CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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que cruzam por fora do quadrante 
determinado no passo 2 e selecionar o eixo perpendicular a ele que estiver mais pr…ximo da polaridade de DI ou 
aVF no tra‚ado do ECG. Por exemplo:
\uf0fc Determinado que o eixo est no quadrante entre 0’ a 90’ (DI+ e aVF+) e o ECG nƒo mostrou nenhum 
QRS isoel€trico em nenhuma deriva‚ƒo, devemos:
\uf0fc Olhar DIII (sempre optar por observar DIII primeiro)
\uf0a7 Em caso de DIII (-): o eixo estar acima de aVR (+30’ e 0’).
\uf0a7 Em caso de DIII (+/-): o eixo estar sobre aVR (+30’).
\uf0a7 Em caso de DIII (+): o eixo estar abaixo de aVR (+30’ e +90’). Em caso de DIII positivo, devemos 
observar aVL (e seu vetor perpendicular DII).
\uf0fc Olhar aVL
\uf0a7 Em caso de aVL (+): o eixo estar acima de DII (+60’ e 30’). Em caso de aVL positivo, devemos 
observar DIII (e seu vetor perpendicular aVR).
\uf0a7 Em casos de aVL (+/-): o eixo estar sobre DII (+60’).
\uf0a7 Em caso de aVL (-): o eixo estar abaixo de DII (+60’ e 90’).
Os exemplos a seguir ajudarƒo a fundamentar o conhecimento.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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Exemplo1 \u2013 Defini‚o do quadrante de angula‚o do eixo el‹trico 
do cora‚o. 
A definição do eixo elétrico do coração é importante para 
observar e diferenciar patologias ou variações anatômicas que possam 
acometer este órgão, prevenindo o profissional de realizar falsos 
diagnósticos.
Para isso, define-se quatro quadrantes a partir de duas 
derivações: DI e aVF. O eixo elétrico estará diretamente relacionado 
com o complexo QRS para essas duas derivações. Com isso, tem-se 
que o coração normal está entre os ângulos 0º e 90º. Quando ele 
estiver desviado para a esquerda, tem-se que o eixo está entre 0º a -
90º, e quando estiver desviado para a direita, entre 0º e 180º.
Com isso, para iniciarmos o nosso treinamento de localização 
do eixo elétrico cardíaco, observaremos os seguintes exemplos:
\uf0fc Observando o complexo QRS nas 
derivações DI e aVF em (A) e (D), 
respectivamente, conclui-se que o QRS 
é positivo em ambos, o que determina 
que o eixo elétrico do coração está 
voltado para o quadrante entre 0o e 
+90º (quadrante inferior direito).
\uf0fc Se o registro do ECG mostra QRS positivo em DI (figura A) e negativo 
em aVF (figura F), o eixo cardíaco estará localizado entre 0o e -90o
(quadrante superior direito). Neste caso, considera-se que alguma 
patologia desviou ainda mais o eixo cardíaco para a esquerda, como 
na hipertrofia ventricular esquerda (causada, por exemplo, por 
estenose aórtica, hipertensão arterial sistêmica e/ou coartação da 
aorta).
\uf0fc Observando, desta vez, o complexo QRS de outro suposto indivíduo 
que se apresenta negativo em DI e positivo em aVF, como mostra a 
figura (C) e (D), conclui-se que o eixo elétrico do coração situa-se no 
quadrante entre +90º e 180º (quadrante inferior esquerdo), sugestivo 
de desvio do coração para a direita, como ocorre na dextrocardia ou 
na hipertrofia ventricular direita (secundária, por exemplo, a estenose 
pulmonar, tromboembolismo pulmonar, hipertensão pulmonar, etc.). 
\uf0fc Se, por ventura, o complexo QRS estiver negativo em DI (figura C) e 
negativo em aVF (figura F), conclui-se que o eixo cardíaco está 
extremamente desviado para a direta, localizando-se no quadrante 
compreendido entre -90º e 180º (quadrante superior esquerdo). É 
uma condição rara, presente em cardiopatias congênitas ou em 
grandes sobrecargas do ventrículo direito.
\uf0fc Nos casos em que o complexo QRS estiver positivo em DI (figura A) e isoelétrico em aVF (figura E), o 
eixo estará coincidindo com o eixo horizontal, com sentido voltado para 0o (Exemplo²).
\uf0fc Nos casos em que o complexo QRS estiver isoelétrico em DI (figura B) e positivo em aVF (figura D), o 
eixo estará coincidindo com o eixo vertical, com sentido voltado para +90º (Exemplo8).
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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Depois de realizado o passo 1 (observar a polaridade do complexo QRS em DI e aVF) e o passo 2 (definir o 
quadrante onde estar localizado o eixo el€trico do cora‚ƒo), devemos especificar ainda mais a localiza‚ƒo deste eixo 
el€trico, identificando a sua localiza‚ƒo a partir de intervalos menores (de 30 em 30’). Para isso, devemos continuar 
atrav€s dos passos 3, 4 e, se necessrio, o passo 5. Vejamos os seguintes exemplos:
Exemplo2 \u2013 Eixo el‹trico em 0o.
Em primeiro lugar, devemos definir o quadrante onde se localiza, de modo grosseiro, o eixo el€trico. Para isso, 
observamos o complexo QRS em DI e em aVF. No ECG acima mostrado, observamos que o complexo QRS em DI est 
muito positivo, enquanto que em aVF, est praticamente isoel€trico. 
Da„, podemos determinar que o eixo el€trico do cora‚ƒo est exatamente em 0o, praticamente representado pela 
deriva‚ƒo DI. Isso porque segundo o \u201cpasso 4\u201d, depois de encontrada a deriva‚ƒo isoel€trica (ou isodifsica), o eixo 
estar localizado justamente no vetor perpendicular a ele (no caso de aVF, ser DI).
Indiv„duos obesos e grvidas geralmente apresentam eixo el€trico card„aco semelhante a este.
Exemplo3 \u2013 Eixo el‹trico entre 0o e 30o.
No primeiro momento, devemos procurar o comportamento do complexo QRS em DI e em aVF. Em ambos, ele 
se apresenta positivo e, a partir desta informa‚ƒo, podemos determinar que o eixo se encontra no quadrante inferior 
direito (com rela‚ƒo ao observador, evidentemente).
Logo depois, obedecendo ao \u201cpasso 3\u201d, devemos procurar uma deriva‚ƒo isoel€trica. Contudo, neste ECG, nƒo 
existe nenhum complexo QRS isoel€trico.
Passamos entƒo para o \u201cpasso 5\u201d que diz que caso nƒo haja uma deriva‚ƒo isoel€trica, devemos observar as 
deriva‚†es que cruzam por fora do quadrante determinado e selecionar o eixo perpendicular a ele que estiver mais 
pr…ximo da polaridade de DI ou aVF. 
No exemplo, como definimos que o eixo est localizado no quadrante inferior direito, as deriva‚†es que nƒo 
cruzam este quadrante sƒo: DIII e aVL. Por conven‚ƒo, devemos sempre iniciar observando DIII.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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Em caso de DIII negativo \u2013 assim como no exemplo acima \u2013 o eixo dever estar situado acima do vetor aVR
(isso porque DIII € negativo para cima do n„vel de seu vetor perpendicular), ocupando, portanto, o intervalo entre 0º e 
+30º. Esta conclusƒo € clara quando observamos que a positividade de DI € bem maior quando comparada ‰ 
positividade da deriva‚ƒo aVF, o que faz com que o eixo esteja realmente mais pr…ximo de DI (0o) do que aVF (90’).
Para comprovar a conclusƒo, note que o eletrodo positivo de aVR est olhando para a cauda do vetor, o que 
justifica a negatividade do complexo QRS em aVR no ECG deste exemplo.
Exemplo4 \u2013 Eixo el‹trico em 30Œ.
Neste exemplo, observamos que o complexo QRS em DI apresenta-se positivo, assim como em aVF. Temos, 
portanto, um eixo localizado no quadrante inferior direito (entre 0o e 90’).
Ao procurar, entƒo, uma deriva‚ƒo com complexo QRS isoel€trico, encontramos DIII. Portanto, o eixo el€trico 
estar justamente no quadrante inferior direito, coincidindo com o vetor perpendicular ‰ DIII: a deriva‚ƒo aVR (30o).
Exemplo5 \u2013 Eixo el‹trico entre 30Œ e 60Œ.
Neste caso, observamos que o complexo QRS se apresenta positivo tanto em DI como em aVF, demonstrando 
que o eixo el€trico do cora‚ƒo est localizado no quadrante inferior direito. Contudo, nesta situa‚ƒo, € claro que as 
amplitudes dos complexos em ambas deriva‚†es sƒo praticamente iguais (isso poder facilitar nas nossas conclus†es: 
veremos que, neste caso, o eixo estar exatamente equidistante entre os dois vetores DI e aVF).
Observe que neste ECG, nƒo h complexo QRS isoel€trico. Devemos entƒo observar os vetores que nƒo 
cruzam o quadrante pr€-determinado: DIII e aVL. 
Como DIII est positivo, conclui-se que o eixo estar abaixo de aVR (isso porque DIII € positivo para baixo). 
Toda vez que DIII for positivo, devemos observar a outra deriva‚ƒo que nƒo cruza o quadrante,