diagnostico laboratorial de doenças infeciosas
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diagnostico laboratorial de doenças infeciosas


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séricos não é um cri-
tério de infecção ativa ou quando um aumento destes anticorpos não pode 
ser detectado durante a infecção. O sinal biológico \u2014 o vírus \u2014 é amplifi -
cado até um nível detectável. Embora haja várias técnicas disponíveis, um 
elemento essencial em todas elas é uma cultura em monocamada de células 
de mamífero sensíveis à infecção pelo vírus suspeito. Estas células servem 
como um sistema de amplifi cação ao permitir a proliferação das partículas 
virais. Os vírus podem ser detectados por observação direta das células cul-
tivadas em busca de efeitos citopáticos ou pela detecção imunofl uorescente 
de antígenos virais após a incubação. A cultura viral convencional é útil para 
detecção de agentes que se propagam rapidamente, como o herpesvírus sim-
ples. Os vírus que crescem mais lentamente (p. ex., citomegalovírus e vírus 
da varicela-zoster) podem ser detectados mais rapidamente em culturas em 
frascos selados, na qual o espécime é centrifugado sobre uma monocamada 
de células, que é então incubada por 1 a 2 dias e fi nalmente corada com an-
ticorpos conjugados com fl uorocromo em busca de antígenos virais.
AUTOMAÇÃO DA DETECÇÃO DE MICRÓBIOS NO SANGUE
A detecção de patógenos microbianos no sangue é difícil porque o nú-
mero de mi cror ga nis mos presentes na amostra é freqüentemente baixo e a 
sua integridade e habilidade de replicar podem estar comprometidas pelos 
mecanismos de defesa humoral ou por agentes antimicrobianos. Ao longo 
dos anos, sistemas ba sea dos na detecção do gás (habitualmente o CO2) pro-
duzido pelas bactérias ou fungos no meio empregado para as hemoculturas 
permitiram a automação do procedimento de detecção. Os sistemas mais 
comuns envolvem (1) a medida da pressão do gás no gargalo do frasco, 
para indicar a produção ou o consumo de gás por parte da bactéria ou (2) 
o emprego de um sistema óptico de refl etância, constituído de um diodo 
emissor de luz e de um fotodiodo, para detectar uma alteração de cor em 
um indicador sensível ao CO2 embutido no fundo da garrafa de meio de 
cultura. Estes sistemas medem a concentração de CO2 como um indicati-
vo do crescimento microbiano. Não são mais sensíveis que o olho humano 
na detecção de uma cultura positiva; entretanto, como as garrafas de um 
sistema automático são monitoradas mais freqüentemente, a detecção de 
uma cultura positiva é freqüentemente mais rápida do que com as técnicas 
manuais, o que permite obter mais cedo importantes informações, como o 
resultado da coloração de Gram e dos ensaios preliminares de sensibilidade. 
Há suspeita de um agente infeccioso Obter um espécime adequado
Um espécime para 
bacteriologia: métodos de 
diagnóstico rápido ou cultura 
de rotina para patógenos 
comuns e exigentes
Diagnóstico rápido: aglutinação 
pelo látex para Cryptococcus; 
sondas diretas para DNA/RNA; 
coloração pelo Gram do escarro 
e de swabs vaginais
Amplificação de DNA/RNA 
para Chlamydia, GC, TB; 
coloração direta para 
agentes como Legionella, 
Pneumocystis
Um espécime para micologia: 
corar com fluorocromos os 
tecidos, pelos ou raspados de 
pele em busca de estruturas 
fúngicas; cultura e identificação 
de leveduras no sangue e CSF
Um espécime para virologia: 
empregar cultura de tecido 
ou métodos sorológicos; as 
amostras incluem o creme 
leucocitário, soro, sangue, 
lavado brônquico, fezes, urina
Examinar as culturas em 
busca de um CPE; usar 
sorologia para detectar 
anticorpos no soro agudo 
e de convalescença; usar o 
DFA o mais rápido possível
Preparo da amostra: 
cultura em Sabouraud e em 
outros meios; coloração 
com azul algodão de 
lactofenol ou outros 
corantes; exame a frescoSangue: indicar o local 
e o momento da 
coleta; cultivar em tubo 
Isolator para fungos e 
Mycobacterium
Urina, feridas, tecidos ou 
escarro: especificar o local 
e o método de coleta; 
preparar a amostra para 
cultivo; empregar meios 
de enriquecimento e ágar 
seletivo
Fezes: corar pelo Gram em 
busca de leucócitos fecais; 
empregar ágar seletivo 
para patógenos comuns; e 
meios especializados para 
outros patógenos
Verificar o crescimento de 
patógenos nos ágares 
MacConkey, HE, BAP, Tergitol; 
determinar o sorogrupo de 
Salmonella e Shigella; 
verificar o crescimento de 
patógenos nos outros meios 
especializados
Verificar o crescimento de 
patógenos nos ágares 
MacConkey, BAP e chocolate; 
usar meios líquidos para 
patógenos exigentes; usar a 
coloração de Gram e outros 
métodos rápidos
Verificar os meios 
líquidos para aeróbios 
e anaeróbios; para TB, 
repicar para ágar-
chocolate ou 7H10; 
usar outros meios de 
enriquecimento para 
HACEK
Avaliar a morfologia 
microscópica; testar a 
assimilação de substratos; 
examinar o meio para 
esporulação; usar outros 
testes se necessário 
(sorologia)
Empregar a imunofluo-
rescência para pesquisar 
agentes virais nas culturas; 
usar outros métodos de 
identificação, como sondas 
diretas de DNA/RNA
Quando necessário 
detectar resistência, 
fazer um teste de 
sensibilidade para 
leveduras e fungos
Medir a carga viral de 
CMV, HIV, HepC; 
usar a amplificação 
de DNA/RNA para 
genotipagem
Isolamento a partir das 
subculturas; identifica-
ção de patógenos; 
fazer testes de 
sensibilidade; notificar 
MRSA, VREF, ESBL
Anaeróbios; determinar 
o grupo com a 
coloração de Gram, 
testes para esporos e 
GLC; identificar pelo 
perfil de fermentação
Isolamento; 
identificação dos 
patógenos; fazer 
testes de sensibili-
dade; notificar 
MRSA, VREF, ESBL
C. difficile: 
isolar em 
cultura de 
células ou EIA 
para as toxinas 
A e B
FIG. e14.2 Algoritmos comuns para o processamento de amostras em labo-
ratórios de microbiologia clínica. Abreviaturas: BAP, placa de ágar-sangue; CMV, 
citomegalovírus; CPE, efeitos citopáticos; CSF, líquido cérebro-espinhal; DFA, anti-
corpo \ufb02 uorescente direto; EIA, ensaio imunoenzimático; ESBL, betalactamase de 
espectro estendido; GBS, Streptococcus do grupo B; GC, Neisseria gonorrhoeae; GLC, 
cromatogra\ufb01 a de gás e líquido; HACEK, Haemophilus aphrophilus/parain\ufb02 uenzae/
paraphrophilus, Actinobacillus actinomycetemcomitans, Cardiobacterium hominis, 
Eikenella corrodens e Kingella kingae; HE, meio entérico de Hektoen; HepC, vírus da 
hepatite C; HIV, vírus da imunode\ufb01 ciên cia humana; MRSA, Staphylococcus aureus 
resistente à meticilina; TB, Mycobacterium tuberculosis; VREF, Enterococcus faecium 
resistente à vancomicina.
e101
CAPÍTULO
 e14
Diagnóstico laboratorial das doen ças infecciosas
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Uma vantagem dos sistemas automáticos de hemocultura é que as garrafas 
são continuamente escaneadas por um procedimento de monitoração não-
invasivo, o que diminui a possibilidade de contaminação laboratorial.
Vários fatores afetam o rendimento das hemoculturas em pacientes bac-
teriêmicos. Aumentar o volume do sangue testado aumenta as chances de 
uma cultura positiva. Um aumento de 10 para 20 mL de sangue aumenta 
em cerca de 30% a proporção de culturas positivas; entretanto, este efeito é 
menos pronunciado em pacientes com endocardite bacteriana. Obter múl-
tiplas culturas (até três em um pe río do de 24 h) também aumenta as chan-
ces de detectar um patógeno bacteriano. O cultivo prolongado e as subcul-
turas às cegas para a detecção de bactérias mais exigentes (p. ex., espécies de 
Haemophilus, Actinobacillus, Cardiobacterium, Eikenella e Kingella) não são 
necessários com os sistemas automatizados de hemocultura.
Os sistemas automatizados também foram aplicados à detecção de cres-
cimento microbiano em espécimens outros que não o sangue, como o lí-
quido peritonial e outros líquidos normalmente estéreis. Pode-se detectar 
Mycobacterium spp. em certos sistemas automatizados se um meio líquido 
apropriado for usado para a cultura. Embora os sistemas automatizados de 
hemocultura sejam mais sensíveis que os métodos de lise-centrifugação 
(Isolator) para fungos e para a maior parte das bactérias, recomenda-se a 
cultura