitulação por insuportável e 
nefasta campanha infamante diante do efetivo poderio da mídia, situação de todo impensável 
quando há um sagrado dever, irrecusável, do fiel exercício da função judicante, um compromisso 
incontornável em face da ordem jurídica vigente e, segundo a lei, como cumpridor dos deveres nela 
elencados.
Assim, não sobeja qualquer margem de dúvida a dar lastro a incursões evasivas sobre o texto da 
decisão posta em confronto, como assim sói acontecer e como deslustrou a "grande mídia", pelo 
próprio tom intuído em seus periódicos de repercussão nacional e traduzidos em feito recursal, 
tendo havido imediato e pleno acesso aos autos e ao inteiro teor da decisão posta em testilha e que 
agora são reportadas pelo impetrante, quando certo é que a decisão limitou-se de forma nítida e 
objetiva a efetivamente fazer cessar um proceder flagrantemente ilícito, que vinha sendo 
deliberadamente praticado pelo jornal O Estado de São Paulo, por intermédio de seus prepostos, e 
congêneres aglutinados, vertida em plena execução como bem delineado nos autos, em afronta e 
franco desprezo – verdadeiro vilipêndio – à reserva legal do SEGREDO DE JUSTIÇA – 
interceptação de conversões telefônicas por ordem judicial – de inquestionável vigência em nosso 
país, conquista da maior relevância ao Estado Democrático de Direito, notadamente no tocante à 
investigação criminal, voltada a uma efetiva, apta e oportuna aplicação da lei penal.
A decisão aqui guerreada, como visto, em momento algum trilhou caminho diverso no tocante ao 
sagrado direito à liberdade de expressão e de informação, eis que se propõe apenas a limitar, a 
impedir, objetivamente, que os dados obtidos de comunicação telefônica furtivamente escorchados 
das medidas cautelares sigilosas nº 20073700010617-8, 20077001001751-7 e 2008370000220-9, 
em curso na Justiça Federal, continuassem ao alvedrio da parte – de forma paulatina e crescente – a 
ser amplamente divulgados, repita-se, com inegável descaso ao instituto do SEGREDO DE 
JUSTIÇA (artigo 8º, da Lei nº 9.296/96), conduta flagrantemente ilídima, havendo expressa 
tipificação legal no próprio normativo que autorizou o Estado, e somente este, a quebrar o sigilo 
desses dados, qual seja o artigo 10, da Lei nº 9.296/96, além do disposto no artigo 180, §§ 1º, 4º e 6º 
e artigo 153, § 1º-A, ambos do Código Penal. Contrario senso, salvo eventual inconstitucionalidade 
de todo esse arcabouço legislativo, ainda não cogitada, em que pese a dimensão estrepitosa que foi 
dada ao presente caso.
Portanto, na fundamentada ótica deste julgador, a prática de crime não pode ser desconsiderada. Se 
com a participação ou co-autoria dos prepostos do impetrante, ou não, tal aspecto do ilícito só 
poderá – e deverá – vir a ser elucidado na via própria. Aqui, basta a inquestionável plausibilidade 
quanto à ilicitude da procedência dos dados obtidos pelo impetrante. Mais que isso, representaria 
mera conjectura, incabível por despicienda ao deslinde das questões postas nesta sede.
Havendo o desenho destes exatos limites, é que se pautou a pretensão do autor agravante, quando 
claramente pugnou, verbis:
"Não se está, aqui, no plano das opiniões: o Agravante não quer que deixem de falar dele ou de seus 
familiares.
Nem que o deixem a salvo de apurações: ele sabe respeitar a liberdade de imprensa.
Quer, todavia, apenas, que não vazem mais as informações que a lei – e o Judiciário assegurou – 
como reservadas à investigação e que, vazadas, como foram criminalmente, não sejam divulgadas" 
(fl. 22).
E, ao final, reitera o pedido formulado na petição inicial da ação inibitória, verbis:
"a) concessão de medida liminar, sem oitiva da parte contrária, para determinar que o Réu e, por via 
oblíqua, os demais veículos de comunicação que estão utilizando do material disponibilizado por 
ele, se abstenham de publicar dados sigilosos sobre o Autor contidos na investigação policial em 
questão" (fl. 52)
Mas todo esse contexto veio a ser totalmente desvirtuado pelo Jornal O Estado de São Paulo que, 
mesmo com amplo conhecimento do processo e dos lindes da decisão, passou a divulgar sua 
matéria com o matiz de uma inventiva "censura prévia", buscando levar a opinião pública ao 
equivocado entendimento de que o jornal estava impedido de publicar qualquer matéria ou 
informação sobre o andamento das investigações que envolvam o nome do agravante, Fernando 
Macieira Sarney, o que, como antes visto, jamais ocorreu, permanecendo intocável, inviolável, 
pelos limites da decisão, o mais amplo direito da lícita expressão, pensamento, opinião e 
informação acerca do caso, procedimento este posto "a latere" dos seus leitores, pelo próprio cunho 
sensacionalista alcançado a este viso, por esse renomado e tradicional veículo de imprensa, a revelar 
uma conduta delineada, temerária e porque não lamentável, sob o ponto de vista da ética 
jornalística, de princípios deontológicos.
A toda evidência, disso não cuidou a decisão guerreada, eis que contém claro e inequívoco comando 
de "determinar ao agravado, em antecipação da tutela recursal, que se abstenha quanto à utilização – 
de qualquer forma, direta ou indireta – ou publicação dos dados relativos ao agravante, eis que 
obtidos em sede de investigação criminal sob sigilo judicial".
Portanto, importa repetir, na perspectiva adotada por este julgador, não haveria como cogitar de 
qualquer tipo de censura, muito menos prévia em face do direito constitucional de informação 
acerca da deflagrada "operação faktor" ou "boi Barrica", não tendo a decisão, absolutamente, 
impedido que o Jornal O Estado de São Paulo, ou qualquer

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.