Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (69)
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Hisória do Direito Brasileiro - Apostila (69)


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PREPARATÓRIO PARA OAB
Professor: Dr. Flávio Tartuce
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL
Capítulo 4 Aula 4 
TEORIA DO PAGAMENTO 
DO PAGAMENTO DIRETO
 
Coordenação: Dr. Flávio Tartuce
01
1. Conceito e Elementos Subjetivos.
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Uma das principais formas de extinção das obrigações se dá pelo pagamento direto, expressão sinônima de 
solução, cumprimento, adimplemento, implemento ou satisfação da obrigação. São elementos subjetivos 
do pagamento direto: 
- "SOLVENS" - a pessoa que deve pagar, ou "de quem deve pagar", conforme prevê o Código Civil atual. 
Regra geral, o "solvens" será o devedor. Entretanto, também podem pagar, além do próprio sujeito passivo da 
relação obrigacional:
A) Terceiro interessado na dívida - interesse patrimonial. Exemplo: fiador que paga a dívida do devedor 
principal. 
B) Terceiro não interessado na dívida - que tem interesse afetivo é considerado terceiro não interessado. 
Exemplo: pai que paga a dívida do filho. 
- "ACCIPIENS" - É a pessoa "a quem se deve pagar", conforme prevê o Código Civil de 2002. Regra geral é o 
credor, ou o seu representante, que tem poderes para receber o pagamento. Segundo prevê o artigo 309 
do Código Civil, válido será o pagamento ao credor putativo, aquele que aparentemente tem poderes para 
receber, havendo boa-fé do devedor. 
2. OBJETO E PROVA DO PAGAMENTO DIRETO.
Pela interpretação do art. 313 do Código Civil atual, podemos dizer que o objeto do pagamento é a 
prestação, podendo o credor se negar a receber o que não foi pactuado, mesmo sendo a coisa mais valiosa. 
De acordo com o art. 314 do nCC, mesmo sendo a obrigação divisível, não pode ser o credor ser obrigado 
a receber, nem o devedor a pagar em partes, salvo previsão expressa em contrato. Pelo art. 315 do nCC, as 
dívidas em dinheiro devem ser pagas em moeda nacional corrente e pelo valor nominal. 
O devedor que paga tem direito à quitação, fornecida pelo credor e consubstanciada em um documento 
conhecido como recibo. Constitui a quitação prova efetiva e pagamento; um documento pelo qual o credor 
reconhece que recebeu o pagamento e exonera o devedor da relação obrigacional. 
Aqui, interessante transcrever o entendimento do Enunciado nº 18, aprovado pela Jornada de Direito Civil, 
promovida pelo Conselho da Justiça Federal, pelo qual "A 'quitação regular', referida no art. 319 do novo 
Código Civil, engloba a quitação dada por meios eletrônicos ou por quaisquer formas de 'comunicação à 
distância', assim entendida aquela que permite ajustar negócios jurídicos e praticar atos jurídicos sem a 
presença corpórea simultânea das partes ou dos seus representantes".
Aula 4
02
Deve ter a quitação os elementos previstos no artigo 320 do Código Civil, a saber:
A) elaboração de um instrumento particular;
B) valor expresso da obrigação;
C) especificidade da dívida quitada; 
D) identificação do devedor ou de quem paga no seu lugar;
E) tempo e lugar de pagamento; 
F) assinatura do credor ou o seu representante dando quitação total ou parcial. 
Estes elementos, contudo, não são obrigatórios. O importante é a prova de que o valor pago foi revertido a 
favor do credor. 
Importante lembrar que a quitação dada, referente a última prestação ou quota periódica faz presumir a 
quitação das anteriores, salvo prova ou previsão em contrário no contrato ou instrumento (art. 322 do nCC). 
Trata-se portanto de uma presunção relativa, "iuris tantum", que admite prova em contrário. 
3. DO LUGAR DO PAGAMENTO DIRETO.
O lugar de pagamento "é o local do cumprimento da obrigação, em regra estipulada no título constitutivo do 
negócio jurídico, ante o princípio de liberdade de eleição" (DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil 
Brasileiro. Volume 2. SP: Saraiva, 2002, p. 223). 
Regra geral, portanto, os instrumentos obrigacionais estipularão o domicílio onde as obrigações deverão ser 
cumpridas, determinando também, de forma implícita, a competência do juízo onde a ação será proposta, 
em caso de inadimplemento da obrigação. 
Conforme a nossa aula anterior, o que deve ser repetido, quanto ao lugar de pagamento, a obrigação pode 
assim ser classificada:
- Obrigação Quesível ("quérable") - situação em que o pagamento deverá ocorrer no domicílio do devedor. 
Constitui regra geral. 
- Obrigação Portável ("portable") situação em que se estipula, por força do instrumento negocial, que o 
local do cumprimento da obrigação é o domicílio do credor ou de terceiro. 
Duas regras novas devem ser observadas quanto ao lugar de pagamento:
"Art. 329: Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado, poderá o 
devedor fazê-lo em outro, sem prejuízo para o credor".
"Art. 330: O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente 
ao previsto no contrato".
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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 O primeiro dispositivo relativiza a força obrigatória do contrato ("pacta sunt servanda") diante da função 
social do contrato (art. 421 do nCC). O segundo também relativiza o mesmo princípio, diante da boa-fé 
objetiva (art. 422 do nCC). 
4. DO TEMPO DO PAGAMENTO.
O vencimento é o momento em que a obrigação deve ser satisfeita, cabendo ao credor a faculdade de 
cobrá-la. Assim, o vencimento, tempo ou data de pagamento pode ser fixada pelas partes, por força do 
instrumento negocial. 
O credor não pode exigir antes do vencimento a satisfação obrigacional; muito menos o devedor pagar, 
após a data prevista, sob pena de caracterização da mora (atraso) ou do inadimplemento absoluto. 
Não se ajustando época para pagamento, o credor pode exigi-lo imediatamente. Regra geral, portanto, a 
obrigação é instantânea.
Além dessa regra, sendo a obrigação de execução diferida ou continuada, o Código Civil (art. 333) prevê 
que o credor pode cobrar a dívida antes de vencida, no caso de:
A) abertura de concurso creditório contra o devedor, como ocorre nos casos de falência, concordata ou 
insolvência civil;
B) os bens dados em garantia real (hipoteca, penhor e anticrese) serem penhorados em execução por outro 
credor;
C) cessarem ou tornarem-se insuficientes as garantias reais ou fidejussórias - fiança e aval -, negando-se o 
devedor principal a reforçá-las. 
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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