Direito Administrativo (46)
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Direito Administrativo (46)

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ninguém pode alegar ignorância a respeito da lei,

que se tornou pública. Presume-se, portanto, que seus destinatários têm plena ciência de seu conteúdo a

partir da publicação da lei.

Em muitas ocasiões, uma lei tem lacunas que precisam ser supridas por seu intérprete. Em outras situações,

simplesmente não existe uma norma que seja diretamente aplicável ao caso analisado. O artigo 4º da Lei de

Introdução ao Código Civil estabelece que, "quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a

analogia, os costumes e os princípios gerais de direito".

A analogia consiste em aplicar, a um caso não previsto de modo direto ou específico por uma norma jurídica,

uma outra norma jurídica, que foi prevista para uma hipótese distinta, porém semelhante ao caso não

previsto. A aplicação da analogia exige a presença de três condições simultâneas: a) o caso não esteja

previsto em norma jurídica; b) o caso tenha uma relação de semelhança com outro caso, previsto em norma

jurídica, e c) o elemento de identidade entre os casos não seja qualquer um, mas sim um elemento essencial,

um fato que permita afirmar que a situação não regulada pela lei realmente mereça ser regulada por uma lei

que, a princípio, somente teria aplicação para outra situação.

O costume é outra fonte supletiva para preencher as lacunas da lei. O costume, como o próprio nome já

demonstra, é uma prática que se estabelece por força do hábito, ou seja, pela aceitação tácita de uma

determinada prática, pela sociedade, ao longo do tempo. O costume possui dois elementos necessários: a)

o uso e b) a convicção jurídica. Isto quer dizer que o costume somente pode ser levado em consideração

quando consistir, de fato, em uma prática uniforme, constante, pública e geral e que represente, ao mesmo

tempo, uma prática aceita como correta socialmente.

Por outro lado, uma prática ilegal, ainda que comum na sociedade, não poderá ser considerada como um

costume pelo juiz. As condições de vigência do costume, portanto, são as seguintes: continuidade,

uniformidade, moralidade, e obrigatoriedade. Continuidade, porque a prática deve ser habitual;

uniformidade, porque deve ser feita pela maioria das pessoas; moralidade, porque deve ser uma prática não

proibida pelo ordenamento jurídico; e obrigatoriedade, porque as pessoas devem respeitar a prática como

se fosse uma lei.

Quando nem a analogia, nem o costume podem ser utilizados para o preenchimento da lacuna na lei, o juiz

pode aplicar os chamados princípios gerais de direito. Os princípios gerais de direito são preceitos que não

estão necessariamente previstos de modo explícito pela norma jurídica, mas que são inerentes ao próprio

ordenamento jurídico do país. Eles são conceitos básicos sobre como deve funcionar a vida em sociedade,

independentemente de estarem ou não previstos em lei. Assim, os princípios gerais de direito são derivados

das idéias políticas e sociais em vigor, como se representassem o consenso da sociedade com relação a

quais valores e aspirações morais devem prevalecer em um determinado momento histórico.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Alguns princípios gerais de direito: a) moralidade; b) igualdade de direitos e deveres; c) proibição de

enriquecimento ilícito; d) função social da propriedade; e) ninguém pode transferir mais direitos do que tem;

f) a boa-fé é presumida e a má-fé deve ser provada; g) ninguém pode invocar a própria malícia; h) o dano

causado por dolo ou culpa deve ser reparado; i) autonomia da vontade e liberdade de contratar, entre

muitos outros.

Quando o juiz não encontra a solução para a lacuna da lei na analogia, nos costumes e nos princípios gerais

de direito, pode se valer da eqüidade para decidir o caso. A eqüidade é entendida como um princípio de

Direito Natural. Ela é uma forma de afastar o rigor da lei em determinadas hipóteses, ou seja, de se julgar

uma situação específica de forma mais flexível, buscando-se uma interpretação mais benigna e humana do

caso.

Como o julgamento por eqüidade pode até mesmo contrariar o que diz a lei, ela não pode ser aplicada

sempre. O próprio Código de Processo Civil estabelece, no artigo 127, que o juiz somente pode decidir por

eqüidade nos casos previstos em lei. Para que a eqüidade possa ser utilizada, é preciso que os seguintes

requisitos estejam presentes: a) a interpretação a ser adotada seja decorrência do sistema jurídico e do

direito natural; b) não exista, sobre aquela matéria que está sendo julgada, texto de lei claro e inflexível; c)

exista, realmente, uma omissão, defeito, ou uma exagerada generalidade da lei; d) não exista possibilidade

de resolver a questão aplicando-se as soluções comentadas anteriormente, ou seja, a analogia, os costumes

e os princípios gerais de direito; e) e, por fim, a elaboração da regra de eqüidade deve estar em harmonia

com o sistema jurídico.

A eqüidade tem por objetivo fazer com que o julgador encontre aquilo que for justo e razoável. Ou seja, ela

serve para fazer com que a finalidade da lei prevaleça sobre sua linguagem, e que entre as diversas

interpretações possíveis para o caso, encontre-se aquela que for mais benigna e humana.

O artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil estabelece que "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins

sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Isso significa que o juiz deve buscar o real objetivo

da lei e não se ater apenas ao texto dessa lei. Se uma mesma lei permite mais de uma interpretação, o juiz

deve escolher aquela que se apresente mais justa, ou seja, que atenda ao bem comum e à sociedade.

O artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil estabelece que "a lei em vigor terá efeito imediato e geral,

respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada". A definição de cada um desses

termos está na própria lei. Assim, ato jurídico perfeito, de acordo como parágrafo primeiro do artigo 6º, é o

ato "já consumado segundo a lei vigente, ao tempo em que se efetuou". Isso quer dizer que o ato jurídico

perfeito já se tornou apto a produzir os seus efeitos e, em razão disso, não é alterado pela existência de lei

posterior. Ou seja, a lei em vigor terá efeito imediato geral, atingindo os fatos futuros e não os fatos

passados. A lei nova não pode retroagir no tempo, para alcançar os fatos do passado, mas somente ser

aplicada para o futuro.

Isso ocorre para garantir a segurança jurídica, já que se uma nova norma considerasse como inexistente ou

inválido um ato já consumado que estava de acordo com a norma anterior, o direito adquirido que dele

decorre desapareceria, por falta de fundamento.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Em outras palavras, os direitos adquiridos decorrentes das leis anteriores seriam perdidos, o que causaria

desordem social. Direitos adquiridos são aqueles direitos que "o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer,

como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a

arbítrio de outrem". O direito adquirido é, portanto, o direito que já se incorporou definitivamente ao

patrimônio e à personalidade de seu tituilar, de forma que nem a lei, nem fato posterior