Classificação dos Solos
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Classificação dos Solos

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de
classificação. Isso ocorre devido à sua natureza variável.

Deve-se ter em mente que as diversas classificações existentes devem ser
tomadas com certa reserva. Isso ocorre porque o sistema utilizado para classificar um
solo para fins rodoviários pode ser totalmente ineficiente para o mesmo solo em relação
à sua utilização como material de construção ou para fundações.

PINTO (2000) ressalta que mesmo aqueles que criticam os sistemas de
classificação não têm outra maneira de relatar suas experiências senão através dos
resultados obtidos num determinado problema para um tipo específico de solo. Esse tipo
específico, quando mencionado, deve ser inteligível a todos dentro do sistema de
classificação que foi utilizado.

Um sistema de classificação ideal ainda não existe e, apesar das certas
limitações, os sistemas de classificação vigentes ajudam a entender primeiramente o
comportamento dos solos e a orientar um planejamento para a obtenção dos principais
parâmetros dentro de um projeto.

BUENO & VILAR (1998) ressaltam que um sistema de classificação, dentro do
que se espera destes, deve possuir alguns requisitos básicos, tais como: ser simples e
facilmente memorizável para permitir rápida determinação do grupo ao qual o solo
pertence; ser flexível para se tornar particular ou geral conforme a situação exigir e, ser
capaz de se subdividir posteriormente.

Os principais tipos de classificação dos solos são: classificação por tipo de solos,
classificação genética geral, classificação textural (granulométrica), classificação
unificada (SUCS ou USCS - Unified Soil Classification System) e o sistema de
classificação dos solos proposto pela AASHTO (American Association of State
Highway and Transportation Officials). Deve-se salientar, contudo, que estes dois
últimos sistemas de classificação foram desenvolvidos para classificar solos de países
de clima temperado, não apresentando resultados satisfatórios quando utilizados na
classificação de solos tropicais (saprolíticos e lateríticos), cuja gênese é bastante
diferenciada daquela dos solos para os quais estas classificações foram elaboradas. Por
conta disto, e devido a grande ocorrência de solos lateríticos nas regiões Sul e Sudeste
do país, recentemente foi elaborada uma classificação especialmente destinada à
classificação de solos tropicais. Esta classificação, brasileira, denominada de
Classificação MCT, começou a se desenvolver na década de 70, sendo apresentada
oficialmente em 1980 pelos professores Nogami e Vilibor.

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1.4.1. Classificação Táctil Visual dos Solos

Os solos podem ser estimados previamente através de análises simples e diretas
através de seu manuseio em campo ou em laboratório. Esse tipo de análise é
denominado de táctil-visual e é apenas uma análise primária do tipo de solo. Ensaios
rápidos são realizados procurando-se determinar determinadas características
predominantes do solo e, a partir disso, as demais características (Figura 1.10).

Figura 1.10. Análise táctil visual

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Esse tipo de análise deve vir sempre acompanhado de ensaios específicos de
laboratório para a quantificação exata das propriedades do solo.

Normalmente, os ensaios realizados são os seguintes:

a) Teste visual e táctil: após misturar-se uma pequena quantidade de solo com
água, nota-se que as areias são ásperas ao tacto, apresentam partículas visuais a
olho nu e permitem muitas vezes o reconhecimento de minerais; o silte é menos
áspero que a areia, mas perceptível ao tacto; as argilas quando misturadas com
água e trabalhadas entre os dedos, apresentam uma semelhança com pasta de
sabão escorregadia e, quando secas, os grãos finos das argilas proporcionam
uma sensação de farinha ao tacto.

b) Teste de sujar as mãos: após se fazer uma pasta (solo + água) na palma da mão,
coloca-se esta sob água corrente observando a lavagem do solo. O solo arenoso
lava-se facilmente escorrendo rapidamente da mão. O solo siltoso só se limpa
depois de um certo fluxo de água necessitando também de certa fricção para a
limpeza total. Finalmente, as argilas apresentam uma certa dificuldade de se
soltarem das mãos apresentando características de um barro. Nesse tipo de teste
é possível se detectar a presença de areia (quartzo) pela sensação dos dedos com
a pasta formada e pelo brilho que exibem. No entanto, o material fino (silte +
argila) pode aglomerar-se formando concreções que passam a falsa idéia de
material granular.

c) Teste de desagregação do solo submerso: colocando-se um torrão de solo
parcialmente imerso em recipiente com água, verifica-se a desagregação da
amostra. Essa desagregação é rápida quando os solos são siltosos e lenta quando
os solos são argilosos.

d) Teste de resistência dos solos secos: Um torrão de solo seco pode apresentar
certa resistência quando se tenta desfazê-lo com a pressão dos dedos. As argilas
apresentam grande resistência enquanto que os siltes e areias apresentam baixa
resistência.

e) Teste de dispersão em água: colocando-se uma pequena quantidade de solo
numa proveta com água e agitando-se a mistura, procura-se verificar o tempo
para a deposição das partículas conforme o tipo de solo. Os solos arenosos
depositam rapidamente (30 a 60 segundos); os solos siltosos levam entre 15 a 60
minutos e, os solos argilosos, podem levar horas em suspensão.

Os solos orgânicos são classificados de acordo com sua coloração que
geralmente é cinza ou escura. Possuem odor característico de material em decomposição
e são inflamáveis quando secos.

Após esses testes, procura-se classificar o solo conforme as informações obtidas
acrescentando-se também a cor do solo e sua procedência.

Importante ressaltar que esse tipo de classificação fornece resultados mais
qualitativos do que quantitativos. Análises mais elaboradas devem ser feitas para a
quantificação das frações predominantes de areia, silte e argila em cada solo.

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1.4.2. Classificação Genética Geral

A classificação genética geral classifica os solos de acordo com a sua formação
originária. Basicamente depende de alguns fatores: natureza da rocha de origem, o clima
da regional, agente intempérico de transporte, topografia regional e os processos
orgânicos. O conhecimento da origem dos solos é fator de suma importância para a
melhor compreensão das características e parâmetros obtidos para o solo.

Esse tipo de classificação abrange os solos descritos anteriormente no item (1.3)
(Tipos de Solos com Relação à sua Origem): solos residuais, solos transportados, solos
orgânicos e solos de evolução pedogênica.

1.4.3. Classificação Granulométrica

As partículas dos solos possuem diferentes tamanhos e a medida desses
tamanhos é feita através da análise granulométrica do solo. Essa, por sua vez, é
representada através de uma curva de distribuição granulométrica em escala semilog
com o eixo das ordenadas contendo as porcentagens que passam ou que ficam retidas,
em peneiras pré-determinadas, e o eixo das abscissas com o diâmetro equivalente das
partículas.

O ensaio de granulometria geralmente é feito de acordo com o tipo de solo. Para
solos grossos, utiliza-se somente o peneiramento que é realizado por meio de peneiras
pré-distribuídas conforme especificação de norma. A abertura das peneiras deve ser da
maior para a menor. Normalmente, a peneira de menor abertura é a peneira de número
200 da ASTM (abertura de 0,075 mm). As quantidades retidas em cada peneira são
então determinadas. Para solos finos, o processo de peneiramento torna-se impraticável.
Recorre-se então, ao processo de sedimentação que consiste na medida indireta da
velocidade de queda das partículas no meio (água). Para tanto, utiliza-se a Lei de Stokes
que admite que a velocidade de queda de uma partícula esférica