Classificação dos Solos
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Classificação dos Solos

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da rocha original envolvidos por solo de alteração de rocha.

No Recôncavo Baiano observa-se a ocorrência de solos residuais formados a
partir de rochas sedimentares. O folhelho (rocha sedimentar) produz uma argila
conhecida popularmente como massapé que tem como mineral constituinte a
montimorilonita. Esse mineral possui grande potencial de expansão na presença de
água. Grandes variações de volume podem ocorrer no solo quando o mesmo variar sua

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umidade. Isso pode acarretar sérios problemas nas construções (aterros ou edificações)
assentes sobre estes solos (MACHADO, 2002).

Os solos transportados são aqueles originados por algum agente de transporte
que os conduz até o seu local atual. Sua classificação é feita de acordo com o agente de
transporte, a saber: solos coluvionares (gravidade), aluvionares (água), eólicos (vento) e
glaciais (geleiras).

Os solos coluvionares são aqueles formados pela ação da gravidade. VARGAS
(1978) cita o exemplo das escarpas da Serra do Mar onde os mantos de solo residual
com blocos de rocha podem escorregar, sob a ação de seu peso próprio, durante chuvas
violentas, indo acumular-se ao pé do talude em depósito de material detrítico,
geralmente fofo, formando os “talus”. Esses talus estão sujeitos a movimentos de
rastejo. No entanto, pode ocorrer que a erosão no topo de morros de solo residual
profundamente alterado, com conseqüente deposição coluvial nos vales, resulte numa
topografia suavemente ondulada. É o caso do Planalto Brasileiro onde ocorrem camadas
recentes de solo coluvial fino sobre solo residual de material semelhante. Entre esses
solos, é comum o surgimento de uma camada de pedregulho que delimita seu contato,
facilitando a distinção das camadas. Esse tipo de depósito sofreu uma evolução
pedológica posterior a sua deposição. O Professor Milton Vargas sugere que se
enquadre esses solos na classe dos solos de “evolução pedogênica” que são conhecidos
como solos porosos. No sul da Bahia existem solos formados pela deposição de
colúvios em áreas mais baixas, os quais se apresentam geralmente com altos teores de
umidade e são propícios à lavoura cacaueira. Encontram-se solos coluvionares (tálus)
também na Cidade Baixa, em Salvador, ao pé da encosta paralela à falha geológica que
atravessa a Baia de Todos os Santos (MACHADO, 2002).

Os solos aluvionares são aqueles onde o agente transportador é essencialmente a
água. Sua constituição depende da velocidade das águas no momento de deposição.
Podem-se enumerar alguns tipos de solos aluvionares: solos marinhos (água dos
oceanos e mares), solos fluviais (água dos rios) e solos pluviais (água de chuvas). O
processo ocorre quando grandes volumes de água em seu caminho para o mar
transportam os detritos das erosões e os sedimentam em camadas, em ordem
decrescente de seus diâmetros. As camadas de pedregulho sedimentam-se inicialmente
seguidas das areias, siltes e argilas. Dessa forma, nota-se que os grãos maiores serão
depositados onde as velocidades da água são maiores. As partículas menores serão
transportadas até locais onde a velocidade diminua, permitindo o processo de
sedimentação.

O transporte pelo vento origina os solos eólicos. A força do vento seleciona
muito mais do que a água os pesos dos grãos que podem ser transportados. Isso implica
na uniformidade dos grãos dos depósitos eólicos. Como os grãos maiores e mais
pesados não podem ser transportados, e as argilas têm seus grãos unidos pela coesão,
formando torrões dificilmente levados pelo vento, a ação do transporte do vento se
restringe ao caso das areias finas ou siltes. Um exemplo típico são as areias constituintes
dos arenitos brasileiros por ser uma rocha sedimentar com partículas previamente
transportadas pelo vento. Outros exemplos são as dunas nas praias litorâneas e os
depósitos de “loess” muito comuns em outros países. O “loess”, comum na Europa
oriental, geralmente contém grandes quantidades de cal, responsável por sua grande

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resistência inicial. Quando umedecido, contudo, o cimento calcário existente no solo
pode ser dissolvido e o solo entra em colapso.

Os solos glaciais comumente ocorrem na Europa e Estados Unidos, sendo de
pequena importância para o contexto nacional. São formados pelas geleiras pela ação da
gravidade. Sua formação ocorre pelo movimento de gelo das regiões superiores para as
inferiores. Nesse movimento gravitacional, ocorre o transporte de partículas de solo e
rocha. Quando ocorre o degelo, esses detritos acabam se depositando no terreno.
Variados tamanhos de partículas são transportados. Assim, os solos formados são
bastante heterogêneos com granulometrias que variam de grandes blocos de rocha até
materiais com granulometria fina.

Os solos orgânicos são aqueles formados pela mistura de restos de organismos
(vegetais ou animais) com sedimentos pré-existentes. Geralmente apresentam uma cor
escura (presença de húmus) e forte odor característico. O húmus pode ser facilmente
carreado pela água. Dessa forma, sua ocorrência se dá apenas em solos finos (argilas e
siltes) e em menor escala nas areias finas. Estes solos são encontrados nas baixadas
litorâneas e nas várzeas dos rios e córregos em camadas de 3 a 10 metros de espessura.
Esses solos são altamente compressíveis apresentando alto índice de vazios com baixa
capacidade de suporte (VARGAS, 1978; PINTO 2000). As turfas são solos fibrosos
resultantes da concentração de folhas, caules e troncos de florestas. É um tipo de solo
extremamente deformável com elevada permeabilidade que permite que os recalques
devido às ações externas ocorram rapidamente. Têm ocorrência registrada na Bahia,
Sergipe, Rio Grande do Sul e outros estados brasileiros.

A evolução pedogênica envolve processos físico-químicos e biológicos
responsáveis pela formação dos solos na agricultura. Essa formação ocorre pela
lixiviação dos horizontes superiores com concentração de partículas coloidais nos
horizontes profundos. A camada superficial tem pouco interesse para a engenharia e é
denominada de “solo superficial” por possuir pequena espessura. Por outro lado, os
solos porosos cuja formação ocorre devido a uma evolução pedogênica em clima
tropical de alternâncias secas no inverno e extremamente úmidas no verão, possuem
grande interesse técnico. Esses solos são denominados lateríticos e possuem espessuras
que podem superar 10 m de profundidade com extensas zonas do Brasil Centro-Sul. Sua
fração argila é constituída basicamente de minerais cauliníticos com elevada
concentração de ferro e alumínio na forma de óxidos e hidróxidos. Daí, sua coloração
avermelhada. São solos de granulometria arenosa, mas geralmente com parcelas de
argila. Apresentam-se na natureza na condição não-saturada com elevado índice de
vazios e baixa capacidade de suporte.

As Figuras (1.7) e (1.8) abaixo ilustram alguns tipos de solos. A Figura (1.9)
apresenta um exemplo de microscopia eletrônica de um solo residual compactado de
gnaisse aumentado em até 20.000 vezes.

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Figura 1.7. Exemplos de tipos de solos

Figura 1.8. Solo residual e orgânico

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Figura 1.9. Microscopia eletrônica de um solo residual de gnaisse (compactado)

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1.4. CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS

Do ponto de vista da Engenharia, a classificação de um solo assume um papel
extremamente importante no entendimento de seu comportamento frente às solicitações
que este poderá experimentar nas obras. Nesse particular, muitas classificações surgiram
e procuram enquadrar o solo dentro do contexto próprio de interesse. Situações ocorrem
em que um determinado tipo de solo poderá ser enquadrado em vários grupos, ou seja,
um mesmo solo poderá pertencer a mais de um grupo dentro de um mesmo sistema