Aula de Dir. Civil II - 3º Período
16 pág.

Aula de Dir. Civil II - 3º Período

Disciplina:Direito Civil II6.537 materiais86.764 seguidores
Pré-visualização8 páginas
um deles pode exigir a dívida inteira e aquele que recebe sozinho passa a ser devedor dos demais. (art. 264 e art. 272CC).

Observação:
	Se na solidariedade existem vários devedores ela é chamada solidariedade passiva, e se existem vários credores é chamada solidariedade ativa, e sendo os dois polos múltiplos a solidariedade é mista.

	Em que pese as semelhanças, as obrigações indivisíveis e solidárias são bem diferentes.

Diferenças entre indivisibilidade e solidariedade

A causa da indivisibilidade é a indivisão da prestação, enquanto a causa da solidariedade está sempre na vontade da lei ou na vontade das partes. O art. 265 do CC esclarece que a solidariedade não se presume, resultando da lei, como no exemplo do art. 2º da lei 8245/41 – Lei do Inquilinato, que estabelece que havendo mais de um locatário ou mais de um locador existirá solidariedade passiva ou ativa, ou da vontade particular, hipótese em que o contrato deve conter uma claúsula expressa nesse sentido.

Se numa obrigação indivisível o bem perecer, e a obrigação se resolver em perdas e danos (dinheiro), ela perda a qualidade de indivisível (art. 263 caput do CC), e se transforma numa obrigação divisível, o que significa que o credor a partir daí só poderá cobrar a cota de cada devedor. Contudo, havendo uma cláusula de solidariedade, mesmo que a obrigação se resova em perdas e danos a solidariedade subsiste (art. 271 CC), o que significa que o credor permanece com a possibilidade de cobrar a dívida toda de um só devedor;

Como já dito antes, numa obrigação indivisível, a doutrina majoritária considera a existência de uma pluralidade de vínculos, ao contrário do que ocorre numa obrigação solidária em que para a maioria (corrente unitária) existe um vínculo único ligando os diversos credores ao devedor comum ou os vários devedores ao credor único. Nessa linha de raciocínio, a declaração de vontade emitida por qualquer um deles vale, a princípio para todos;

Na obrigação indivisível, havendo uma pluralidade de credores, o art. 260 do CC esclarece que o devedor que pagar a um só credor só se desonera exigindo uma caução de ratificação dos outros credores, o que não é necessário numa obrigação solidária em que a quitação assinada por apenas um dos credores libera o devedor do vínculo jurídico completamenrte art. 272 do CC.

Na obrigação indivisível com pluralidade de credores, se um desses credores perdoar a dívida, isto não vale para os demais, presumindo-se que ele perdoou apenas sua cota, o que significa que o devedor continua tendo qe cumprir a obrigação com relação aos demais credores. Ex.: Conselo deve um quadro específico eu valr cinco milhões de reais, a cinco pessoas. Se um dos credores perdoa a dívida, esse perdão só alcança o valor equivalente a sua cota (um milhão), e a Cobnsuela continua devendo o quadro aos outros 4 sujeitos. No entanto, considerando que o quadro, após a remissão, vale mais do que a Consuelo deve, a devedora só entrega o quadro se os demais credores a indenizarem no valor de um milhão. (art. 262 CC). Se nesse contrato houvesse uma cláusula de solidariedade, o perdão conferido por um dois credores valeria pra todos, de maneira que o devedor sestaria liberado do vínculo e o credor remitente teria a responsabilidade pelo valor em dinheiro equivalente a cota de cada um dos demais.

Rio, 14 de setembro de 2011

Continuação das Diferenças

A indivisibilidade deriva da própria natureza indivisivel da prestação ao contrário a solidariedade decorre da vontade da lei ou da vontade das partes, o que justifica os art. 276 e 270 do CC. Falecendo um dos devedores solidários, a solidariedade se extingue para os seus herdeiros, de maneira que a cota do falecido é deduzida da dívida e distribuída entre os herdeiros que só se responsabilizam, cada um deles pela parte correspondente ao seu quinhão na herança.

Ex.: Cinco pessoas devem cinco mil reais a Claudia, e um dos devedores falece deixando como herdeiros o João e a Maria. O João e a Maria só devem ser cobrados em quinhentos reais cada um, mas a solidariedade ainda existe com relação ao restante da dívida e os demais devedores. Entretanto, essa regra só é possível se a prestação for divisível, caso contrário, cada um dos herdeiros também fica responsável pelo todo.

Observação:

Se o credor executar o espólio do falecido (massa de bens do de cujos que forma um ente despersonalizado, mas com legitimidade processual ativa e passiva) poderá cobrar a dívida toda, como se o espólio fosse um devedor solidário. Art, 276

Havendo uma pluralidade de credores solidários, a linha de raciocínio não muda, como se pode compreender do art. 270 do CC.

Algumas Características da Solidariedade Passiva e Ativa

Art. 282, 283 , 284 e 388

 A solidariedade é uma garantia para o credor, o que significa que ele, querendo, pode abrir mão da solidariedade em favor de um devedor ou de todos .

Exemplo:
Cinco pessoas devem cinco mil a Claudia, que em determinado momento renuncia a solidariedade em favor de uma devedora, isso significa que a devedora beneficiada dali para frente só pode ser cobrada em um mil reais, mas com relação ao restante do débito, a solidariedade continua existindo para os demais.

Vale esclarecer entretanto, que o devedor solidário que paga tudo depois pode exigir dos outros o valor em dinheiro equivalente a cota de cada um, e se um deles for insolvente esse prejuízo deve ser suportado por todos os devedores, incluindo aquele antes exonerado da solidariedade. Art. 283 e 284CC

Diferente seria se um deles se um deles tivesse sido remitido, perdoado (remissão), pois nesse caso o devedor é exonerado do vínculo jurídico, o que significa que ele não faz mais parte da relação. Assim ele nada deve, e não tem que contribuir para nada. Art. 388 CC.

Exemplo:

Cinco pessoas devem cinco mil reais a Claudia, solidariamente, e uma delas é perdoada. A dívida cai para o valor de quatro mil reais, o que significa que a devedora remitida está fora da relação jurídica.

O art. 285 trata do que a doutrina chama solidariedade imprópria. A norma esclarece que se a dívida for de interesse exclusivo de um só ou seja se a dívida for inerente a apenas um dos devedores, se pertencer a ele exclusivamente, esse sujeito responderá por toda ela para com aquele que pagou no seu lugar.

Exemplo:

Caio era locatário de um imóvel e Mévil e Tício eram seus fiadores. No contrato havia cláusula estabelecendo que os fiadores assumiam a dívida solidariamente com o locatário. Caio se tornou inadimplente e o credor executou um dos fiadores que com base no 829 do CC, pagou o débito integralmente. Esse fiador tem o direito de exigir o reembolso de tudo que gastou apenas do Caio, verdadeiro devedor.

Embora a maior parte da doutrina considere a existência de um só vínculo na relação jurídica de solidariedade, a regra de que a declaração de vontade de um dos sujeitos se estende aos demais não é absoluta e comporta exceções, até porque essa regra só pode servir para beneficiar e não para prejudicar, o que justifica a redação do art. 278 CC.

Solidariedade Ativa

O art. 268 esclarece que na solidariedade ativa o devedor tem a opção de escolher a qual dos credores vai efetuar o pagamento, mas essa opção cessa quando, após o vencimento do débito, um dos credores promove contra ele uma demanda judicial. Nesse momento ocorre a chamada prevenção judicial, e a partir dai o devedor só pode pagar ao credor prevento, sob pena de não o fazendo ter de pagar novamente.

O art. 274 do CC explica que o julgamento que desfavorece a um dos credores solidários não atinge os outros.

Exemplo:
Se um dos credores entrar na justiça querendo provar a existência do débito, e não conseguir, nada impede que qualquer um dos demais credores possa tentar fazer o mesmo, já que aquela decisão naquela ação não amarra os outros credores ao contrário, a decisão que favorece gera proveito para todos eles, a não ser que o fundamento dessa decisão seja uma questão de ordem pessoa,l entre aquele credor, autor da ação, e o devedor.
Carregar mais