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DisciplinaIntrodução ao Direito I87.562 materiais508.572 seguidores
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nascimento. Carlos Maximiliano ressalva que não se confundem os contratos 
em curso e os contratos em curso de constituição, pois a norma hodierna só alcançará os 
últimos, já que os primeiros são atos jurídicos perfeitos16.
Ainda em relação aos contratos em curso de constituição, Maria Helena Diniz17 preconiza 
que: \u201cPelo art. 2.035 do Código Civil, o ato ou negócio jurídico em curso de constituição, 
validade celebrado antes vigência do novo diploma legal, em sua formalidade extrínseca 
seguirá o disposto no regime anterior, mas como não pôde irradiar quaisquer efeitos legais, 
que se produzirão somente por ocasião da entrada em vigor da Lei nº 10.406/2002, os 
contratantes terão o direito de vê-lo cumprido, nos termos da novel lei, que, então, regulará 
seus efeitos, a não ser que as partes tenham previsto, na convenção, determinada forma de 
execução, desde que não contrariem preceito de ordem pública, como o estabelecido para 
assegurar a função social da propriedade e do contrato, visto que são resguardados 
constitucionalmente e pelo art. 5º da Lei de Introdução do Código Civil. Os efeitos 
estabelecidos em cláusulas contratuais regem-se pela lei vigente ao tempo de sua 
celebração\u201d.
É importante ressaltar que juízes e tribunais têm admitido a aplicação da lei nova aos atos e 
fatos que se encontra, quando estas forem de ordem pública, sem ofensa ao ato jurídico 
perfeito18.
De qualquer forma, pode-se concluir que uma vez protegido o ato jurídico perfeito, são 
resguardados os direitos subjetivos formados sob a égide da norma anterior, preservando 
assim os direitos legítimos de seus titulares.
§ 2º. Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele, 
possa exercer, como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou 
condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.
Direito adquirido é aquele que já se integrou ao patrimônio e à personalidade de seu titular, 
de modo que nem norma ou fato posterior possam alterar situação jurídica já consolidada 
sob sua égide.
Necessária se faz aqui a distinção entre direito adquirido, que é aquele que já integrou ao 
patrimônio e não pode ser atingido pela lei nova, e a expectativa de direito, que é a mera 
possibilidade ou esperança de adquirir um direito, portanto dependente de acontecimento 
futuro para a concreção da efetiva constituição do mesmo. Assim, preconiza Reynaldo 
Porchat19 quando afirma que \u201cNão se pode admitir direito adquirido a adquirir um 
direito\u201d.
A situação de ser titular de um direito é regida por norma de competência, enquanto que a 
situação de exercer as permissões e autorizações correspondentes àquele direito subjetivo 
dependerá de normas de conduta. O princípio do direito adquirido não protegerá o titular 
do direito contra certos efeitos retroativos de uma norma no que disser respeito à 
incidência de nova norma de conduta. Um exemplo prático e elucidativo se dá na venda de 
um imóvel, em que é preciso ser titular do direito de propriedade (norma de competência) 
e a realização da referida venda se dá segundo os ditames da norma de conduta que 
disciplina o ato de vender. Assim, a lei nova tem condão de mudar a norma de 
competência que rege a situação de ser titular, mas não atingirá o ato de vender se a 
propriedade já foi adquirida sob a égide da lei anterior; também o tem de modificar a 
norma de conduta que disciplina o ato de alienar, mas não o fará se a venda já se 
consumou, sendo um ato jurídico perfeito20.
Carvalho Santos21 afirma que a novel norma não retroage no que atina ao direito em si, 
mas tem o condão de ser aplicada no que tange ao uso ou exercício desse direito, mesmo 
em relação às situações já existentes antes de sua publicação.
 § 3º. Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba 
recurso.
A coisa julgada é um fenômeno processual que consiste na imutabilidade e 
indiscutibilidade da sentença, visto que posta ao abrigo dos recursos e de seus efeitos, 
consolidando os mesmos e promovendo a segurança jurídica das partes.
Tércio Sampaio Ferraz Júnior, assevera que \u201ca coisa julgada protege a relação 
controvertida e decidida contra a incidência da nova norma. Alterando-se por esta quer as 
condições de ser titular, quer as de exercer atos correspondentes, o que foi fixado perante o 
tribunal não pode ser mais atingido retroativamente\u201d22.
A coisa julgada é formal quando a sentença não mais estiver sujeita a recurso ordinário ou 
extraordinário, ou porque dela não se recorreu ou nas hipóteses em que dela tenha 
recorrido sem atender aos princípios fundamentais dos recursos ou aos seus requisitos de 
admissibilidade, ou mesmo pelo esgotamento de todos os meios recursais (CPC, art. 467). 
Um exemplo de coisa julgada formal são as sentenças de extinção do processo sem 
resolução do mérito, atingidas pela preclusão.
Já a coisa julgada material é a que torna imutável e indiscutível o preceito contido na 
sentença de mérito, não mais sujeitando-a a recurso ordinário e extraordinário, como as 
sentenças de mérito proferidas com fundamento no art. 269 do CPC.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula 541, dispôs que a ação rescisória é 
admitida contra sentença transitada em julgado, ainda que contra ela não tenham se 
esgotado todos os recursos. Importante diferenciar, no que diz respeito à rescisória, a 
sentença passada em julgado da coisa julgada, pois a primeira é suscetível de reforma por 
algum recurso enquanto a segunda não pode ser alterada nem mesmo por ação rescisória. 
A sentença transitada em julgada poderá ser passível de ação rescisória, pois mesmo 
inadmitindo recurso, não há coisa julgada quando a decisão é nula23.
Importante salientar que a ação rescisória não é um recurso, mas sim uma ação de 
impugnação, que pode ser proposta nas hipóteses previstas em lei de forma taxativa (CPC, 
art. 485, I a IX), com o escopo de desconstituir uma decisão de mérito, elidindo coisa 
julgada, se proposta dentro do prazo decadencial de dois anos (CPC, 495). Uma vez tendo 
sido proposta, a ação rescisória não tem o condão de suspender a execução da decisão 
rescindenda, não impedindo seu cumprimento, ressaltando a hipótese de concessão de 
medida cautelar ou antecipatória de tutela, recompondo-se a lesão causada no caso de a 
rescisória ter sido julgada procedente.
Maria Helena Diniz, ao tratar do tema, afirma que \u201ca coisa julgada é uma qualidade da 
sentença, declaratória ou constitutiva, e de seus efeitos, consistente na imutabilidade, que 
poderá existir: a) fora do processo, para impedir que a lei a prejudique, ou que o juiz volte 
a julgar o que já foi decidido (coisa julgada material); b) dentro do processo, em razão de 
uma preclusão máxima, de uma decisão colocada ao abrigo dos recursos definitivamente 
preclusos (coisa julgada formal)\u201d.
Assim, a coisa julgada traz a presunção absoluta (jure et de jure) de que o direito foi 
aplicado de forma correta ao caso concreto, prestigiando o órgão judicante que a prolatou e 
garantindo a impossibilidade de sua reforma e sua executoriedade (CPC, art. 489), tendo 
força vinculante para as partes litigantes, funcionando como instrumento de controle ante o 
dinamismo jurídico.
 Art. 7º. A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o 
começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
O art. 7º da LICC preconiza a lex domicilii como critério fundamental do estatuto pessoal, 
introduzindo o princípio domiciliar como elemento de conexão para determinar a lei 
aplicável, ao contrário do princípio nacionalístico, adotado pela antiga lei.
O princípio domiciliar é o que mais atende à conveniência nacional, visto ser o Brasil um 
país onde o fluxo de estrangeiros é considerável, eliminando o inconveniente da dupla 
nacionalidade ou da falta de nacionalidade.
O começo e o fim
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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