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de superior ou mesma hierarquia, a 
modifique ou revogue, não podendo revogá-la a jurisprudência, costume, regulamento, 
decreto, portaria e avisos, não prevalecendo nem mesmo na parte em que com ela 
conflitarem3.
De acordo com Maria Helena Diniz4, no primeiro caso, ter-se-à cessação da lei por causas 
intrínsecas, como por exemplo:
a) decurso do tempo para o qual a lei foi promulgada, por se tratar de lei temporária, salvo 
se a sua vigência for expressamente protraída por meio de outra norma (ex.: lei 
orçamentária);
b) consecução do fim a que a lei se propõe (p. ex., lei que manda pagar uma subvenção ou 
suspende a realização de um concurso para preencher vagas com os contratados, a fim de 
que se efetivem; com o aproveitamento do último funcionário contratado, a norma cessará 
de existir; é o que sucede também com as disposições transitórias, que se encontram no 
final dos Códigos ou certas leis);
c) cessação do estado de coisas não permanente (p. ex., lei emanada para atender estado de 
sítio ou guerra, ou para prover situação de emergência oriunda de calamidade pública), ou 
do instituto jurídico pressuposto pela lei, pois finda a anormalidade, extinguir-se-á a lei 
que a ela se refere.
Alguns doutrinadores5 entendem que há uma auto-revogação tácita da lei (revogação 
interna) quando faltarem as razões pelas quais foi ditada e pela ocorrência do termo final 
nela prefixado, alegando que, com o desaparecimento das circunstâncias fático-temporais 
que lhes originaram, a mesma deixará de vigorar por ter perdido seu objeto.
Entretanto, outros autores6 entendem que não há, em regra, auto-revogação tácita da lei 
pela cessação dos motivos que lhe deram origem, pois a mesma permanecerá vigente e 
válida apesar de não mais poder incidir, perdendo assim sua eficácia. Por este 
entendimento, o brocardo cessante ratione legis, cessat lex ipsa não representa meio 
indireto para revogar a norma, mas sim base para interpretá-la restritivamente, através de 
suas disposições excepcionais.
Já no segundo caso, em que as leis cujo período de vigência sejam indeterminados, as 
mesmas serão permanentes, vigorando indefinidamente e produzirão seus efeitos até que 
outra lei as revogue (revogação externa).
§ 1º. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja 
com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei 
anterior.
A revogação é um termo genérico, indicando a idéia da cessação da existência da norma 
obrigatória, e contém 2 espécies: a ab-rogação, que se dá pela supressão total da norma 
anterior, através da nova regulação pela lei posterior ou mesmo por haver entre ambas total 
incompatibilidade; e a derrogação, que ocorre quando uma parte da norma torna-se sem 
efeito, tornando inválidos somente os dispositivos atingidos.
A revogação poderá ser expressa, quando a 2ª lei declarar a 1ª lei extinta expressamente ou 
apontar os dispositivos que pretende retirar; ou ser tácita quando esta trouxer disposições 
incompatíveis com a 1ª lei, mesmo que nela não conste a expressão “revogam-se as 
disposições em contrário”.
§ 2º. A lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, 
não revoga nem modifica a lei anterior.
A norma geral não revoga a especial, assim como a nova especial não revoga a geral, 
podendo ambas coexistir pacificamente, exceto se disciplinarem de maneira distinta a 
mesma matéria ou se a revogarem expressamente.
Sendo assim, a mera justaposição de normas, sejam gerais ou especiais, às normas já 
existentes, não é motivo para afetá-las, podendo ambas reger paralelamente as hipóteses 
por elas disciplinadas, desde que não haja contradição entre ambas.
§ 3º. Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei 
revogadora perdido a vigência.
 O dispositivo acima trata da repristinação, que é o instituto através do qual se restabelece 
a vigência de uma lei revogada pela revogação da lei que a tinha revogado, como por 
exemplo: norma “B” revoga a norma “A”; posteriormente uma norma “C” revoga a norma 
“B”; a norma “A” volta a valer.
Etimologicamente, repristinação é palavra formada do prefixo latinore (fazer de novo, 
restaurar) e pristinus (anterior, antigo, vigência), o que significa restauração do antigo.
A repristinação não ocorre automaticamente, ou seja, só se dá por dispositivo expresso da 
norma; caso contrário, não se restaura a lei revogada, como no seguinte exemplo: norma 
“A” só volta a valer se isso estiver explicito na norma “C”, ou seja, não há repristinação 
automática (implícita), esta somente ocorre se for expressamente prevista.
Maria Helena Diniz7 conclui que “como se vê, a lei revocatória não voltará ipso facto ao 
seu antigo vigor, a não ser que haja firme propósito de sua restauração, mediante 
declaração expressa de lei nova que a restabeleça, restaurando-a ex nunc, sendo 
denominada por isso respristinatória. Faltando menção expressa, a lei revogadora ou 
repristinatória é lei nova que adota o conteúdo da norma primeiramente revogada. Logo, 
sem que haja outra lei que, explicitamente, a revigore, será a norma revogada tida como 
inexistente. Daí, se a norma revogadora deixar de existir, a revogada não se convalesce, a 
não ser que contenha dispositivo dizendo que a lei primeiramente revogada passará a ter 
vigência. Todavia, aquela lei revogada não ressuscitará, pois a norma que a restabelece não 
a faz reviver, por ser uma nova lei, cujo teor é idêntico ao daquela. A lei restauradora nada 
mais é do que uma nova norma com conteúdo igual ao da lei anterior revogada”.
 Art. 3º. Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.
O conhecimento da lei decorre de sua publicação, ou seja, uma vez promulgada, a norma 
só passa vigorar com sua publicação no Diário Oficial, que é o marco para que se repute 
conhecida por todos.
Assim, depois de publicada e uma vez decorrido o prazo da vacatio legis (se houver), a lei 
passa a ser obrigatória para todos, sendo inescusável o erro e a ignorância sobre a mesma.
De acordo com Coviello8, “do princípio de que – é necessidade social se torne obrigatória 
para todos, a lei publicada – decorre, necessariamente, a conseqüência de que os seus 
efeitos abrangem a todos, independentemente do conhecimento ou da ignorância 
subjetiva... essa conseqüência, tão evidente, que se admitiria ainda sem disposição 
legislativa expressa, é absoluta: uma só exceção destruir-lhe-ia o fundamento racional”.
Sendo assim, o artigo supra contém o rigoroso princípio da inescusabilidade da ignorância 
da lei, preconizando que as leis sejam conhecidas, pelo menos potencialmente.
Maria Helena Diniz9, ao versar sobre o tema, faz o seguinte questionamento: “Como a 
publicação oficial tem por escopo tornar a lei conhecida, embora empiricamente, ante a 
complexidade e dificuldade técnica de apreensão, possa uma norma permanecer ignorada 
de fato, pois se nem mesmo cultores do direito têm pleno conhecimento de todas as normas 
jurídicas, como se poderia dizer que qualquer pessoa pode ter perfeita ciência da ordem 
jurídica para observá-la no momento de agir?”
De acordo com Tércio Sampaio Ferraz Júnior10, o ato da publicação tem como escopo 
apenas neutralizar a ignorância, sem contudo eliminá-la, “fazendo com que ela não seja 
levada em conta, não obstante possa existir”. Desta forma, a norma é conhecida, 
obrigatória e apta a produzir efeitos jurídicos através da publicação, protegendo a 
autoridade contra a desagregação que o desconhecimento da mesma possa lhe trazer, já 
que uma autoridade ignorada é como se inexistisse.
Ainda em relação ao artigo 3º, é preciso levar-se em conta que o mesmo versa sobre a 
ignorância da lei ou a ausência de seu conhecimento e também o erro no seu 
conhecimento. A ignorância de direito se dá quando não o conhecimento do previsto

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