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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO

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 Fibrilação atrial: condi‚ƒo em que a musculatura card„aca atrial passa a apresentar, por algum fator 
desencadeante, uma atividade el€trica absolutamente ca…tica.  a arritmia mais comum (0,4% a 1% na 
popula‚ƒo adulta) e eleva 2 vezes o potencial de mortalidade (que aumenta mais ainda com a idade). A 
fibrila‚ƒo atrial € caracterizada por nƒo configurar onda P regular no tra‚ado grfico, nƒo apresentar uma 
contra‚ƒo atrial efetiva e pela irregularidade da passagem do est„mulo do trio para o ventr„culo (ou seja, hora 
passa, hora nƒo passa, de forma aleat…ria).
As principais causas sƒo: doen‚a valvar mitral, doen‚a 
coronariana, cardiomiopatias, HAS. As demais causas sƒo: 
excesso de consumo alco…lico, S„ndrome de WPW, pericardite, 
DPOC com hipoxemia.
Pacientes com fibrila‚ƒo atrial devem ser tratados como um grupo 
especial, isto porque a sua condi‚ƒo predisp†e a forma‚ƒo de 
trombos, que podem desgarrar-se da cavidade atrial, ganhar a 
circula‚ƒo e causar, entre outros comemorativos, a necrose de 
extremidades ou AVCi. Por esta razƒo, prescrevem-se 
anticoagulantes para estes pacientes.
De uma forma geral, os objetivos do tratamento da fibrila‚ƒo atrial consistem em:
 Controle da frequencia card„aca;
 Reversƒo para ritmo sinusal;
 Manuten‚ƒo para ritmo sinusal;
 Profilaxia de tromboembolismo.
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 Flutter atrial: a incidência geral do flutter atrial é de 0,09% da população, dos quais 58% também apresentam 
fibrilação atrial. O flutter se caracteriza por ondas atriais não-sinuais (pois não configuram uma onda P) que 
ocorrem com frequência muito rápida. O gráfico traçado se assemelha a dentes de serra.
O tratamento de eleição para seu tratamento é a cardioversão elétrica (95 a 100%).
 Taquicardia reentrante nodal (TRN): fenômeno que envolve o nó AV. É mais frequente em mulheres (2:1), na 
3ª a 5ª décadas de vida, sendo muito raro abaixo dos 2 anos de idade. Os sinais clínicos se manifestam na 
forma de batimento evidente em fúrcula esternal e síncope.
O tratamento emergencial consiste em:
 Cardioversão elétrica (100 J): se houver instabilidade hemodinâmica;
 Compressão do seio carotídeo;
 Adenosina (6/12/18 mg IV);
 Verapamil (até 15 mg IV).
 Na presença de sintomas severos ou por falência de tratamento clínico, optar pela ablação por cateter.
 Taquicardia reentrante atrioventricular 
(Síndrome de Wolf-Parkinson-White): síndrome 
caracterizada pela presença de uma via acessória 
anômala que promove um estímulo ventricular 
precoce. 
No ECG, observamos um QRS alargado com a 
presença marcante da chamada onda Delta, logo 
no início do complexo. O alargamento do QRS 
acontece porque o estímulo se propaga pelo feixe 
de His e depois retorna por esta via acessória (o 
que não deveria acontecer). Tais características do 
QRS podem ser vistas em DI, aVL, V4, V5 e V6.
Podemos perceber ainda uma diminuição do 
intervalo PR devido à excitação precoce dos 
ventrículos (síndrome de pré-excitação). Na 
realidade, do ponto de vista gráfico, o QRS se 
alarga as custas desta redução do intervalo PR.
A FC se mostra muito alta e a onda P inexistente.
O tratamento pode ser feito por ablação por cateter de radiofrequência introduzido pela via acessória. 
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2.2. Taquicardia ventricular
 a ocorrˆncia de 3 ou mais batimentos de origem ventricular com frequˆncia acima de 100 bpm, sendo 
sustentada se a dura‚ƒo € maior ou igual a 30 segundos e nƒo-sustentada se a dura‚ƒo € menor. Geralmente, est 
associada a cardiopatias graves.
Seu quadro cl„nico € caracterizado por:
 A repercussƒo ir depender da disfun‚ƒo miocrdica pr€-existente e da frequˆncia ventricular;
 Pode levar a fibrila‚ƒo ventricular.
 O exame f„sico € caracterizado por FC em torno de 160 spm, ritmo regular ou discretamente irregular.
O ECG da taquicardia ventricular mostra FC entre 100 e 220 spm, com ritmo regular ou discretamente regular. A 
morfologia do tra‚ado € absolutamente inespec„fica, sem padr†es. A onda P, na FC alta, nƒo € vista e, quando presente, 
nƒo tem rela‚ƒo harmoniosa com o complexo QRS. Este tem a mesma morfologia das extra-s„stoles ventriculares, 
mostrando-se largo e bizarro.
O tratamento da taquicardia ventricular sustentada, quando o paciente estiver instvel, consiste na cardioversƒo 
el€trica, de imediato. Se o paciente estiver estvel, bem monitorado e internado em UTI, € poss„vel optar pelo tratamento 
medicamentoso (Amiodarona 150 IV em bolus em 10 minutos ou Lidoca„na 0,75 mg/kg IV em bolus).
2.3.Fibrilação ventricular (FV)
Situa‚ƒo em que a atividade contrtil dos ventr„culos deixa de ser efetiva, e o cora‚ƒo apenas tremula, sem 
capacidade de ejetar sangue. Por esta razƒo, o d€bito card„aco € zero, nƒo h pulso, nem batimento card„aco 
(caracterizando uma parada cardíaca, sendo considerada a maior trag€dia dentro da cardiologia abaixo apenas da 
assistolia).
No ECG temos um ritmo irregular e absolutamente ca…tico, sem ondas P, QRS ou T. Note que, diferentemente 
da taquicardia ventricular, as ondas sƒo extremamente assincr‡nicas. 
O ‹nico tratamento efetivo para a fibrila‚ƒo ventricular € a cardioversão 
elétrica (recomenda‚ƒo mxima). Nenhum outro tratamento pode reverter o quadro.
Pacientes cardiopatas, que apresentam miocardiopatias dilatadas, podem 
apresentar FV frequentemente. Tais pacientes sƒo candidatos ao implante de um 
cardioversor desfibrilador implantável (CDI). Tal procedimento € responsvel por 
prover a preven‚ƒo primria e secundria da morte s‹bita card„aca (MSC) em 
pacientes com cardiopatia estrutural.
Sƒo indica‚†es para o implante de CDI:
 Pacientes refratrios ‰ terapia medicamentosa;
 BRE – dissincronismo intra e interventricular por retardo do VE em rela‚ƒo 
ao VD ou por abertura e fechamento tardios da valva a…rtica em rela‚ƒo a 
mitral.
OBS6: Classificação de interferência eletromagnética sobre os dispositivos cardio-elétricos implantáveis (DCEI), 
conforme o grau de risco e recomendação para proteção.
 Risco aceitvel:
 Eletrodom€sticos em geral;
 Escadas rolantes e portas automticas;
 Autom…veis, ‡nibus, avi†es, motocicletas.
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 Aceitável com riscos: 
 Colchões magnéticos e mini-imãs;
 Telefones celulares, telefones sem fio, blue tooth, walkie talkie, wireless, Wi-fi, iPod;
 Antenas de telefonia celular;
 Eletrocautério;
 Radiação terapêutica;
 Desfibrilação externa.
 Ablação por radiofrequência (RF) e mapeamento eletro-anatômico magnético;
 Litotripsia;
 Aparelhos que produzem vibração mecânica;
 Sistemas de detecção de metais e anti-furto;
 Estimulação transcutânea, eletro-acumputura;
 Radares de navegação, radares militares;
 Campos eletromagnéticos, amplificadores de som e caixas acústicas;
 Profissional da área de montagem de televisores e uso de equipamentos de solda por radiofrequência.
 Inaceitável:
 Ressonância nuclear magnética;
 Medidor de gordura corporal.
OBS7: O termo assistolia consiste na cessação de qualquer atividade elétrica ou mecânica dos ventrículos. No ECG se 
caracteriza pela ausência de qualquer atividade elétrica ventricular observada em pelo menos 2 derivações, se 
mostrando com um desenho de gráfico em linha reta. 
Cerca de 80% das paradas cardiorrespiratórias são advindas de arritmias ventriculares e a presença de assistolia se 
reveste de um prognóstico sombrio para o paciente. Afirmar corretamente que o ritmo em tratamento é de fato assistolia 
passa a ser um diagnóstico que necessita uma absoluta certeza.
Ao visualizarmos um monitor com um gráfico sem ondas em qualquer momento do atendimento deve se proceder uma 
série de medidas que visam certificar-se do diagnóstico, o que será chamado de protocolo da "linha reta".
1º medida: confira o