Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (64)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (64)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professora: Dra. Renata Aguiar

DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO

Capítulo 2 Aula 1

ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA,

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA,

INDIRETA E ENTIDADES PARAESTATAIS

Coordenação: Dr. Carlos Toledo

01

Organização Administrativa, Administração Pública Direta,

Indireta e Entidades Paraestatais

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Aula 1 - Organização administrativa e entidades da Administração direta e indireta

Tema 1 - Desconcentração e descentralização

Tema 2 - Administração direta e indireta

Tema 3 - Traços comuns das entidades da administração indireta

Tema 4 - Autarquias

Tema 5 - Fundações públicas

Para o estudo dos temas propostos, é necessário primeiramente fazer uma distinção entre desconcentração e

descentralização. Valendo-nos das lições do Prof. Celso Antonio Bandeira de Mello, temos que o Estado

tanto pode ele próprio desenvolver as atividades administrativas que a CF delegou, quanto pode

desempenhar essas atividades através de outras pessoas. Neste caso, ou o Poder Público cria por lei outras

pessoas jurídicas para desenvolverem determinadas atividades, ou transfere aos particulares o exercício de

tais atividades.

Quando o próprio Estado desempenha tais atividades ou quando por si mesmo presta determinados

serviços, ocorre o fenômeno da centralização. Nesse caso, ele atua diretamente por meio de seus órgãos.

No entanto, o Estado pode repartir, no interior da mesma pessoa, os seus encargos. Quando se diz que o

Estado distribui internamente as competências, ocorre a desconcentração. Pela desconcentração, todos os

órgãos e agentes continuam ligados por um vínculo de hierarquia, de subordinação. Em resumo, a

desconcentração é a distribuição interna de competências na mesma pessoa jurídica.

Por outro lado, quando o Estado desempenha as atividades ou presta serviços através de outras pessoas, que

dele são distintas, dá-se a descentralização. Assim, o Estado, ao descentralizar, atua indiretamente. Refere-

se aqui, portanto, a pessoas jurídicas distintas. De um lado, tem-se a Administração central e, do outro, a

pessoa jurídica descentralizada, que por lei vai assumir encargos.

Quando ocorre a descentralização, não há nenhum vínculo de hierarquia entre a Administração central e o

ente descentralizado. O que passa a existir é um controle ou tutela da Administração central em relação à

pessoa jurídica descentralizada, controle este previsto em lei. Ressalte-se que é o posto à hierarquia e refere-

se ao poder que a Administração Direta tem de influir sobre a pessoa descentralizada.

Vistos tais conceitos, pode-se melhor compreender como se estrutura a Administração Pública no Brasil, em

âmbito federal.

De acordo com os Decretos-leis 200/67 e 900/69, a organização administrativa da União foi dividida em

Administração Direta e Administração Indireta.

Aula 1

02

Em relação à Administração Direta da União, regula-se pela Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, que se

ocupa da organização da Presidência da República e dos Ministérios.

No tocante aos entes da Administração Indireta, de acordo com os citados Decretos-leis, verifica-se que é

composta por quatro entes, a saber: autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia

mista.

Para fins didáticos, primeiramente citam-se os traços comuns aos entes da Administração Indireta, para,

depois, diferenciá-los uns dos outros. Vale ressaltar que aqui há uma breve referência às características

comuns, porquanto foram mais detalhados na correspondente aula, inclusive com o embasamento dos

dispositivos constitucionais a que se referem.

Traços comuns aos entes da Administração Indireta:

 - Personalidade jurídica própria.

 - Criados e extintos por lei.

 - Estão sujeitas ao controle ou tutela do Estado.

 - Possuem órgãos próprios, patrimônio próprio e dirigentes próprios.

 - Dever de realizar licitação, em regra.

 - O ingresso dos seus agentes se faz por concurso público.

 - Proibição de acumulação de cargo, emprego e função.

 - Regime dos agentes públicos: no tocante às autarquias e fundações públicas, seus servidores são

estatutários. No que tange às empresas públicas e às sociedades de economia mista, seus agentes seguem o

regime da CLT.

 - Mandado de Segurança: as autoridades da Administração Indireta podem ser tidas como coatoras.

 - Ação Popular: é cabível contra todas as entidades da Administração Indireta.

 - Ação Civil Pública: todas as entidades da Adm. Indireta têm legitimidade ativa para propô-la.

Responsabilidade por danos causados a terceiros: deve-se fazer uma distinção entre as prestadoras de

serviços públicos e as exploradoras de atividade de natureza econômica. As pessoas jurídicas de Direito

Público e as de Direito Privado, que sejam prestadoras de serviços públicos, têm responsabilidade objetiva,

nos termos do art. 37, § 6º, da CF. Já as exploradoras de atividade econômica não têm responsabilidade

objetiva, mas respondem nos termos da lei civil.

Passa-se agora ao estudo de cada uma das entidades da Administração Indireta.

AUTARQUIAS

De acordo com o Prof. Celso Antonio Bandeira de Mello, as autarquias são pessoas jurídicas de direito

público, com capacidade exclusivamente administrativa. São prestadoras de serviços públicos. Para melhor

compreensão, verificar os exemplos citados em aula.

Características das autarquias:

 - Pessoas jurídicas de direito público.

 - Criadas por lei específica.

 - Prestam serviços públicos.

 - Seus bens são considerados bens públicos.

 - Prazos processuais mais dilatados.

 - Gozam do privilégio de imunidade aos impostos.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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03

 - Responsabilidade direta das autarquias e subsidiária do Estado pela solvência das obrigações.

 - Não se submetem ao regime falimentar.

 - Seus agentes estão submetidos ao teto remuneratório.

A competência para julgar as ações de que seja parte é da Justiça Federal.

FUNDAÇÕES PÚBLICAS

As fundações públicas são pessoas jurídicas de direito público, voltadas à prestação de serviços públicos,

com capacidade administrativa. Saliente-se que alguns exemplos de tais entes foram mencionados em aula.

É válido mencionar que o Decreto-lei 200/67 define as fundações como pessoas jurídicas de direito privado.

Contudo, tal definição foi bastante criticada, principalmente pelo Prof. Celso Antonio B. de Mello, que

apontou o equívoco da legislação, e, após a CF/88, a maioria da doutrina entende que se trata de pessoa

jurídica de direito público, e nesse sentido também já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal:

RE 127489/DF Rel. Min. Maurício Corrêa Publicação: DJ em 06/3/1998 "Embora o art. 109, I, da

Constituição Federal não se refira expressamente às fundações, o entendimento desta Corte é no sentido de

que a finalidade, a origem dos recursos e o regime administrativo de tutela absoluta a que, por lei, está

sujeita a entidade, fazem dela espécie do gênero autarquia, e, por isso, são jurisdicionadas à Justiça Federal,

se instituídas pelo Governo Federal." (grifos nossos)

Seguindo tais diretrizes, pode-se dizer que em tudo, portanto, as fundações se equiparam às autarquias, seja

referente ao regime jurídico, seja em relação às