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DisciplinaIntrodução ao Direito I87.488 materiais507.118 seguidores
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da personalidade (as presunções de morte, o nome, a capacidade e os 
direitos de família, que constituem o estado civil, ou seja, o conjunto de qualidades que 
constituem a individualidade jurídica de uma pessoa, terão suas questões resolvidas através 
do direito domiciliar, de acordo com o que determina o art. 7º da LICC.
A lex domicilii, para ser aplicada, deverá ser precedida da análise do aplicador acerca da lei 
do país onde estiver domiciliada a pessoa para, a partir daí, obter a qualificação jurídica do 
estatuto pessoal e dos direitos de família a ela pertinentes. Assim, o juiz brasileiro deverá 
qualificar o domicílio de acordo com o lugar no qual a pessoa estabeleceu seu domicílio 
com ânimo definitivo (CC, art. 70), qualificando-o segundo o direito nacional e não de 
conformidade com o direito estrangeiro, estabelecendo a ligação entre a pessoa e o país 
onde está domiciliado, aplicando a partir daí as normas de direito cabíveis.
 § 1º. Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos 
impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração.
O § 1º do art. 7º da LICC versa a respeito dos impedimentos dirimentes e das formalidades 
da celebração do casamento, quando o mesmo for realizado no Brasil.
Há quem entenda que seja admissível a aplicação da lei pessoal dos interessados no que diz 
respeito às formalidades intrínsecas; mas em relação às formalidades extrínsecas do ato, 
dever-se-á levar em conta a lex loci actus, ou seja, a lei do local da realização do ato.
A lex loci celebrationis impõe que o casamento seja celebrado de acordo com a solenidade 
imposta pela lei do local onde o mesmo se realizou, não importando se a forma ordenada 
pela lei pessoal dos nubentes seja diversa. Isso significa que, em relação às núpcias 
contraídas no Brasil, no que diz respeito à habilitação matrimonial e às formalidades do 
casamento, a lei a ser observada é a brasileira, devendo seguir-se o disposto nos arts. 1.525 
a 1.542 do Código Civil, mesmo que os nubentes sejam estrangeiros.
As causas suspensivas da celebração do casamento, que estão dispostas no art. 1.523, I a 
IV, não interessam à ordem pública internacional, e desta forma, regerão os casamentos 
realizados no Brasil por pessoas não domiciliadas no exterior, mesmo que lei alienígena os 
contrarie.
No que diz respeito aos casamentos celebrados no exterior, quando de acordo com as 
formalidades legais do Estado onde foi celebrado, serão reconhecidos como válidos no 
Brasil, ressalvados os casos de ofensa à ordem pública brasileira e de fraude à lei nacional, 
se não se observarem os impedimentos matrimoniais fixados pela lei24.
Importante ressaltar que, no que tange à capacidade matrimonial e aos direitos de família, 
os mesmos serão regidos pela lei pessoal dos nubentes, ou seja, a lei do seu domicílio e 
desta forma, uma vez o casamento tendo sido consumado, seus efeitos e limitações serão 
submetidos à lei domiciliar.
 § 2º. O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades 
diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes.
O disposto no art. 7º, § 2º, da LICC, permite que os estrangeiros, ao contraírem casamento 
fora de seu país, possam fazê-lo perante o agente consular ou diplomático de seu país, no 
consulado ou fora dele.
O cônsul estrangeiro é competente para realizar casamento quando a lei nacional o atribuir 
tal competência e somente quando os nubentes forem co-nacionais e ele mesmo (o cônsul) 
tenha a mesma nacionalidade. Acerca do tema, Kahn25 afirma que \u201cquanto aos limites, 
nos quais esses Estados reconhecerão os casamentos, celebrados pelos agentes 
diplomáticos e consulares estrangeiros, no seu território, serão determinados pela extensão 
normal que a doutrina e a legislação interna conferem à instituição do casamento 
diplomático ou consular. Assim, todos os Estados que atribuem aos seus agentes, no 
estrangeiro, competência para celebrar um casamento sob a condição de serem seus súditos 
os dois contraentes, só reconhecerão, como válidos, os casamentos contratados, por 
estrangeiros, no seu território, diante dos agentes diplomáticos e consulares, no caso em 
que ambos os esposos serão do Estado a que pertence o agente, que procedeu à 
celebração\u201d.
Importante ressaltar que o casamento de estrangeiros, domiciliados ou não no Brasil, 
somente é celebrado conforme o direito alienígena no que diz respeito à forma do ato, pois 
seus efeitos materiais serão apreciados conforme a lei brasileira (RT, 200:653), não sendo 
possível a transcrição de assento de casamento de estrangeiro, realizado no Brasil, em 
consulado de seu país, no cartório do Registro Civil do respectivo domicílio (RT, 185:285).
No que tange ao casamento de brasileiros no exterior, mesmo que domiciliados fora do 
Brasil e quando ambos nubentes sejam brasileiros, poderá ser celebrado perante a 
autoridade consular brasileira, verificando-se a impossibilidade de um casamento 
diplomático entre uma brasileira e um estrangeiro ou apátrida.
O matrimônio contraído perante agente consular, será provado por certidão do assento no 
registro do consulado (RT, 207:386), que faz as vezes do cartório do Registro Civil. Na 
hipótese de ambos os nubentes virem para o Brasil, o assento de casamento para surtir 
efeito em nosso país, deverá ser trasladado dentro de 180 dias contados na volta ao nosso 
país, no cartório do respectivo domicílio ou, na sua, falta, no 1º Ofício da Capital do 
Estado em que passarem a residir (art. 1.544 do CC)26.
§ 3º. Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do 
matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal.
O § 3º da LICC dispõe que a invalidade do casamento será apurada pela lei do domicílio 
comum dos nubentes ou pela lei de seu primeiro domicílio conjugal.
No caso de os nubentes terem domicílio internacional, a lei do primeiro domicílio conjugal 
estabelecido após o casamento é que prevalecerá para os requisitos intrínsecos do ato 
nupcial e para as causas de sua nulidade, absoluta ou relativas, inclusive no que diz 
respeito aos vícios de consentimento.
Desta forma, é a lex domicilii quem vai esclarecer se determinado casamento é válido ou 
não, mesmo que estrangeira e de conteúdo diverso da norma brasileira, e não a norma de 
direito internacional privado.
Maria Helena Diniz27, ao tratar sobre o tema, salienta que a lex domicilii, quando for 
repugnante à ordem pública, não deverá ser aplicada e indica os meios para facilitar sua 
aplicabilidade, sendo necessário: a) a indicação pelos nubentes, no processo do casamento, 
de onde será o domicílio conjugal (no caso dos casamentos realizados no Brasil em que os 
nubentes tiverem domicílio internacional diverso, os mesmos deverão declarar onde 
pretendem estabelecer o primeiro domicílio conjugal, pois na falta desta declaração, 
presume-se que o mesmo se dará no Brasil); e b) reajuste da situação jurídica da 
capacidade matrimonial, de acordo com a lei daquele primeiro domicílio conjugal, que é o 
estabelecido pelo marido, salvo exceções especiais de acordo com os dados contidos na lei 
territorial. Nas relações pessoais dos cônjuges e nas entre pais e filhos prevalecerá a lei 
domiciliar.
Assim, o § 3º do art. 7º da LICC dispõe apenas sobre os requisitos intrínsecos ou 
substanciais do casamento regidos pela lei domiciliar comum aos nubentes, ou, no caso de 
terem os os mesmos domicílio internacional diverso, pela lei do primeiro domicílio 
conjugal28.
§ 4º. O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os 
nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
O presente parágrafo visa a regular as relações patrimoniais entre os cônjuges, impondo 
como elemento de conexão a lex domicilii dos nubentes à época do ato nupcial ou do 
primeiro domicílio conjugal, tendo em vista os efeitos econômicos
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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