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DisciplinaIntrodução ao Direito I86.569 materiais502.379 seguidores
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acidental ou naquele em 
que se encontrar, impossibilitando a hipótese de dupla residência.
Na falta do critério do domicílio, que é a conexão principal, a lei indica critérios de 
conexão subsidiários, ou seja, o lugar da residência ou daquele em que a pessoa se achar, 
aplicados sucessivamente na medida em que o anterior não possa preencher sua função, 
não se tratando de concurso cumulativo, mas sim sucessivo.
Art. 8º. Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á 
a lei do país em que estiverem situados.
A lei territorial é a que se aplica somente no território nacional, atendendo a interesses 
internos relativos à nação de origem, obrigando unicamente dentro do território, ou seja, o 
órgão judicante somente poderá aplicar no território nacional aquela norma. A lei é 
extraterritorial quando permite que o magistrado possa aplicar lei diversa de seu 
ordenamento jurídico, em relação a fatos ocorridos no seu território ou no estrangeiro, 
como por exemplo nas hipóteses em que o próprio art. 8º, §§ 1º e 2º da LICC dispõem.
O artigo 8º da LICC define a qualificação dos bens como territorial, já que a eles se 
aplicam as leis do país onde estiverem situados.
Sendo assim, o critério jurídico que visa a regular coisas móveis de situação permanente, 
incluindo as de uso pessoal ou imóveis (ius in re) é o da lex rei sitae, que importa na 
determinação do território, que é o espaço limitado no qual o Estado exerce competência. 
No que diz respeito ao regime da posse, da propriedade e dos direitos reais sobre coisa 
alheia, nenhuma lei poderá ter competência maior do que a do território onde se 
encontrarem os bens que constituem seu objeto33.
É importante ressaltar que a lex rei sitae regulará apenas os bens móveis ou imóveis 
considerados individualmente (uti singuli), pertencentes a nacionais ou estrangeiros, 
domiciliados no país ou não; enquanto que os bens uti universitas, como p. ex. o espólio e 
o patrimônio conjugal, são regidos pela lei reguladora da sucessão (lex domicilii do autor 
da herança), excetuando-se as hipóteses de desapropriação de imóvel de tutelado ou da 
massa falida, ocasiões em que os bens uti universitas também poderão ser disciplinados 
pela lex rei sitae.
Nas hipóteses de mudança de situação de um bem móvel, a lei que disciplina a nova 
situação deverá ser aplicada, respeitados os direitos adquiridos. Acerca do tema, Pillet e 
Neboyet afirmam que \u201ctodo o direito adquirido sobre um móvel corpóreo, na 
conformidade das disposições da lei do lugar da sua situação, deve ser respeitado no 
segundo país, para o qual tenha sido transportado, até que nasça um direito diferente, 
segundo a lei deste último país\u201d34.
Em relação aos navios e aeronaves, os mesmos serão regidos pela lei do pavilhão, ou seja, 
pela lei do país em que estiverem matriculados e cuja competência só será afastada nos 
casos em que a ordem pública o exigir.
§ 1º. Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens 
moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.
O § 1º do art. 8º da LICC prevê a aplicação da lex domicilii do proprietário no que tange 
aos bens móveis que o mesmo trouxer consigo, para uso pessoal ou em razão de negócio 
mercantil, que podem transitar por vários lugares até chegar ao local de destino.
Em função da instabilidade de localização ou mesmo da mudança transitória de tais bens, 
afasta-se aqui a aplicação da lex rei sitae,aplicada aos bens localizados permanentemente, 
e aplica-se a lex domicilii de seu proprietário, ou seja, o direito de Estado no qual o mesmo 
tem domicílio, visando a atender interesses econômicos, políticos e práticos.
§ 2º. O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se 
encontre a coisa apenhada.
No que tange ao penhor, a LICC dispõe que a lei do domicílio do possuidor da coisa 
empenhada é que será aplicada, tanto no que diz respeito ao objeto sobre o qual recairá o 
direito real e quais seus efeitos, quanto nas questões atinentes à publicidade, à necessidade 
ou dispensa de tradição real para sua validade.
Importante salientar que pouco importará a localização do bem dado em penhor, pois pela 
lei este estará situado no domicílio do possuidor (fictio iuris) no momento de ser 
constituído o direito real de garantia, resguardando assim a segurança negocial, e 
garantindo direitos de terceiros.
Art. 9º. Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se 
constituirem.
No que diz respeito às obrigações, o art. 9º da LICC dispõe que a lei do país onde se 
constituírem as mesmas é que serão aplicadas para qualificá-las e regê-las.
Em se tratando de obrigações ex lege, o art. 165 do Código Bustamante afirma que as 
mesmas serão regidas pelo direito que as estiver estabelecido, já que são conseqüência de 
uma relação jurídica principal, da qual são acessórias. Devido ao fato de não serem 
autônomas, acabam reguladas pela mesma lei que disciplina a relação principal.
As obrigações ex delicto, que são as decorrentes da prática de um ato ilícito, são regidas 
pela lei do lugar onde o delito foi cometido (lex loci delicti commissi), solucionando 
questões sobre causas justificativas e dirimentes, culpabilidade, qualificação do ato como 
ilícito, etc. No caso de o ilícito ter sido praticado em vários lugares, levar-se-á em conta o 
local onde ocorreu o último fato necessário para a caracterização da responsabilidade do 
lesante.
Em relação às obrigações convencionais (civis e comerciais) e as decorrentes de atos 
unilaterais, as mesmas se regerão a) quanto à forma ad probationem tantum (simplesmente 
para provar) e ad solemnitatem (para a solenidade) pela lei do local onde se originaram, ou 
seja, deve ser apreciada a forma da manifestação volitiva pelo direito vigente no local onde 
o ato for realizado. Importante ressaltar que essa norma somente vigorará no fórum que 
aceitar que o ato seja realizado no exterior, pela forma estabelecida no ius loci actus; b) 
quanto à capacidade, pela lei pessoal das partes (art. 7º) que é a lei domiciliar, observando-
se a ressalva em relação à ordem pública, uma vez que a lex fori não admitirá que produza 
efeito o ato que tiver conteúdo contrário à lei, à moral e ordem pública do país. Na 
hipótese de as partes estiverem domiciliadas em Estados diferentes, a capacidade de cada 
uma obedecerá à sua lei domiciliar35.
Necessária se faz a delimitação da norma que disciplina as condições intrínsecas dos atos 
jurídicos decorrentes da declaração de vontade, antes de analisar qual a lei competente para 
reger os efeitos das obrigações deles resultantes. Quando se tratar de ato unilateral, 
prevalecerá a lei pessoal do declarante, enquanto que nos atos bilaterais, como nos 
contratos, p. exemplo, existem cinco correntes doutrinárias: a) competência da lei pessoal 
dos contratantes, através da qual as declarações de vontade devem ser examinadas 
separadamente, cada uma de acordo com a lei do declarante (Frankenstein, Dreyfus, J. 
Aubry e Audinet); b) competência da lei do local da celebração negocial (Pillet e 
Neboyet); c) competência da lei que rege a relação constituída pelo ato jurídico (Machado 
Villela); d) competência da lei escolhida internacionalmente pelos contratantes para reger o 
acordo (proper law of the contractI ou applicable lawdos ingleses) e e) competência da lex 
fori nos conflitos de lei que surjam entre o Brasil e os países signatários do Código 
Bustamante (art. 177) e a da lei do local da constituição da obrigação entre os demais 
Estados que não o ratificaram36.
Em se tratando da forma extrínseca do ato, é a locus regis actum, norma de direito 
internacional privado, que é aceita pelos juristas para indicar a lei aplicável. Através dessa 
norma, o ato, revestido de forma externa prevista pela lei do lugar e do tempo onde
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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