Direito Administrativo (48)
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PREPARATÓRIO PARA OAB
Professora: Dra. Renata Aguiar
DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO
Capítulo 9 Aula 3 
SERVIÇOS PÚBLICOS
Coordenação: Dr. Carlos Toledo
01
Parte III - Serviços Públicos: 
Regime Jurídico das Concessões e Permissões
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Tema 1 - Direitos do concessionário
Tema 2 - Direitos do usuário
Tema 3 - Formas de extinção
Tema 4 - Responsabilidade do concessionário perante terceiros
Tema 5 - Permissão de serviços públicos
Na aula anterior, foram mencionados aos poderes do concedente. Frente a isso, serão vistos aqui os direitos 
do concessionário. 
Perante o poder concedente, os direitos do concessionário resumem-se apenas à parte contratual da 
concessão, dizendo respeito à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, bem como lhe assegurando 
que não será exigido o desempenho de atividade estranha ao objeto da concessão, pois é este objeto que 
identifica o contrato.
No tocante à remuneração do concessionário, esta se dá através de tarifas e de fontes alternativas, desde 
que estejam previstas no edital e no contrato. O mais importante a ser mencionado é que a remuneração 
deve atender ao equilíbrio econômico-financeiro do concessionário, ou seja, no ato de concessão é 
elaborado um termo de equilíbrio entre os encargos do concessionário e a retribuição que lhe caberá pela 
execução do contrato.
Deve haver, portanto, uma equivalência, uma igualdade entre concedente e concessionário, de forma que 
este último não tenha que suportar acréscimo de encargos sem a correspondente compensação pecuniária. 
Uma vez modificadas as condições da concessão, o concessionário terá direito às compensações 
pecuniárias que restabeleçam o equilíbrio inicial, para assegurar seu lucro inicialmente previsto.
Em virtude disso, se o Poder Público agravar os seus encargos, o concessionário terá a proporcionalidade da 
equação atingida de forma tal que os termos de igualdade fixados inicialmente vão estar comprometidos. 
Claro que aqui, em se tratando de concessão de serviços públicos, existe uma proteção ao equilíbrio 
econômico-financeiro menos ampla do que a existente na maioria dos contratos administrativos, porque o 
concessionário não está imune a eventuais prejuízos ou mesmo ao insucesso de seu próprio 
empreendimento quando venha a suportar os riscos normais dos negócios. Por isso é que a lei garante tal 
direito, mas este não é absoluto perante o Poder Público. Deve, antes, ser avaliada a situação que gerou o 
desequilíbrio para, então, verificar se existe a necessidade de contrapartida.
É importante lembrar que a receita do concessionário provém basicamente das tarifas que ele cobra 
diretamente dos usuários, mas isso não exclui a previsão de outras fontes de recurso que ajudam a compor a 
remuneração. No entanto, as tarifas são, via de regra, a remuneração básica do concessionário. 
Aula 3
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De acordo com o art. 6º, parágrafo 1º, da Lei 8.987/95, as tarifas devem ser módicas, acessíveis aos 
usuários, de forma que não os onere, porque o serviço público é uma necessidade dos administrados. Por 
isso mesmo é que muitas vezes o Poder Público subsidia as tarifas.
Quanto aos direitos dos usuários, estes possuem o direito à prestação do serviço, inclusive de escolher dentre 
os vários prestadores, se assim puderem, nos termos do art. 7º, Inciso III, da lei.
Por outro lado, como já ressaltado, o concessionário não lhes poderá negar ou interromper a prestação, pois 
fica assim obrigado pelo princípio da continuidade do serviço público, e, caso venha a infringir esse 
princípio, o usuário pode até se valer das vias judiciais para exigir a permanência do serviço adequado.
Em relação à extinção da concessão de serviços públicos, o art. 35 da Lei 8.987/95 elenca seis maneiras 
pelas quais pode ser extinta a concessão, a seguir reproduzidas:
I advento do termo contratual;
II encampação;
III caducidade;
IV rescisão;
V anulação; e
VI falência ou extinção da empresa concessionária e falecimento ou incapacidade do titular, no caso de 
empresa individual.
Apenas para realçar as diferenças existentes em ambos os institutos, é importante mencionar que a 
encampação ou resgate trata-se de extinção por ato unilateral do concedente, no decorrer do prazo 
inicialmente fixado, por motivo de conveniência e oportunidade administrativa, sem que o concessionário 
tenha concorrido para isso.
Difere, portanto, da caducidade ou decadência, pois, embora também aqui se trate de extinção unilateral da 
concessão por ato do concedente, este, quando a encerra antes da conclusão do prazo fixado, o faz em 
virtude da inadimplência do concessionário, que não cumpre suas obrigações como deveria, violando, 
portanto, as cláusulas do contrato.
No caso de haver caducidade, é necessário que antes tenha sido averiguada a inadimplência do 
concessionário em processo administrativo, de acordo com o art. 38, parágrafo 2º, da lei das concessões e 
permissões. 
No que se refere à responsabilidade do concessionário, quando este vier a causar danos a terceiros em razão 
do serviço, tendo em vista que este administra o serviço por sua conta e risco, se vier a causar prejuízo a 
terceiros, quando no exercício de sua atividade, terá responsabilidade objetiva, de acordo com o que dispõe 
o art. 37, § 6º, da Constituição Federal.
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Isso significa que esta responsabilidade prescinde de dolo ou culpa da pessoa jurídica, bastando, para estar 
configurada, a relação de causa entre o fato praticado e o dano produzido. Tal regra vale também para as 
permissionárias de serviços públicos.
As permissões de serviços públicos estão previstas no art. 40 da lei 8.987/95; porém, vale ressaltar que a 
permissão, diferentemente da concessão, não é contrato, como erroneamente faz supor o dispositivo legal.
A maioria da doutrina e da jurisprudência conceitua a permissão como sendo um ato administrativo, e não 
um contrato. É aí que reside a grande diferença entre a permissão, que é um ato, e a concessão, que tem 
natureza contratual.
Maria Sylvia Zanella Di Pietro esclarece, no tocante ao instituto, que "a permissão de serviço público é, 
tradicionalmente, considerada ato unilateral, discricionário e precário, pelo qual o Poder Público transfere a 
outrem a execução de um serviço público, para que o exerça em seu próprio nome e por sua conta e risco, 
mediante tarifa paga pelo usuário."
Assim, pode-se verificar duas diferenças marcantes: a primeira se refere à forma de constituição, pela qual a 
concessão decorre de acordo de vontades, o que configura a própria natureza de contrato, ao passo que a 
permissão é ato unilateral, expedido pelo Poder Público; e a segunda diferença diz respeito à precariedade, 
existente na permissão, pois a qualquer momento o Poder Público pode revogá-la, sem direito à 
indenização, e não existente na concessão.
Por fim, pode-se extrair, do conceito formulado Maria Sylvia Z. Di Pietro, as seguintes características da 
permissão de serviços públicos:
Di Pietro, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 18ª edição. São Paulo, Atlas, 2005, pág. 284.
1) a doutrina e a jurisprudência amplamente majoritárias tratam da permissão