FICHAMENTO PARA ÉTICA CRISTÃ
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FICHAMENTO PARA ÉTICA CRISTÃ


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FICHAMENTO PARA ÉTICA CRISTÃ
O Homem Integrado
Organizado por: 
Alfonso Garcia 
Rubio
CAPÍTULO 4
 (escrito por Olga Caro)
: Pressupostos epistemológicos para uma visão de sujeito integral
	Inicialmente, o conceito de subjetividade e do indivíduo são abordados, enfatizando a importância de uma identidade e de um ser humano ético, sólido e ético que aja de forma independente e única; este ser também é conhecido com um \u201csujeito integral\u201d. O resgate da subjetividade pode ser feito de diversas formas, contudo a que será utilizada neste capitulo é a epistemológica. Isso fica evidente ao analisar o título do capítulo: \u201cpressupostos epistemológicos para uma visão de sujeito integral\u201d.
	Ao começar pela \u201cvisão dualista de ser humano\u201d, contextualizando-nos à América Latina e nossa realidade, pode-se observar um esquecimento deste tal \u201csujeito integral\u201d. A racionalidade tem amplo domínio, deixando de lado o afeto e o misticismo. Há diversos estudos e esforços para recuperar essas outras dimensões que foram esquecidas por nós. 
	Para compreender melhor nossa situação, deve haver uma coexistência da teoria e da prática. Só assim poderemos realizar uma análise profunda e comparar o que \u201cdeveria ser\u201d com o que \u201crealmente acontece\u201d, acarretando em uma verdadeira transformação social. 
	O afeto tem maior impacto em termos sociais e nas relações entre os humanos. Em contrapartida, o misticismo e as celebrações unem a teologia à espiritualidade. É preciso transformar sujeito-consciência-conhecimento em sujeito-consciência-conhecimento-afetividade-liberdade-compromisso usando os conceitos epistemológicos. Assim, podemos transmitir as idéias que circulam na esfera do pensamento para ações que contribuam para toda sociedade e universo. 
	Utilizando o conceito de introspecção de Lonergan, os sujeitos devem \u201cobjetivar os conteúdos da consciência\u201d. Para isso, é necessário que nossa percepção fuja apenas da razão científica, passando a considerar os nossos sentidos, características do intelecto como insights e no nível responsável, aonde fazemos avaliações de nossa razão e decidimos o melhor caminho. Resumindo os quatro níveis: o ser humano precisa experimentar, entender, julgar e decidir de forma apropriado e realista. Há de haver coerência em nossos níveis de coerência, pois cada uma dessas etapas segue uma ordem cronológica. Por exemplo, não pode-se entender sem haver experimentado. Portanto, é preciso conhecer a natureza de nossos conhecimentos e tentar expandir seus limites, sempre visando o bem geral e baseando-se em princípios éticos. 
	A auto-apropriação da consciência intencional nos possibilita encarar a realidade com fundamentos formados pelos quatro níveis da consciência. Este fenômeno cria um dinamismo, que quando interiorizado, torna-se próprio de cada indivíduo e pode estagnar em uma transformação existencial. Quando aperfeiçoamos o \u201ceu\u201d, podemos compreender melhor a realidade e buscar um significado para nossas vidas e tudo que a cerca, aprimorando nossas decisões existenciais e fazendo do mundo uma realidade integral. 
	Por mais que os sentimentos e valores tenham influência em nossa experimentação, uma vez que normalmente procuramos aquilo que nos interessa e compreendemos os eventos muitas vezes usando sentimentos, o \u201cdecidir\u201d é aonde ocorre o maior fluxo de sentimentos. Em um mundo baseado na razão, os sentimentos e afetos muitas vezes acabam sendo um fator motivacional para nosso viver. 
	O bem humano pode ser compreendido como a combinação de valores e ações pessoais que contribuam para um desenvolvimento geral da humanidade. Há três tipos de bens: pessoal, social e último. O bem pessoal consiste não somente em realizar o de cada indivíduo, mas também possibilitar que todos realizem os seus. Consequentemente, isso gera também o bem social, que é refletido em instituições sociais como educação, igreja e família. Já o bem último avalia a autenticidade dos bens particulares e sociais de um indivíduo, julgando se estes foram feitos por motivos nobres ou por interesses alheios. 
	Os valores podem se encaixar nas seguintes categorias: vitais, sociais, culturais, pessoais e religiosos. A autotranscêndencia cognitiva e a moral chegam ao ápice quando o ser humano se enamora. Isso só é possível quando se está cercado do amor de Deus, tornando-o o bem o ponto central de vida do indivíduo. Este encontro com Deus não depende do nosso conhecimento, status ou aparência; apenas dos nossos valores e da fé. O ato de enamorar-se é algo consciente, porém o conhecimento a ser alcançado é infinito. 
	Como foi ensinado anteriormente, o indivíduo precisa conhecer bem a si próprio, para depois conhecer seus arredores e, finalmente, a vida como um todo. Para isso, precisamos fazer uma análise vertical que nos permitirá mudar nossos horizontes. Temos que explorar nossa consciência para expandir nossa auto-apropriação deles e tornarmos seres humanos mais evoluídos. 
Após desvendar as contradições sobre \u201co que é conhecimento\u201d, pode-se livrar de paradigmas rígidos e tornar-se mais livre. Assim, há maiores chances de conseguir realizar a \u201cconversão\u201d. Somente assim pode-se modificar intensamente o \u201ceu\u201d e a forma como enxergamos o mundo. Há conversões intelectuais, morais e religiosas. Cada uma possui características peculiares: a intelectual tem como objetivo buscar a estrutura do conhecimento e quebrar seu dualismo; a moral consiste em escolher os valores corretos e hierarquizá-los de forma sustentável; e a religiosa é a experiência de se enamorar com Deus, que foi previamente descrita com vasta consistência. A combinação das três chama-se a \u201ctríplice conversão\u201d. 
Portanto, pode-se observar como o sujeito integral é visto em termos epistemológicos. O ser humano precisa encarar a vida como uma obra de arte e em sua passagem precisa agir como um artista para tentar transformar o mundo na mais bela das obras primas.