Direito Administrativo (46)
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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professor: Dr. Marcel Leonardi

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 1 Aula 1

LEI DE INTRODUÇÃO

AO CÓDIGO CIVIL (LICC)

Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

Lei de Introdução Ao Código Civil (LICC)

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d

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A Lei de Introdução ao Código Civil funciona como uma verdadeira "lei de introdução às leis", ou ainda

como um "conjunto de normas sobre normas". Ela existe, portanto, para regular o próprio Direito, ou seja,

ela não rege as relações da vida das pessoas, mas sim as próprias normas jurídicas, indicando como elas

devem ser interpretadas ou aplicadas.

A Lei de Introdução ao Código Civil é um código de normas jurídicas que trata, em síntese, dos seguintes

assuntos: a) início da obrigatoriedade da lei; b) tempo de obrigatoriedade da lei; c) garantia da eficácia da

ordem jurídica, não admitindo a ignorância da lei vigente; d) integração das normas, quando houver lacuna;

e) critérios de interpretação jurídica; f) direito intertemporal; g) direito internacional privado brasileiro,

abrangendo regras relativas à pessoa, à família, aos bens, às obrigações, à sucessão por morte ou por

ausência, à competência judiciária brasileira, à prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro, à prova do

direito estrangeiro, à execução de sentença proferida no exterior, à proibição do retorno, aos limites da

aplicação de leis, atos e sentenças de outro país no Brasil; h) e, por fim, atos civis praticados pelas

autoridades consulares brasileiras no exterior.

Para compreender a vigência da lei no tempo, precisamos recordar que uma lei não entra em vigor de

imediato, mas somente após completado o processo legislativo. A Lei de Introdução ao Código Civil

estabelece uma regra geral para a vigência das normas jurídicas no Brasil no artigo 1º, "caput", que tem a

seguinte redação: Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco

dias depois de oficialmente publicada.

O artigo 1º estabelece um intervalo de tempo entre a publicação da lei e a data de início de sua vigência.

Esse intervalo de tempo é conhecido como "vacatio legis". A regra geral é a de que a lei somente entra em

vigor quarenta e cinco dias após sua publicação.

É exatamente em razão dessa regra geral contida no artigo 1º que o legislador estabelece prazos mais curtos

ou mais longos para o início da vigência de outras leis, conforme a importância, a urgência dessas leis e a

facilidade ou a dificuldade de adaptação da sociedade às novas regras.

Assim sendo, é importante recordar que, quando não houver outra disposição na própria lei, ela somente

entra em vigor quarenta e cinco dias depois de sua publicação, e não de imediato. Essa regra geral tem

aplicação apenas em território nacional. O parágrafo 1º do artigo 1º estabelece que "nos Estados

estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de

oficialmente publicada". O prazo é maior tendo em vista a necessidade de divulgação da nova lei em

território estrangeiro, principalmente às autoridades diplomáticas.

O artigo 2º, "caput", da Lei de Introdução ao Código Civil, diz o seguinte: Art. 2º Não se destinando à

vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.

Aula 1

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A regra geral é a de que a lei permanece em vigor por tempo indeterminado, a não ser que se trate de lei de

vigência temporária, como, por exemplo, leis orçamentárias, ou outras que estipulem qual é o seu prazo de

vigência. Assim sendo, a lei pode ter vigência temporária, contendo um limite para sua eficácia, ou vigência

permanente, sem prazo determinado, produzindo efeitos até que seja modificada ou revogada por outra da

mesma hierarquia ou por hierarquia superior.

A revogação representa o ato de retirar a obrigatoriedade de uma norma, tornando-a sem efeito. Existem

duas espécies de revogação: a ab-rogação, que ocorre quando a lei nova regula inteiramente a matéria da

lei anterior, ou quando exista incompatibilidade explícita ou implícita entre elas, e a derrogação, que torna

sem efeito apenas uma parte da norma, permanecendo em vigor os dispositivos que não foram modificados.

O parágrafo primeiro do artigo 2º da Lei de Introdução estabelece que a lei posterior revoga a anterior em

três situações: a) quando expressamente o declare, b) quando seja com ela incompatível ou c) quando regule

inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Quando a lei nova declara que revoga a lei anterior,

temos a revogação expressa. Quando a lei nova é incompatível com a lei anterior, ou quando passa a

regular inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior, mesmo que não conste da lei a expressão

"revogam-se as disposições em contrário", temos a revogação tácita ou indireta.

Em outras situações, as leis novas apenas complementem ou regulam uma lei anterior. Nesses casos, não

existe revogação nem modificação da lei antiga, conforme a redação do parágrafo 2º do artigo 2º da Lei de

Introdução ao Código Civil: "A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já

existentes, não revoga nem modifica a lei anterior".

Quando isso ocorre, tanto a lei antiga quanto a nova estão em vigor, e devem ser interpretadas em conjunto.

Ainda com relação a esta questão da vigência da lei no tempo, há uma regra muito importante prevista no

parágrafo terceiro do artigo 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. Vamos analisá-la: "Salvo disposição em

contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência".

Chama-se repristinação o fato de uma lei revogada ser restaurada quando a lei que a revogou perder a

vigência. Ou seja, temos uma lei antiga, que foi revogada, que passa a valer novamente porque a lei que a

revogou deixou de produzir efeitos. Isso é também conhecido como "efeito repristinatório" e, como regra,

não é admitido no Direito brasileiro.

Realmente, a regra geral estabelecida pela Lei de Introdução ao Código Civil é a de que nenhuma norma

revogada voltará a valer caso a lei que a revogou perca sua vigência, salvo disposição expressa em

contrário. Ou seja, a lei antiga, que havia sido revogada, não renasce em razão do cancelamento da lei

posterior que a revogou, a não ser que o legislador estabeleça essa condição de modo expresso. A

repristinação não é admitida porque ela coloca em risco a segurança jurídica, causando dificuldades na

aplicação do direito.

O artigo 3º da Lei de Introdução ao Código Civil estabelece um princípio básico de Direito, existente desde a

época do Direito Romano: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". É o princípio

clássico de que ninguém pode alegar ignorância em relação à lei.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d

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Esse princípio decorre do próprio interesse público, pois a vida em sociedade se transformaria em um

verdadeiro caos se a obrigatoriedade da lei dependesse do efetivo conhecimento de sua existência por cada

indivíduo, o que seria