Aula de Dir. Civil II - 3º Período
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Aula de Dir. Civil II - 3º Período

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Claudia deve cinqüenta mil reais a cinco credores solidários. Não pagou o débito e o prazo de prescrição começou a correr. Faltando um ano para a dívida prescrever, Cláudia se casa com Mário, um dos credores. Depois de 10 anos eles se divorciam. Neste caso, se os outros credores deixaram a dívida prescrever, não poderão cobrar mais nada de Claudia, com exceção de Mário que depois do divórcio ainda tem um ano para exigir a prestação. Se ele promove uma ação dentro desse prazo e alcança uma sentença favorável essa decisão não beneficia os outros credores, e isso porque todas as causas de suspensão da prescrição (art. 197, 198 e 199) levam em consideração uma “exceção pessoal”, ou seja, uma circunstância de ordem pessoal entre o credor e o devedor, como no caso do casamento. Pó esse motivo o art. 201 corrobora essa idéia esclarecendo que a suspensão da prescrição em favor de um dos credores solidários não beneficia os demais, a não ser que a prestação seja indivisível. Ao contrário, a interrupção da prescrição promovida por um dos credores solidários beneficia todos na forma do art. 204 §1º.

TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

As obrigações são sempre suscetíveis de avaliação econômica, traduzindo riquezas, e por isso, em regra, são transmissíveis.

Existem três tipos de transmissão das obrigações: Cessão de Crédito, Cessão de Débito e Cessão de Contrato.

Cessão de Crédito

Crédito é bem integrante do patrimônio do seu titular, e por isso em regra, pode ser transferido, cedido, a título gratuito ou oneroso, salvo nas hipóteses das exceções descritas no art. 286CC. Como mesmo esclarece a norma, o contrato pode ter cláusula proibindo a cessão, e neste caso a cessão indevidamente feita não produz efeitos para o cessionário, aquele que recebeu o crédito, a não ser que ele não tivesse conhecimento dessa proibição, ou seja, a não ser que a cláusula proibitiva não constasse do contrato ou do título da obrigação.

A cessão não depende da anuência do devedor, mais tem de ser a ele notificada, para que possa efetuar o pagamento a pessoa certa, ao novo credor (cessionário – art. 290). Caso contrário o pagamento feito ao credor primitivo (cedente) libera o devedor (art. 292).

Rio, 19 de outubro de 2011

Após AV1... Continuando...

O art. 296 estabelece que o risco pela solvência do devedor é do cessionário, aquele que adquire o crédito, a não ser que o contrato contenha cláusula expressa por meio da qual o cedente assume essa responsabilidade.

A cessão de crédito pode ser “pro soluto” ou “pro solvendo”. No primeiro caso o cedente não se responsabiliza pela solvência do devedor, ao contrário do que ocorre no segundo caso.

O art. 295 do CC esclarece, entretanto, que o cedente, a princípio, é responsável pela existência do crédito ao tempo da cessão, isso significa que na hipótese de um crédito nulo, o cessionário tem direito de pedir de volta o preço que pagou pela cessão, com perdas e danos. Da mesma forma se o crédito era prescrito. Contudo, essa regra não se aplica as cessões gratuitas, salvo na hipótese de má-fé por parte do cedente.

O art. 294 permite que o cedido (devedor) possa opor ao cessionário “as exceções que lhe competirem”, ou seja, qualquer tipo de defesa contra o crédito, desde que seja uma exceção (defesa) geral, cabível contra qualquer credor. Ex. nulidade do crédito, prescrição.

as ao conhecimento da cessão por parte do devedor, ou seja, logo em seguida a sua notificação.

Cessão de Débito ou Assunção de Dívida
Ocorre quando o débito de uma determinada pessoa é transferido a outrem, ou seja, a cessão de débito acontece quando uma pessoa assume a dívida do devedor, motivo pela qual também é chamada assunção de dívida.

Está regulada no código a partir do art. 299, e depende da concordância expressa do credor, sob pena de não produzir efeitos. A assunção libera da obrigação o devedor primitivo, que não pode mais ser cobrado, salvo na hipótese prevista na parte final do caput do art. 299. A assunção pode ser feita por delegação ou por expromissão. No primeiro caso ela conta com o consentimento do devedor, que por vontade própria delega, transfere o seu débito a outrem. Neste caso, as partes têm de comunicar o credor assinando prazo para que ele concorde ou não com a assunção, interpretando-se o seu silêncio como recusa. A assunção por expromissão se dá sem a anuência do devedor, resultado de uma negociação direta entre o credor e o assuntor (aquele que substitui o devedor).

Considerando o princípio pelo qual o acessório segue o destino do principal (princípio da gravitação jurídica), o art. 300 esclarece que com a liberação do devedor primitivo da obrigação, se extingue também as garantias por ele anteriormente prestadas (garantias pessoais ou reais)

Observação:

Garantias pessoais também chamadas garantias fidejussórias, são aquelas em que uma determinada pessoa garante o débito de outra, como na hipótese do fiador e do avalista. Garantias reais são aquelas em que o devedor ou um terceiro destaca um bem do seu patrimônio, vinculando-o a dívida, de maneira que esse bem passa a responder pela obrigação.

Exemplos: penhor, hipoteca, etc.

O art. 300 confere as partes, contudo, a possibilidade de estabelecer no contrato clausula expressa vinculando à assunção as garantias prestadas pelo devedor primitivo, salvo na hipótese de fiança ou aval, pois nesses casos a permanência do fiador ou do avalista dependerá do seu próprio consentimento.

Obs.: estudar princípio da gravitação jurídica.

Cessão de Contrato

Ocorre quando um sujeito transfere toda a sua posição contratual para um terceiro, ou seja, não se transfere apenas o crédito ou o débito, mas todos os direitos e obrigações do contrato.

PAGAMENTO

Cumprimento da obrigação devida seja a obrigação de dar, de fazer ou não fazer.

Requisitos do Pagamento

Devedor

Credor

Vínculo jurídico entre os dois
Animus solvendi, ou seja intenção de pagamento.

A princípio quem tem de pagar o débito é o devedor, mas nada impede que um terceiro pague no seu lugar.

Observação:
O credor, a princípio, não pode recusar o pagamento feito por terceiro, salvo nas obrigações personalíssimas.

Pagamento feito por terceiro interessado ou não interessado

O terceiro interessado que paga a dívida se sub-roga nos direitos do credor, isso significa dizer que ele puxa para si todos os privilégios e garantias que o credor primitivo tinha no contrato, contra o devedor, art. 346, III. O terceiro não interessado que paga a dívida tem direito a reembolso, mas não a sub-rogação, art. 305.

Observação:
Vale acrescentar ainda que o reembolso do terceiro não interessado só é possível se ele efetua o pagamento em nome próprio, caso contrário, presume-se que praticou ato de mera liberalidade, e perde o direito a reembolso.

O terceiro interessado tem legitimidade ativa, para promover uma ação de consignação em pagamento em nome próprio (art. 304 caput), Mas o terceiro não interessado só pode promover essa ação em nome do devedor, com a sua autorização.

Observação:

A ação de consignação é cabível em algumas hipóteses, entre as quais, a recusa injusta do credor em receber.

Usucapião (tornar-se dono pelo uso)

Rio, 26 de outubro de 2011

O art. 308 esclarece que o devedor tem que pagar apenas ao credor ou ao seu representante, sob pena de ter que pagar novamente, salvo as hipóteses da parte final no mesmo dispositivo lega..

Excepcionalmente a lei valida o pagamento do devedor feito a uma pessoa errada

O recibo de quitação é a maior prova do pagamento, mas não é a única, já que a lei permite outros meios de prova, inclusive a testemunhal, observando-se a limitação imposta no art. 227 do CC.
Nos casos dos art. 309 e art. 311.

Observações

O art. 309 fala em pagamento feito ao credor putativo, que significa credor aparente. Ex.: o sujeito que, a princípio, é o único parente do seu tio avô, que acabou de falecer. Na qualidade de herdeiro, ele se subrroga no lugar do tio avô assumindo seu patrimônio inclusive um crédito que o falecido tinha contra alguém.
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