Apostila-Classicos-Sociologia
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Com o tempo, a noção protestante de que o trabalho enobrece e o ócio e a 
preguiça são pecados se expande por outras culturas e religiões, passando a fazer 
parte de diversas classes sociais e culturas. 
 
3. A burocracia 
 Weber considerava que a sociedade moderna atravessava um processo de 
racionalização, em que todas as áreas adquiriam o caráter racional e científico. O 
fenômeno social que representa essa racionalização é a burocracia moderna, o 
governo de repartições. 
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 Ao analisar a instituição burocrática, Weber percebeu que essa ação racional 
orientada para os fins passou a fazer parte da vida moderna e a penetrar em todas 
as atividades. A burocracia existiu em outros sistemas, mas nas sociedades 
modernas ela assume três características essenciais: 
a. Sistemas regulados por normas formais, o que torna o comportamento dos 
funcionários previsível e controlado. 
b. Impessoalidade, cargos e não pessoas tomam as decisões.valores e 
preferências não devem intervir. 
c. O burocrata tem uma especialidade técnica. 
 Weber esclareceu que a burocracia é um sistema social que se aproxima dos 
ideais democráticos, pois promove a igualdade de oportunidades e premia o mérito 
pessoal. No entanto, apesar dos processos administrativos mais transparentes da 
burocracia, o intenso crescimento da racionalidade penetra em todas as áreas e 
gera uma excessiva especialização, construindo um mundo cada vez mais 
intelectual e artificial, sem criatividade e originalidade, guiado por normas e 
regulamentações. 
 No mundo contemporâneo todas as instituições se tornam empresas, com 
padrões sofisticados e previsíveis, com planejamento e metas. Há um preço a ser 
pago: a perda da autonomia e criatividade dos indivíduos. 
 
 Concluindo, Weber prioriza o papel dos atores e as suas ações individuais. 
A sociedade deve ser entendida a partir desse conjunto de interações sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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III - KARL MARX (1818-1883) 
 
Sua obra 
 A obra de Marx é resultado de um contexto sócio-político específico, 
resposta aos problemas colocados pela sociedade burguesa e, também, propõe a 
intervenção e transformação dessa sociedade. 
 Não podemos confundir a obra de Marx com o Marxismo. Na verdade não 
existe um Marxismo, mas vários, ou seja, são várias as interpretações dadas de 
suas teorias e variam em função do interesse e do momento histórico em que se 
quer aplicá-las. 
 Marx desenvolveu uma teoria da história e analisou a sociedade capitalista, 
de forma crítica, original e estruturada, apresentado aspectos práticos para 
transformação dessa realidade. A sua obra fundou um modo original de pensar a 
sociedade burguesa e a sua dinâmica, que incluía a revolução socialista. 
 Enquanto o positivismo se preocupava com a manutenção da ordem 
capitalista, Marx vai realizar uma crítica profunda e radical da sociedade, ressaltando 
suas contradições e antagonismos. 
 A Sociologia traz no bojo de sua formação duas tradições diferentes: a 
conservadora, que se identifica com os valores e os interesses da classe dominante, 
e a revolucionária, que se compromete com a crítica e a transformação da 
sociedade. Esse pensamento crítico surge na tradição da obra de Marx. 
 
Condições históricas 
 Marx nasceu na Alemanha, filho de advogado em uma família abastada. 
Inicialmente cursou Direito, mas optou por Filosofia, tornando-se doutor. 
 Marx abandonou a vida universitária, trabalhou em um jornal de tendência 
liberal, onde foi editor. Depois se transfere para Paris, onde conhece F. Engels, com 
o qual desenvolveu intensa atividade política e teórica até o final da vida. Entrou em 
contato com setores mais radicais do movimento operário e realizou um intenso 
trabalho político e teórico, até ser expulso. Foi para Bruxelas, continuando sua 
atuação junto ao movimento operário, sendo novamente expulso. Retornou a Paris e 
depois para Alemanha, de onde foi expulso e, em 1949, aos 30 anos, seguiu para o 
seu último exílio, a Inglaterra, onde morreria em 1883. 
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Seu pensamento 
 Marx articulou um modo radicalmente novo de pensar a sociedade, por meio 
de crítica e reflexão rigorosa. Seu pensamento se desenvolveu ancorado na 
experiência, permeadas de vitórias e derrotas, que o movimento operário e popular 
da época acumulava, nas lutas sindicais e políticas do século XIX. 
 Marx, sempre preocupado com a teoria e a prática, elaborou um conjunto de 
idéias inovadoras: o materialismo histórico, a teoria econômica e a proposta de 
transformação, o socialismo científico. 
 Para ele, a função da Sociologia não era solucionar os problemas sociais e 
estabelecer a ordem, segundo os positivistas. Ao contrário, a Sociologia deveria 
contribuir para a transformação da sociedade, ao proporcionar uma análise crítica e 
desmistificadora da realidade capitalista. 
 Marx foi extremamente original em sua obra, tendo fundamentado seus 
estudos em Hegel, no pensamento socialista francês e inglês e nos economistas 
clássicos Adam Smith e David Ricardo. 
 
Seu método 
 O materialismo pressupõe, de modo geral, que a produção material de uma 
sociedade constitui o fator determinante da organização social e política de uma 
época. Assim, a base material (econômica) exerce influência direta nos outros níveis 
da realidade: Estado, instituições jurídicas, políticas, religião, moral. 
 Por meio da dialética, Marx explicou as significativas transformações da 
história da humanidade através dos tempos. Ao estudar determinado fato histórico, 
ele procurava seus elementos contraditórios, buscando encontrar aquele elemento 
responsável pela sua transformação num novo fato, dando continuidade ao processo 
histórico. 
 Marx elaborou um esquema teórico sobre a história da humanidade, 
desenvolvendo o método materialismo histórico. Segundo sua teoria da história, 
as sociedades encontravam-se em constante transformação e o motor da história 
era os conflitos e as posições entre as classes sociais. Assim, o movimento da 
história possui uma base material, econômica e obedece a um movimento dialético. 
E conforme muda esta relação, mudam-se as leis, a cultura, a literatura, a educação, 
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as artes. Em outras palavras, a estrutura de uma sociedade reflete a forma como os 
homens se organizam para a produção social de bens. 
 
Sua teoria 
 Segundo Marx, para conhecer a realidade era preciso compreender a relação 
dos homens com o mundo material. Também, era preciso compreender como esse 
mundo material e as idéias a ele relacionadas se transformavam e transformavam a 
realidade. 
 Para ele, a sociedade tem contradições e conflitos e, são essas contradições 
e conflitos que garantem sua transformação. Cada época histórica tem seus 
conflitos e contradições. Para entendermos uma sociedade é preciso compreender 
seus conflitos e suas contradições. 
 A chave para a compreensão da trama social é a organização do trabalho e 
as relações estabelecidas entre os homens no mundo da produção. Ou seja, é na 
vida material que tudo acontece. A política, a cultura, a justiça, a religião refletem 
esse conflito. 
 Na produção social de sua vida, os homens contraem determinadas relações 
\u2013 são as relações de produção. Essas relações são necessárias e independentes 
da vontade humana. O conjunto das relações de produção forma a estrutura 
econômica da sociedade, a base real, a base econômica de uma determinada 
sociedade. Sobre essa base real se levanta a superestrutura jurídica, política e 
espiritual. 
 
\u201cnão é consciência do homem que determina sua existência, pelo contrario, é 
sua existência que determina sua consciência.\u201d(Marx) 
 
 As relações de produção, marcadas pela existência de classes sociais com 
posições e interesses antagônicos, desenvolvem relação de conflito e esse conflito é 
a mola propulsora das transformações