Capitulo 3
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Capitulo 3


DisciplinaÉtica Profissional do Engenheiro58 materiais408 seguidores
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Resumo do livro \u201cÉtica Empresarial\u201d
CAPÍTULO 3
Não existe apenas uma teoria ética. Segundo Max Weber há pelo menos duas teorias:
ética da convicção: é entendida como deontologia (tratado dos deveres);
ética da responsabilidade: mais conhecida como teleologia (estudo dos fins humanos).
Ética da convicção
É uma teoria que se pauta por valores e normas previamente estabelecidas, cujo efeito primeiro consiste em moldar as ações que deverão ser praticadas, nesse caso deixam de existir dilemas ou questionamentos. Dentro dela existem duas vertentes: 
a de princípio: se atém rigorosamente às normas morais estabelecidas, em um deliberado desinteresse pelas circunstâncias, tendo como essência o respeito as regras haja o que houver;
a da esperança: se ancora em ideais, moldada por uma fé capaz de mover montanhas pois convicta que todas as coisas podem melhorar, tendo o sonho antes de tudo. 
Apesar de as obrigações se imporem aos agentes na ética da convicção, estes não perdem o seu livre arbítrio nem deixam de dispor de variadas opções.
Ética da responsabilidade 
Em vez de aplicar ordenamentos previamente estabelecidos, os agentes realizam uma análise situacional, avaliam-se os efeitos previsíveis que uma ação produz, planejam obter resultados positivos para a coletividade, e ampliam o leque de escolhas ao preconizar que \u201cdos males o menor\u201d ou ao visar \u201cfazer mais bem ao maior número de pessoas\u201d; ocorre uma tomada de decisões indutiva. Também têm duas vertentes: 
a utilitarista: exige que as ações produzam o máximo de bem para o maior número, combinando a mais intensa felicidade possível (critério da qualidade ou da eficácia) com a maior abrangência populacional (critério da quantidade ou da eqüidade);
a da finalidade: determina que a bondade dos fins justifica as ações empreendidas, desde que coincida com o interesse coletivo, e supõe que todas as medidas necessárias sejam tomadas.
Não são as obrigações que impulsionam os movimentos dos agentes sociais, mas resultados pretendidos ou previsíveis, sem jamais esquecer que, não importa a teoria ética, as decisões são sempre prenhes de projeções altruístas (teoria da responsabilidade) ou de intenções altruístas (teoria da convicção).
Ainda que haja convergências pontuais entre as duas teorias éticas, francas oposições entre elas podem existir. Se roubar na ética da convicção é absolutamente condenável, para a ética da responsabilidade o furto famélico ou o roubo de projetos inimigos durante a guerra são perfeitamente justificados. A ética da responsabilidade confere endosso a ações que engendram um bem do ponto de vista da coletividade.
Em resumo, desenha-se uma polarização entre a ética da convicção, que corresponde ao idealismo purista (dogmático, lírico, dedutivo, maniqueísta, rígido, absoluto), e a ética da responsabilidade, que corresponde a um realismo pragmático (analítico, calculista, indutivo, pluralista, flexível, relativista). Contrapõe-se, assim, uma ética da fé e uma ética da razão, ainda que ambas se pretendam racionais.
São os padrões culturais macrossociais que conferem às ações sua legitimação ética, ainda que esta e aqueles estejam condicionados por relação de poder.