diagnostico laboratorial de doenças infeciosas
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diagnostico laboratorial de doenças infeciosas


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de lise-centrifugação para fungos fi lamentosos, Histoplasma capsu-
latum e algumas bactérias exigentes (Legionella e Bartonella).
DETECÇÃO DE AGENTES PATOGÊNICOS 
POR MÉTODOS SOROLÓGICOS 
A mensuração de anticorpos séricos constitui um marcador indireto de in-
fecção prévia ou atual por um agente viral específi co ou por outros patógenos, 
incluindo Brucella, Legionella, Rickettsia e Helicobacter pylori. O sinal biológico 
é geralmente constituído por anticorpos IgM ou IgG contra antígenos expres-
sos na superfície do agente. Os sistemas de detecção são os mesmos usados 
para a detecção de antígenos bacterianos (reações de aglutinação, imunofl uo-
rescência e EIA) e sistemas especiais como a inibição da hemólise ou a fi xação 
de complemento. Os métodos sorológicos geralmente caem em duas catego-
rias: os que determinam os níveis de anticorpos protetores e os que medem a 
alteração dos títulos de anticorpos que ocorre durante a infecção. A determi-
nação de uma resposta de anticorpos como uma medida da imunidade atual 
é importante no caso de agentes virais para os quais há vacinas, como o vírus 
da rubéola ou o vírus da varicela-zoster; ensaios para esta fi nalidade empre-
gam normalmente uma ou duas diluições do soro para determinar qualitativa-
mente os níveis de anticorpos protetores. Os ensaios sorológicos quantitativos 
usados para detectar aumentos nos títulos de anticorpos empregam em geral 
amostras pareadas de soro, obtidas no início da doen ça e 10 a 14 dias mais 
tarde (i. e., amostras de fase aguda e de convalescença). Como o pe río do de in-
cubação, anterior à observação dos sintomas, pode ser sufi cientemente longo 
para permitir a ocorrência de uma resposta de anticorpos, apenas a demons-
tração destes na fase aguda freqüentemente não é sufi ciente para estabelecer o 
diagnóstico de infecção ativa, em contraposição a uma exposição prévia. Em 
tais circunstâncias, a IgM pode ser útil como uma medida de uma resposta 
precoce de anticorpos de fase aguda. Um aumento de quatro vezes no título 
dos anticorpos totais, ou na atividade do EIA, entre as amostras de fase aguda e 
de convalescença, é também considerado uma evidência de infecção ativa.
Para certos agentes virais como o vírus Epstein-Barr, os anticorpos pro-
duzidos podem ser dirigidos para diferentes antígenos durante as diferentes 
fases da infecção. Por esta razão, a maior parte dos laboratórios testa anti-
corpos dirigidos tanto para os antígenos do capsídio viral quanto para os 
antígenos associados a células do hospedeiro recentemente infectadas, para 
determinar o estágio da infecção.
MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO
Uma vez tenham sido isoladas as bactérias, as características prontamente 
detectáveis após o crescimento em ágar (tamanho e cor da colônia, reações 
hemolíticas, odor, aparência microscópica) podem sugerir a espécie, mas a 
identifi cação defi nitiva requer testes adicionais. Os métodos de identifi ca-
ção incluem a fenotipagem bioquímica clássica, que é ainda a abordagem 
mais comum, e métodos mais sofi sticados como a cromatografi a gasosa e 
os testes de ácido nucléico.
FENOTIPAGEM CLÁSSICA
A identifi cação fenotípica clássica de bactérias implica na realização de 
testes para antígenos protéicos e de carboidratos, a produção de enzimas 
específi cas, a capacidade de metabolizar determinados substratos e fontes 
de carbono (como carboidratos) ou a produção de certos metabólitos. Há 
versões rápidas de alguns destes testes disponíveis e muitos organismos co-
muns podem ser identifi cados no primeiro dia de crescimento. Outros or-
ganismos, par ticular mente bactérias Gram-negativas, requerem testes mais 
extensos, sejam manuais ou automatizados.
Sistemas automatizados permitem a rápida identifi cação fenotípica de 
patógenos bacterianos. A maior parte de tais sistemas está ba sea da em 
técnicas de biotipagem, nas quais os isolados são cultivados em múltiplos 
substratos e o padrão de reação é comparado com padrões conhecidos para 
várias espécies bacterianas. Este procedimento é relativamente rápido e sis-
temas disponíveis no comércio são a fermentação miniaturizada, a codifi -
cação para simplifi car o registro dos resultados e cálculos de probabilidade 
para os patógenos mais prováveis. Se o método de biotipagem é automati-
zado e o processo de leitura é acoplado a uma análise de dados computado-
rizada, os organismos de crescimento rápido (como as Enterobacteriaceae) 
podem ser identifi cados em horas após sua detecção sobre placas de ágar.
Vários sistemas usam enzimas pré-formadas para identifi cação ainda 
mais rápida (em 2 a 3 h). Tais sistemas não se baseiam no crescimento bac-
teriano em si, para determinar se um substrato foi usado. Eles empregam 
um grande inóculo no qual enzimas bacterianas específi cas estão presente 
em quantidade sufi ciente para converter rapidamente o substrato em pro-
duto. Além disso, alguns sistemas usam métodos fl uorogênicos para detec-
ção de substratos e de produtos fi nais, de modo a aumentar a sensibilidade 
(por meio de amplifi cação de sinal).
CROMATOGRAFIA EM GÁS E LÍQUIDO
A cromatografi a em gás e líquido é freqüentemente usada para detectar 
os produtos fi nais do metabolismo das fermentações bacterianas. Uma apli-
cação comum é a identifi cação de ácidos graxos de cadeia curta produzidos 
por anaeróbios estritos durante a fermentação de glicose. Como os tipos e as 
concentrações relativas dos ácidos voláteis diferem entre os vários gêneros e 
espécies que compõem este grupo de mi cror ga nis mos, tal informação serve 
como uma \u201cimpressão digital\u201d metabólica para um determinado isolado.
A cromatografi a em gás e líquido pode ser acoplada a um sofi sticado 
sistema de soft ware para a análise do sinal, para identifi car e quantifi car os 
ácidos graxos de cadeia longa (LCFA) presentes nas membranas externas 
e nas paredes celulares de bactérias e fungos. Para uma dada espécie, os 
tipos e as concentrações relativas dos LCFA são distintos o sufi ciente para 
permitir a diferenciação mesmo entre espécies estreitamente relacionadas. 
Um organismo pode ser identifi cado defi nitivamente em poucas horas após 
a detecção de crescimento em um meio apropriado. A análise dos LCFA é 
um dos mais avançados procedimentos atualmente disponíveis para a ca-
racterização fenotípica.
TESTES DE ÁCIDO NUCLÉICO
Técnicas para a detecção e quantifi cação de se qüên cias específi cas de bases 
de DNA e RNA em espécimens clínicos tornaram-se poderosos instrumen-
tos para o diagnóstico de infecções bacterianas, virais, parasitárias e fúngicas. 
Os testes de ácido nucléico são usados para quatro fi nalidades. Primeiro, para 
detectar, e às vezes quantifi car, patógenos específi cos em espécimens clínicos. 
Segundo, são usados para reconhecer organismos (habitualmente bactérias) 
cuja identifi cação é difícil por métodos convencionais. Terceiro, os testes de 
ácido nucléico são usados para determinar se dois ou mais isolados de um 
mesmo patógeno são estreitamente relacionados (pertencem ao mesmo \u201cclo-
ne\u201d ou \u201ccepa\u201d). Por último, os testes de ácido nucléico são usados para predi-
zer a sensibilidade de organismos (tipicamente vírus) aos agentes quimiote-
rápicos. As técnicas atuais compreendem uma ampla variedade de métodos 
para amplifi cação e detecção de sinal, alguns dos quais foram aprovados pelo 
Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o diagnóstico clínico.
O uso de testes de ácido nucléico envolve geralmente a lise de células ou 
vírus intactos e a desnaturação do seu DNA ou do RNA, de modo a fazê-
los fi car com uma única cadeia. Sondas ou iniciadores complementares à 
 se qüên cia-alvo presentes no patógeno específi co podem ser hibridizados à 
 se qüên cia-alvo em uma solução ou em um suporte sólido, dependendo do 
sistema empregado. A hibridização in situ de uma sonda a um alvo é tam-
bém possível e permite o uso de sondas para a detecção de agentes infeccio-
sos presentes em espécimens de tecido. Uma vez que as sondas ou os inicia-
dores tenham se hibridizado