20 - Prolapso Genital e Incontinência urinária
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20 - Prolapso Genital e Incontinência urinária


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índices de retenção
urinária. Por isso, ficam reservadas para os casos de defeito
esfincteriano, para as pacientes obesas e com DPOC.
Novas técnicas para o tratamento da IUE vêm sendo
desenvolvidas. A utilização de faixas suburetrais (TVT, Sparc,
Safyre) de material sintético auto-aderentes, sem a utiliza-
ção de fios ou de tensão, têm obtido bons resultados, compa-
ráveis aos das cirurgias de Burch e slings. Têm como vantagem
poderem ser feitas sob anestesia local, com a paciente rece-
bendo alta no mesmo dia ou, no máximo, após 24 horas. As
faixas podem ser colocadas em posição retropúbica, necessi-
tando também da visualização da bexiga após a sua coloca-
ção, ou, mais recentemente, pré-púbicas e transobturatórias
(através do forame obturador), abolindo o riso de lesão vesi-
cal e, portanto, tornando desnecessária a cistoscopia.
Em casos de defeito esfincteriano, estão indicados os
procedimentos tipo sling ou as faixas suburetrais sintéticas.
Pacientes com contra-indicação ao ato anestésico ou
que não desejem tratamento cirúrgico podem beneficiar-se
também das injeções peri-uretrais.
Bexiga HiperativaBexiga HiperativaBexiga HiperativaBexiga HiperativaBexiga Hiperativa
A síndrome da bexiga hiperativa é um complexo de sinto-
mas que, embora sugestivos de hiperatividade do detrusor,
podem também se dever a outros tipos de disfunção uretrove-
sical. Tal síndrome pode ou não estar relacionada à hiperativi-
dade do detrusor demonstrável durante o estudo urodinâmico.
A presença de sintomas de urgência, com ou sem urge-
incontinência, habitualmente associada à freqüência e à
noctúria, podem ser descritas como síndrome da bexiga
hiperativa, síndrome de urgência ou síndrome de urgência-
freqüência. Estes termos são utilizados somente se não hou-
ver infecção ou qualquer outra doença do trato urinário.
A hiperatividade do detrusor é uma observação urodi-
nâmica caracterizada por contrações involuntárias do de-
trusor durante a fase de enchimento (Fig. 20.8). Pode ser
classificada em neurogênica (anteriormente chamada de
hiper-reflexia do detrusor) quando há uma lesão neuroló-
gica significativa associada ou de idiopática (anteriormente
conhecida como instabilidade do detrusor).
Devido à grande controvérsia na literatura em relação
à definição da síndrome de bexiga hiperativa, os estudos de
prevalência apresentam ampla discordância, com estimati-
vas que variam de 3% a 43% da população. Pode-se afirmar,
porém, que a prevalência da condição aumenta com a idade.
Lesões neurológicas que podem desencadear a hipera-
tividade do detrusor:
\u2022 Esclerose múltipla.
\u2022 Lesões medulares.
\u2022 Meningomielocele.
\u2022 Hérnia de disco.
\u2022 Doença cerebrovascular.
DiagnósticoDiagnósticoDiagnósticoDiagnósticoDiagnóstico
O diagnóstico da síndrome da bexiga hiperativa é clíni-
co e urodinâmico.
Os sintomas de urgência, urge-incontinência, freqüên-
cia e noctúria estão habitualmente relacionados à presença
de hiperatividade do detrusor, mas podem também ser re-
latados por algumas mulheres com IUE ou IUM. Além dis-
so, podem estar presentes em mulheres sem qualquer
alteração do trato urinário que possa ser reconhecida pelos
métodos disponíveis.
O diagnóstico definitivo da síndrome decorrente de
hiperatividade do detrusor será feito pelo estudo urodinâ-
mico. Durante a cistometria devem ser demonstradas con-
trações não inibidas do detrusor que levem ao sintoma de
urgência ou à perda urinária (Fig. 20.8).
Diagnóstico DiferDiagnóstico DiferDiagnóstico DiferDiagnóstico DiferDiagnóstico Diferencialencialencialencialencial
Sintomas compatíveis com hiperatividade do detrusor
podem ser encontrados na presença de infecção urinária,
cálculos vesicais e tumores da bexiga.
Mulheres idosas que apresentem início súbito de sinto-
mas devem ser submetidas à citologia do sedimento uriná-
rio e à uretrocistoscopia para afastar neoplasia vesical.
Outra causa de sintomas a ser afastada é a compressão
vesical por estruturas adjacentes, como miomas e tumores
ovarianos.
TTTTTratamentoratamentoratamentoratamentoratamento
O tratamento da bexiga hiperativa (com ou sem hipe-
ratividade do detrusor) é essencialmente clínico, baseado
na fisioterapia ou na terapia farmacológica.
As técnicas fisioterápicas que podem ser utilizadas são
o treinamento vesical com micções programadas e a eletro-
estimulação. Esta é realizada com a colocação de um trans-
dutor por via vaginal. Através deste instrumento é aplicada
uma corrente elétrica que aumenta o estímulo inibitório
para a bexiga ao estimular os nervos sacrais aferentes dos
órgãos pélvicos e extremidades inferiores.
As drogas utilizadas para o tratamento da bexiga hipe-
rativa são aquelas que possuem ação anticolinérgica, blo-
queando os receptores muscarínicos da bexiga, apesar de
pertencerem a classes farmacológicas diferentes.
Os efeitos colaterais são comuns a todas elas e devem-se
à inibição dos receptores colinérgicos em outros órgãos. Os
mais comuns são xerostomia, constipação intestinal, taqui-
cardia, retenção urinária e turvação visual.
173
G I N E C O L O G I A F U N D A M E N T A L
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Fig. 20.8 \u2014 Cistometria demonstrando contrações involuntárias do detrusor, caracterizadas pelas elevações das curvas de
pressão vesical (gráfico superior) e da pressão do detrusor (gráfico inferior), definindo o diagnóstico de hiperatividade do
detrusor.
Os anticolinérgicos estão contra-indicados em pacien-
tes portadores de glaucoma, arritmias, colite ulcerativa e
doença obstrutiva intestinal ou urinária.
A oxibutinina é um agente anticolinérgico que tem ati-
vidade relaxante musculotrópica independente. É utilizada
na dose de 7,5 a 40 mg/dia.
A imipramina é um antidepressivo tricíclico utilizado na
dose de 10 a 75 mg/dia. Além dos efeitos colaterais já relatados,
pode levar à sedação, à fadiga, à astenia e a efeito semelhante à
doença de Parkinson, principalmente em pacientes mais idosas.
A tolterodina é utilizada na dose de 2 a 4 mg/dia.
Alguns trabalhos relatam menor incidência de efeitos
CEPEM
Centro de Estudos e Pesquisas da Mulher
Setor de Urodinâmica
Resp.: Dr. José Carlos J. Conceição
URODINÂMICA
Registro: 50
Dados pressóricos:
[Miccional]
Duração do fluxo = 60 seg
Tempo até o máximo = 29 seg
Fluxo máximo = 29,9 mL/seg
Fluxo médio = 8,40 mL/seg
Volume total = 507 mL
Uretral:
PV = 0 cm H
2
O
PA = 0 cm H
2
O
PD = 0 cm H
2
O
3:06
CCM:
PV = 41 cm H
2
O
PA = -1 cm H
2
O
PD = 42 cm H
2
O
6:55
Abertura:
PV = -11 cm H
2
O
PA = -7 cm H
2
O
PD = -4 cm H
2
O
12:42
Micção máxima:
PV = ___ cm H
2
O
PA = ___ cm H
2
O
PD = ___ cm H
2
O
___
Fluxo máximo:
PV = 0 cm H
2
O
PA = -15 cm H
2
O
PD = 15 cm H
2
O
12:58
Tipo de Exame: Cistometria \u2014 E. miccional Data do Exame: 25/01/2001
0:30 1:29 2:28 3:26 4:26 5:25 6:23 7:22 8:21 9:20 10:27 11:43
V
e
si
ca
l 
(c
m
 H
2
O
)
A
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V
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12:58
0:30 1:29 2:28 3:26 4:26 5:25 6:23 7:22 8:21 9:20 10:27 11:43 12:58
0:30 1:29 2:28 3:26 4:26 5:25 6:23 7:22 8:21 9:20 10:27 11:43 12:58
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colaterais com esta droga, cuja principal desvantagem é
o custo.
Incontinência Urinária MistaIncontinência Urinária MistaIncontinência Urinária MistaIncontinência Urinária MistaIncontinência Urinária Mista
Caracteriza-se pela associação de IUE com hiperativi-
dade do detrusor.
Muitas mulheres que apresentam sintomas de perda
aos esforços e de urgência, urge-incontinência, freqüência
e noctúria têm apenas IUE à urodinâmica. A disfunção ana-
tômica poderia explicar completamente o quadro de acordo
com o mecanismo descrito a seguir. Durante o esforço, a
abertura parcial e involuntária ou o fechamento deficiente
da uretra proximal permite a chegada de urina nesta re-
gião, distendendo-a e estimulando as terminações nervosas
aí existentes. Isto pode desencadear o reflexo miccional fa-
zendo com que