CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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ativa‚ƒo ou na condu‚ƒo do est„mulo el€trico (feita pelas c€lulas card„acas), imediatamente, outros focos de ativa‚ƒo 
surgem na sequˆncia. A origem destes focos segue, logicamente, a sequˆncia do que viria a ser o sentido de condu‚ƒo 
do est„mulo el€trico: primeiramente se formam focos ect…picos atriais, focos funcionais e, finalmente, focos ventriculares.
Para a determina‚ƒo do ritmo card„aco, € fundamental a observa‚ƒo da onda P. Ela define se o ritmo € sinusal 
ou se € consequente a focos ect…picos. Al€m disso, deve-se medir sempre o intervalo PR e o complexo QRS. Apesar de 
o n…dulo sinoatrial ser o marca-passo do cora‚ƒo, qualquer outra rea do sistema de condu‚ƒo ou do miocrdio pode 
assumir o comando, temporariamente ou definitivamente, provocando arritmias.
De um modo geral, temos:
\uf0b7 Ritmo sinusal (regular): caracteriza-se pela existˆncia de uma sequˆncia ritmada de ciclos card„acos entre 60 e 
100 bpm. Isto significa que, no ritmo card„aco normal, h uma constante distŠncia entre ondas semelhantes. 
Para determinar se realmente o ritmo card„aco € sinusal, devemos seguir os passos logo adiante:
1. Avaliar a existˆncia da onda P: esta deve ser arredondada e com frequˆncia de registro regular.
2. Avaliar a existˆncia do complexo QRS: estes devem ser normais, estreitos e com frequˆncia regular.
3. Avaliar a existˆncia de uma correla‚ƒo entre onda P e complexo QRS de 1:1, isto €: deve haver uma 
onda P para cada complexo QRS.
\uf0b7 Arritmias: as arritmias, j definidas, podem ser classificadas em dois grandes grupos: as bradiarritmias e as 
taquiarritmias. As bradiarritmias sƒo arritmias card„acas que se caracterizam por uma tendˆncia a reduzir a 
frequˆncia card„aca. Sƒo comumente causadas por doen‚as do n… sinuatrial e pelas doen‚as do n… trio-
ventricular. As taquiarritmias, por sua vez, fazem com que o cora‚ƒo experimente uma frequˆncia maior. 
Podem ser divididas em taquiarritmias supra-ventriculares (produzidas por dist‹rbios acima dos ventr„culos e do 
n… trio-ventricular; podem ser subdivididas em atriais e trio-nodais) e em taquiarritmias ventriculares (cuja 
origem se d no pr…prio ventr„culo, obtendo um ritmo um pouco mais lento). Quanto as subdivis†es das 
arritmias, podemos destacar quatro grandes grupos que, em resumo, sƒo:
o Ritmo vari€vel: arritmia sinusal, marca-passo migrat…rio e fibrila‚ƒo atrial.
\uf0a7 Arritmia sinusal: verifica-se a existˆncia de ondas P idˆnticas no tra‚ado, demonstrado que o 
in„cio do foco € no trio, precisamente no n…dulo sinusal, por€m em ritmos diferenciados. Pode 
indicar doen‚a coronariana.
\uf0a7 Marca-passo migrat…rio (errante): caracteriza-se por ondas P de forma varivel, demonstrando 
que o in„cio do foco € no trio, por€m nƒo precisamente no n…dulo sinusal.  um ritmo causado 
por diferentes posi‚†es do comando.
\uf0a7 Fibrila‚ƒo atrial: apresenta um desenho todo \u201carrepiado\u201d, cheio de ondas P min‹sculas, 
causadas pela descarga de focos atriais m‹ltiplos. Nƒo h um impulso que despolarize os trios 
de maneira completa, e somente por acaso de um impulso atravessa o n…dulo AV e de forma 
arr„tmica.
o Batimentos suplementares e pausas: extra-s„stole, batimentos de escape e parada sinusal.
\uf0a7 Extra-s„stole: € uma estimula‚ƒo prematura, proveniente de um foco ect…pico. Pode ser:
e) Extra-s„stole atrial: estimula‚ƒo prematura, proveniente de um foco atrial (nƒo o n…dulo 
sinusal). Produz uma onda P anormal antes do tempo previsto.
f) Extra-s„stole nodal (juncional): estimula‚ƒo prematura, que se origina de uma descarga 
ect…pica no n…dulo AV, de modo que o impulso caminha normalmente para baixo nos 
ramos do feixe de His (nƒo apresenta onda P e o QRS € idˆntico aos demais).
g) Extra-s„stole ventricular (ESV): origina-se de um foco ect…pico ventricular, sem onda P e 
com um QRS diferenciado (aberrante).
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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\uf0a7 Batimentos de escape: ocorrem quando o marca-passo principal nƒo consegue produzir est„mulo 
durante um ou mais ciclos, surgindo no ECG uma rea sem ondas. Pode ser um escape atrial, 
nodal ou ventricular.
\uf0a7 Parada sinusal: ocorre quando o marca-passo nƒo envia os est„mulos de comando e, ap…s uma 
pausa, um outro centro de comando assume a atividade com ritmo regular, mas em sua pr…pria 
frequˆncia, geralmente diferente da anterior.
o Ritmos rápidos: taquicardia parox„stica, flutter e fibrila‚ƒo.
\uf0a7 Taquicardia parox„stica: significa frequˆncia card„aca rpida, de in„cio s‹bito, originando-se, 
geralmente, de foco ect…pico. A frequ6encia pode variar de 150 a 250 bpm.
a) Atrial: sequˆncia normal de ondas. Onda P pode nƒo aparecer. 
b) Nodal: originada no n…dulo AV, logo, nƒo h ondas P.
c) Ventricular: semelhante a uma sucessƒo rpida de ESV.
As taquicardias atriais e nodais sƒo chamadas de taquicardias supraventriculares.
\uf0a7 Flutter: taquicardia cuja frequˆncia card„aca encontra-se entre 200 a 300 bpm. Pode ser:
a) Flutter atrial: se origina em um foco atrial ect…pico, com as ondas P apresentam-se em 
sucessƒo rpida, cont„nuas e idˆnticas.
b) Flutter ventricular: € produzido por um ‹nico foco ventricular ect…pico, com aspecto 
sinus…ide regular. O flutter ventricular quase invariavelmente evolui para a fibrila‚ƒo 
ventricular, necessitando de uma desfibrila‚ƒo e ressuscita‚ƒo cardiopulmonar.
\uf0a7 Fibrila‚ƒo: taquicardia acima de 300 bpm. Pode ser:
a) Fibrila‚ƒo atrial: numerosas deflex†es atriais ect…picas dando uma linha de base irregular. 
Nƒo h um impulso que despolarize os trios de maneira completa, e somente por acaso 
um impulso atravessa o n…dulo AV de forma r„tmica.
b) Fibrila‚ƒo ventricular: € causada por muitos focos ect…picos disparados em freq‘ˆncias 
diferentes, produzindo um ritmo ca…tico, irregular (aberrante) e fatal. Isto porque, na 
fibrila‚ƒo ventricular, o cora‚ƒo nƒo € mais capaz de bombear sangue, caracterizando 
uma parada card„aca) \u2013 uma condi‚ƒo de emergˆncia extrema.
o Bloqueios cardíacos: bloqueio sinusal, bloqueio trio-ventricular e bloqueio de ramo.
\uf0a7 Bloqueio sinusal (SA): o marca-passo card„aco pra temporariamente por um ou mais ciclos 
completos, mas retoma em seguida sua atividade de estimula‚ƒo.
\uf0a7 Bloqueio de AV (nodal): cria um retardo do impulso (atrial) em n„vel do n…dulo AV, produzindo 
uma pausa maior que a normal para estimula‚ƒo dos ventr„culos. Pode ser:
a) BAV de 1’ grau: caracteriza-se por um intervalo PR maior que 0,2 segundos (equivalente a um 
quadrado grande);
b) BAV de 2’ grau: sƒo necessrios dois ou mais impulsos atriais para estimular a resposta ventricular, 
ou o intervalo PR aumenta progressivamente at€ nƒo haver mais resposta QRS (chamado fen‡meno 
de Wenckebach);
c) BAV de 3’ grau: bloqueio AV total, causando frequˆncias atriais e ventriculares independentes, com 
frequˆncia ventricular, geralmente, entre 20 a 40 bpm.
\uf0a7 Bloqueio de ramo: tem como causa o bloqueio de um dos ramos do feixe de His, seja o direito ou 
o esquerdo. Assim, um ventr„culo se despolariza pouco depois do outro, fazendo com que dois 
QRS se juntem. Neste caso, o QRS € largo e observam-se duas ondas R (R e R\u2019). Determina-se 
o lado bloqueado atrav€s das deriva‚†es V1 e V2 para o lado direito e V5 e V6 para o lado 
esquerdo.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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De um modo geral, os dist‹rbios relacionados com as arritmias estƒo localizados nos principais s„tios de 
bloqueio de condu‚ƒo que seguem: n… sinuatrial, n… atrioventricular e no pr…prio feixe de His (seja por bloqueio de um de 
seus ramos ou dos dois \u2013 bloqueio completo). As altera‚†es que ocorrem na altura destes s„tios serƒo nossos focos de 
estudo neste momento. 
Bradiarritmias.
As bradiarritmias, por princ„pio, sƒo definidas pela frequˆncia card„aca menor que 60 bpm. Ela € considerada 
fisiol…gica durante o sono (por predom„nio noturno do sistema nervoso parassimptico, tanto a frequˆncia card„aca