Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (65)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (65)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professor: Dr. Flávio Tartuce

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 8 Aula 3

PROPRIEDADE II

FORMAS DE AQUISIÇÃO

E PERDA DA PROPRIEDADE MÓVEL

Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

A "Nova Propriedade" À Luz da Codificação Privada Emergente e da

Constituição Federal. Formas de Aquisição da Propriedade Imóvel.

A Usucapião. Propriedade I

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Como formas de aquisição originária da propriedade móvel, temos a ocupação em sentido amplo e a

usucapião. Como formas originárias, estudaremos a especificação, a comistão, a comissão, a adjunção, a

sucessão e a tradição. Vejamos tais institutos.

1. Da ocupação em sentido amplo ("Lato sensu").

Pelo art. 1.263 do nCC, a ocupação constitui o assenhoramento da coisa móvel sem dono, por não ter sido

ainda apropriada ("res nullius") ou por ter sido abandonada ("res derelictae"), não sendo essa apropriação

proibida pela lei. Não se confunde a coisa sem dono ou abandonada com a coisa perdida ("res perdita").

A ocupação em sentido amplo apresenta-se de três formas:

a) Ocupação propriamente dita ou em sentido estrito ("stricto sensu") tem por objeto seres vivos e coisas

inanimadas, envolvendo coisas de ninguém ("res nullius") e coisas abandonadas ("res derelicatae").

b) Descoberta no caso de coisas perdidas ("res perdita"), conforme tratamento específico que consta dos

arts. 1.233 a 1.237 do nCC. No caso de achado de coisa móvel perdida pelo dono, não se torna

proprietária a pessoa que a descobriu, devendo restituí-la a seu dono. Não sendo conhecido o dono, a coisa

deverá ser entregue às autoridades competentes. O único direito que assiste o descobridor é o de receber

uma recompensa chamada achádego, acrescida da indenização com a conservação e transporte da coisa.

Tal recompensa não poderá ser inferior a 5% (cinco por cento) do valor da coisa, conforme prevê a própria

legislação. No entanto o proprietário ao invés de pagar a importância pode optar em abandonar a coisa,

hipótese em que o descobridor poderá adquirir a propriedade da mesma.

c) Achado do tesouro tratado especificamente entre os arts. 1.264 a 1.266 CC. O tesouro é o depósito

antigo de moedas ou coisas preciosas, enterrado ou oculto, de cujo dono não haja memória. São regras

relacionadas com o tesouro:

- o proprietário acha o tesouro em seu imóvel: o bem pertence ao proprietário, exclusivamente;

- a pessoa achou o tesouro em terreno alheio e intencionalmente o procurava sem a permissão do

proprietário: o bem pertence ao dono do terreno;

- a pessoa acha o tesouro casualmente em terreno alheio: divide-se o bem em partes iguais, entre o dono do

prédio e a pessoa que o achou.

Aula 3

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2. DA USUCAPIÃO é também modo de aquisição originária de bens móveis, sendo seu fundamento o

mesmo que inspira a usucapião de bens imóveis, estando as diferenças nos prazos e formas. São formas de

usucapião de bens móveis:

A) Usucapião extraordinária (ART. 1.261 NCC):

- Posse de mansa, pacífica e com intenção de dono por 5 anos.

- Presunção absoluta ou "iure et de iure" da presença do justo título e da boa-fé.

B) Usucapião ordinária (art. 1.260 NCC):

- Posse mansa, pacífica em com intenção de dono por 3 anos.

- Justo título e boa-fé.

Aplicam-se à usucapião de móvel os disposto nos arts. 1.243 e 1.244 do NCC, a saber:

"Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar

à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos

do art. 1.242, com justo título e de boa-fé".

“Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam,

suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião".

3. DA ESPECIFICAÇÃO

Consiste na transformação da coisa móvel em espécie nova, em virtude do trabalho ou da indústria do

especificador, desde que não seja possível reduzi-la à sua forma primitiva (art. 1.269 do nCC). Há

especificação nos casos envolvendo a escultura em relação a um bloco de pedra; a lapidação de pedra

preciosa, a pintura em relação à tela (art. 1.270, §2º).

Se toda a matéria-prima for de outrem, a coisa nova pertencerá ao especificador se ele estiver de boa fé. Se

estiver de má fé, perderá a coisa nova em favor do dono do material. Caso o valor da matéria prima seja

superior ao trabalho efetuado pelo especificador, a coisa será do dono da primeira, desde que indenizado o

segundo pelo trabalho efetuado.

4. Da confusão, comistão e Adjunção.

Antes de mais nada, interessante esclarecer que consta em muitos Códigos publicados a expressão

"comissão", quando o certo é "comistão" (seção IV, antes do art. 1.272 NCC). Houve um erro gráfico na

elaboração final do novo Código, o que será corrigido pelo Projeto 6.960/02 (Projeto Ricardo Fiúza). Os três

institutos jurídicos estão presentes quando coisas pertencentes a pessoas diversas se mesclam de tal forma

que é impossível separá-las, das seguintes formas:

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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a) Confusão real - mistura entre coisas líquidas ou gases, não devendo ser confundida com confusão de

dívidas, instituto obrigacional e forma de pagamento indireto presente quando credor e devedor são a

mesma pessoa (arts. 381 a 384 do nCC). Exemplos de confusão real: misturas entre água e vinho; entre

álcool e gasolina, de nitroglicerina (TNT).

b) Comistão - mistura de coisas sólidas ou secas, caso de areia e cimento.

c) Adjunção - justaposição ou sobreposição de uma coisa sobre outra. Exemplos: tinta em relação à parede,

selo valioso em álbum de colecionador.

5. DA TRADIÇÃO

A tradição ("traditio rei") consiste na entrega da coisa móvel ao adquirente, com a intenção de lhe transferir o

domínio. Conforme já dissemos, o contrato, por si só, não é apto para transferir o domínio. Só com a

tradição é que essa declaração se transforma em direito real. A tradição pode ser assim classificada:

- Tradição real: pela entrega efetiva e material da coisa.

- Tradição Simbólica: por ato representativo que traduz a alienação, como no caso da entrega de chaves de

um imóvel.

- Tradição ficta: por tradição presumida, já que a tradução real é impossível. Ocorre o constituto possessório

ou cláusula "constituti", situação em que a pessoa possuía em nome próprio e passa a possuir em nome

alheio. Além do constituto possessório interessante lembrar dois outros conceitos relacionados com a

tradição ficta:

- "traditio brevi manus": situação em que a pessoa possuía em nome alheio e passa a possuir em nome

próprio.

Trata-se de hipótese oposta ao constituto possessório. Exemplo: locatário que compra o imóvel que ocupa.

- “traditio longa manus" quando a coisa é posta à disposição do adquirente, por ser impossível a entrega

manual. Exemplo: máquinas de grande porte que são colocadas à disposição do comprador.

6. Sucessão ou Direito Hereditário

O direito sucessório pode ainda gerar a aquisição da propriedade móvel, seja a sucessão legítima ou

testamentária em sentido genérico (testamento, legado ou codicilo).

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como