CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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como 
a pressƒo arterial sistˆmica diminuem neste per„odo). As causas patol…gicas podem ser classificadas em cardíacas ou 
não-cardíacas.
\uf0b7 Bradiarritmias de etiologia card„aca: sƒo causadas, sobretudo, por infarto agudo do miocrdio (principalmente 
por falˆncia da A. coronria direita, responsvel por irrigar, entre outras estruturas, os dois principais n…s 
card„acos: o n… sinuatrial e o n… atrioventricular), por doen‚a do n… sinusal, etc. De uma forma geral, os 
principais eventos que promovem as bradiarritmias envolvem, fundamentalmente, os n… sunusal e o n… 
atrioventricular.
\uf0b7 Bradiarritmias por causas nƒo-card„acas: hipotireoidismo, hipertensƒo intracraniana, hipotermia, etc.
De uma forma geral, a classifica‚ƒo das bradiarritmias pode ser feita da seguinte maneira:
1. Bradiarritmia sinusal: comum em indiv„duos considerados normais (atletas, por exemplo) ou nas 
seguintes causas: hipersensibilidade do seio carot„deo; disfun‚ƒo do n… sunusal; s„ndrome da 
braditaquicardia.
2. Dist‹rbios da condu‚ƒo do est„mulo card„aco: podem acontecer por Bloqueios do n… atrioventricular 
(BAV) e por Bloqueios intraventricualres (BIV). Os BAV podem ser subdivididos em: BAV de 1’ grau;
BAV de 2’ grau do tipo I, do tipo II ou do tipo 2:1; e BAV de 3’ grau.
1. Bradiarritmia sinusal
O ECG mostra um grfico com ritmo 
sinusal, frequentemente. Contudo, a frequˆncia 
card„aca € menor do que 60. Como j vimos, € 
fisiol…gica durante o sono ou no cora‚ƒo de um 
atleta (considerado normal at€ 40 bpm, 
aproximadamente). Contudo, pode ocorrer tamb€m 
em condi‚†es patol…gicas, tais como: IAM do 
ventr„culo direito (principal causa) e outras diversas 
(idade avan‚ada, drogas, etc.). 
1.1. Doença do nó sinusal
Algumas condi‚†es patol…gicas (principalmente, doen‚as auto-imune) ou idiopticas (como ocorre com 
indiv„duos idosos) podem cursar com edema cr‡nico da regiƒo do n… sinuatrial, causando tal anormalidade card„aca. As 
principais patologias relacionadas com a doen‚a do n… sinusal sƒo:
\uf0fc Amiloidose
\uf0fc L‹pus eritematoso sistˆmico
\uf0fc Esclerodermia
\uf0fc Insuficiˆncia coronariana
\uf0fc Pericardite
\uf0fc Infiltra‚ƒo tumoral
\uf0fc Doen‚a de Chagas
\uf0fc Cirurgia card„aca
\uf0fc Vagal
\uf0fc Drogas
Nesta condi‚ƒo, ocorre a elimina‚ƒo da onda P ou onda P invertida, de modo que o n… atrio-venticular assume o 
comando da ritmicidade do cora‚ƒo.
1.2. Distúrbios da condução do estímulo cardíaco
Falando agora nƒo de dist‹rbios da produ‚ƒo do est„mulo el€trico do cora‚ƒo no n… sinusal, os dist‹rbios da 
condu‚ƒo do est„mulo card„aco podem acontecer por disfun‚ƒo do n… atrioventricular (Bloqueio do n… atrioventricular ou 
BAV) ou por disfun‚ƒo do feixe de His (Bloqueio intraventricular ou BIV).
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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1.2.1. Bloqueio atrioventricular (BAV)
O BAV acontece quando ocorre algum tipo de dificuldade na passagem do est„mulo do n… sinusal para os 
ventr„culos. Consiste em um tipo de bloqueio extremamente frequente, presente em boa dos pacientes idosos (pois com 
a idade, o tecido responsvel por transmitir a condu‚ƒo dos trios para os ventr„culos torna-se mais fibroso, al€m do 
pr…prio retardo fisiológico da condução j existente, que dura em torno de 0,12 \u2013 0,20 segundos).
Podemos classificar as BAV em:
\uf0b7 BAV de 1º grau: o crit€rio para o diagn…stico de BAV 1’ grau € a presen‚a de apenas um retardo na condu‚ƒo 
trio-ventricular maior do que o fisiol…gico (isto €: PR > 0,20 segundos, com manuten‚ƒo das ondas P e QRS). A 
despolariza‚ƒo atrial € seguida de uma despolariza‚ƒo ventricular, por€m a condu‚ƒo € lenta. Nesta condi‚ƒo, 
sempre veremos onda P e complexo QRS; contudo, estarƒo mais afastados do que o normal.
O BAV de 1’ grau nƒo € importante isoladamente, mas pode ser um sinal de cardiopatia isquˆmica, cardite 
reumtica ou intoxica‚ƒo digitlica. 
Para os pacientes h„gidos que apresentam BAV de 1’ grau, devemos prover um acompanhamento regular, 
realizando ECG a cada 6 meses. Se o dist‹rbio de condu‚ƒo progredir (isto €, evoluir para o 2’ grau ou para o 3’ 
grau), ser necessria uma interven‚ƒo m€dica; no entanto, enquanto o BAV se manter estvel, apenas o 
acompanhamento € necessrio. 
\uf0b7 BAV de 2º grau: € caracterizado por uma falha intermitente fazendo com que o impulso nƒo atinja os ventr„culos 
(no ECG, caracteriza-se, portanto, por uma onda P sem QRS). Essa falha pode ocorrer no n… AV ou no feixe de 
His. O BAV de 2’ grau pode ser classificado em Mobitz tipo I (ou tipo Wenckebach), Mobitz tipo II e tipo 2:1.
o Mobitz tipo I (ou fen‡meno de Wenckebach): ocorre um retardo progressivo na passagem do est„mulo do trio para 
o ventr„culo, isto €, o intervalo PR aumenta progressivamente a cada batimento, at€ que haja uma interrup‚ƒo total, 
de modo que uma onda P falha em conduzir o est„mulo aos ventr„culos. Acontece, por exemplo, que o intervalo PR 
se apresenta com dura‚ƒo de 0,26, 0,28 e 0,32, nesta sequˆncia e, entƒo, deixa de existir, visto que o complexo 
QRS nƒo foi formado. A evolu‚ƒo natural desta condi‚ƒo pode culminar na forma‚ƒo de um BAV de 3’ grau.
o Mobitz tipo II: caracterizado por uma sequˆncia normal e constante de transmissƒo do impulso que, de repente, € 
interrompida (€ neste momento que o QRS deixa de existir). Em outras palavras, a maioria dos batimentos originada 
no n… sinuatrial € normalmente conduzida, mas ocasionalmente, uma onda P nƒo € seguida por um complexo QRS. 
Diferentemente do BAV de 2’ grau tipo I, nƒo ocorre aumento progressivo do intervalo PR: no Mobitz tipo II, os 
intervalos PR se apresentam com a mesma dura‚ƒo e, de repente, deixa de existir pela nƒo-forma‚ƒo de um 
complexo QRS. Tamb€m pode evoluir para um bloqueio complexo e, por esta razƒo, deve ser criteriosamente 
acompanhado para evitar esta evolu‚ƒo, que pode complicar com arritmias graves (taquiarritmias, inclusive) e 
s„ndrome de Stokes-Adams (tontura, s„ncope por qualquer esfor‚o e queda).
o BAV tipo 2:1: caracterizado por ondas P alternadas que nƒo sƒo conduzidas aos ventr„culos, tra‚ando um grfico 
caracter„stico: P-QRS-P\u2014P-QRS-P\u2014P-QRS-P, na razƒo de 2 ondas P para cada complexo QRS. O n… AV que 
apresenta tal bloqueio apresenta instabilidade muito grande, de forma que pode evoluir para um bloqueio total. Por 
esta razƒo, deve ser criteriosamente avaliado e acompanhado.
\uf0b7 BAV de 3º grau (BAV Total): nenhuma onda P passa ou nƒo tem sincronia alguma com o complexo QRS. Em 
outras palavras, caracteriza-se pela nƒo propaga‚ƒo da onda de despolariza‚ƒo do n… sinuatrial para o m‹sculo 
ventricular, o que gera onda P nƒo seguida de QRS. Com isso, os trios deixam de apresentar qualquer rela‚ƒo 
de harmonia com os ventr„culos do ponto de vista el€trico: as ondas P geralmente se apresentam em uma 
frequˆncia bem regular, mas sƒo absolutamente independentes do QRS.
Quando isso acontece, os ventr„culos sƒo excitados por um mecanismo de escape lento. Quando o escape se 
d pelo feixe de His, o complexo QRS se apresenta estreito; quando o escape ocorre nas fibras de Purkinje, o 
QRS se mostra alargado.
Arlindo Ugulino Netto \u2013 CARDIOLOGIA \u2013 MEDICINA P6 \u2013 2010.1
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OBS5: Marca-passos (MP). Quando se tem BAV de 3º grau, podem existir complicações incompatíveis com a vida, 
podendo complicar com síncope (por déficit de sangue para o cérebro). Para solucionar tal quadro, devemos implantar 
marca-passos para realizar a estimulação artificial do coração em uma sequência compatível com a vida (em torno de 60 
bpm). Os marca-passos são aparelhos que liberam impulsos elétricos para o coração através de eletrodos, causando
despolarização elétrica e subsequente contração cardíaca. No ECG, os marca-passos produzem complexos QRS 
alargados. Estão disponíveis aparelhos de dois tipos:
\uf0b7 Provisório (transvenoso, esofagiano, transcutâneo). As indicações de marca-passo provisório estão sumarizadas 
abaixo:
\uf0fc Como terapia inicial para implante de MP definitivo em bradicardias