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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.301 materiais533.018 seguidores
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aventados pelo § 1º, em relação à sucessão de bens de estrangeiro situados no 
País, observa-se exceção à variação da ordem de vocação hereditária determinada pelo art. 
1829 do Código Civil40, não se aplicando o princípio de que a existência de herdeiro de 
uma classe exclui da sucessão os herdeiros da classe subseqüente.
A própria Constituição Federal, em seu art. 5º, XXXI, também prevê que \u201ca sucessão de 
bens de estrangeiro situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal 
dode cujus\u201d.
A exceção se dá em relação à possibilidade de alteração da ordem da vocação hereditária 
pois, nos casos em que, se tratando de bens existentes no Brasil, de propriedade de 
estrangeiro falecido e casado com brasileira ou com filhos brasileiros, é aplicada a lei 
nacional dode cujus quando for mais vantajosa aos sucessores do que a lei brasileira.
Assim, estará a sucessão sujeita à aplicação da lei brasileira quando: a) os bens estiverem 
no Brasil; b) houverem cônjuge ou filhos brasileiros, ou quem os represente e c) quando a 
lei pessoal do de cujus não lhes for mais favorável.
Importante lembrar que anteriormente vigorava no Brasil o instituto do usufruto vidual, 
que admitia, nos casos de casamento entre brasileiro com estrangeira, a sucessão no 
usufruto de cônjuge supérstite. Hoje admite-se a sucessão no direito real de habitação, de 
acordo com o art. 1.831 do CC, no imóvel destinado à residência, quando este for o único 
do gênero a ser inventariado, em qualquer dos regimes de bens e sem prejuízo da 
participação que lhe caiba na herança.
§ 2º. A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.
A interpretação do § 2º, do art. 10 da LICC, deve ser feita com cuidado no que diz respeito 
à capacidade para suceder.
Maria Helena Diniz41, ao versar sobre o tema, ressalva que \u201cse deve repelir toda e 
qualquer interpretação extensiva a esse dispositivo legal, devido à ambigüidade do termo 
\u2018capacidade para suceder\u2019\u201d. De acordo com a autora, é necessário que se distinga: a) a 
capacidade para ter direito à sucessão, que se sujeita à lei do domicílio do auctor 
sucessionis; b) da capacidade de agir em relação aos direitos sucessórios, ou seja, que tem 
a ver com a aptidão para suceder, para aceitar ou para exercer direitos do sucessor, que se 
subordina à lei pessoal do herdeiro ou sucessível.
Assim, importante reconhecer que o § 2º do art. 10 da LICC diz respeito à capacidade de 
exercer o direito de suceder, que é reconhecido pela lei domiciliar do autor da herança e 
regido pela lei pessoal do sucessor, enquanto que a capacidade para suceder é disciplinada 
pela lei do domicílio do falecido.
Art. 11. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo, como as sociedades e 
as fundações, obedecem à lei do Estado em que se constituírem.
O artigo 11 da LICC impõe que a lei do Estado em que as pessoas jurídicas de direito 
privado se constituírem é que irá determinar as condições de sua existência ou do 
reconhecimento de sua personalidade jurídica, sendo o seu fórum competente para versar 
sobre sua criação, funcionamento e dissolução, pouco importando o lugar onde se dá o 
exercício de sua atividade.
A nacionalidade das pessoas jurídicas não é mencionada expressamente pela LICC, mas 
entende-se prevista implicitamente no art. 11 da LICC e expressamente nos arts. 1.126 a 
1.141 do Código Civil, quando é determinada pela lei na qual tem sua origem, pelo 
princípio locus regit actum.
§ 1º. Não poderão, entretanto. ter no Brasil filiais, agências ou estabelecimentos antes 
de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à 
lei brasileira.
O § 1º do art. 11 da LICC condiciona a abertura de filiais, agências ou estabelecimentos de 
pessoa jurídica estrangeira no Brasil à aprovação de seu estatuto social ou ato constitutivo 
pelo governo brasileiro, com o intuito de evitar fraudes à lei e fazendo com que a mesma 
se sujeite à lei brasileira, uma vez que adquirirá domicílio no Brasil (CC, arts. 1.134 a 
1.141).
Não será necessária a autorização governamental nos casos em que a pessoa jurídica 
estrangeira não pretenda fixar no Brasil agência ou filial, pois obedecerá à lei do país de 
sua constituição, sendo possível exercer atividade no Brasil desde que não contrária à 
nossa ordem social.
A competência para decidir e praticar os atos de funcionamento no Brasil de organizações 
estrangeiras destinadas a fins de interesse coletivo, incluindo-se aqui alterações de estatuto 
e cassação de autorização de funcionamento, ficou delegada ao Ministro de Estado de 
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sendo vedada a subdelegação.
§ 2º. Os Governos estrangeiros, bem como as organizações de qualquer natureza, que 
eles tenham constituído, dirijam ou hajam investido de funções públicas, não poderão 
adquirir no Brasil bens imóveis ou susceptiveis de desapropriação.
O § 2º do art. 11 da LICC versa sobre as restrições submetidas às pessoas jurídicas de 
direito público em relação à aquisição, gozo e exercício de direito real no território 
brasileiro.
Tal posição se justifica pelo entendimento que a ausência de tais restrições representariam 
um perigo à soberania nacional, através da possível ocorrência de problemas diplomáticos. 
Maria Helena Diniz, ao tratar do tema, afirma que \u201cas pessoas jurídicas de direito público 
externo, serão, por lei, absolutamente incapazes para adquirir a posse e a propriedade de 
imóvel situado no Brasil ou de bens suscetíveis de desapropriação, como direitos autorais, 
patentes de invenção, direitos reais sobre coisa alheia de fruição, ações de sociedade 
anônima, etc\u201d42.
Tal impedimento dar-se-á não somente via testamento, como também através de qualquer 
título, como compra e venda, doação, permuta, etc.
§ 3º. Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários 
à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares.
O § 3º do art. 11 da LICC trata de exceção ao disposto no parágrafo anterior quando 
permite que as pessoas jurídicas de direito público possam adquirir prédios para sede de 
representantes diplomáticos ou agentes consulares, assegurando o livre exercício de 
funções diplomáticas e de atividades consulares.
Assim, o direito de propriedade imobiliária de um Estado estrangeiro ficará restrito ao 
edifício de sua embaixada, consulado e legações, necessários à prestação de serviços 
diplomáticos, e aos prédio residenciais dos agentes consulares e diplomáticos, mesmo que 
neles não se encontre a chancelaria.
Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o réu 
domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.
O art. 12 da LICC fixa a competência da autoridade judicial brasileira nos casos em que o 
réu, seja ele brasileiro ou estrangeiro, tenha domicílio no Brasil, podendo aqui ser 
intentada qualquer ação que lhes diga respeito. Nas hipóteses em que dois sejam réus e 
apenas um deles esteja aqui domiciliado, admite-se a competência do juiz que vier a tomar 
conhecimento da causa em primeiro lugar, de acordo com o princípio da prevenção.
Admite-se assim que o estrangeiro, aqui domiciliado ou não, possa comparecer, como 
autor ou réu, perante o tribunal brasileiro quando haja alguma controvérsia de seu 
interesse, desde que sua capacidade para estar em juízo obedeça à lex domicilii e com a 
ressalva da lex fori no que diz respeito a preceito de ordem pública (art. 7º da LICC).
Nos casos em que a obrigação for exeqüível no Brasil, competente será a autoridade 
brasileira, visto tratar-se de competência especial, prevalecendo sobre a competência do 
local onde a obrigação foi constituída e sobre a competência da lei domiciliar.
Alguns entendem que tal competência
Devanir
Devanir fez um comentário
Quero uma resenha critica o que é direito com 30 linhas para que eu possa entender melhor
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Rinaldo
Rinaldo fez um comentário
Material não está atualizado com a Lei nº 13.655/2018
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Antonio
Antonio fez um comentário
GRATO. SERÁ DE GRANDE VALIA PARA FUTURAS ORIENTAÇÕES A ALGUNS TRABALHOS.
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