O PRINCÍPIO DA LIVRE INICIATIVA
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O PRINCÍPIO DA LIVRE INICIATIVA


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173, § 4º: 
\u201cA lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da 
concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.\u201d 
A nossa constituição pátria traz em seu bojo um conjunto de normas referentes à ordem econômica se 
baseando nos princípios tradicionais do liberalismo econômico quais sejam: a propriedade privada, a 
liberdade de iniciativa e a de competição, a função social da propriedade, a defesa do consumidor, a 
busca do pleno emprego etc. No entanto, por outro lado prevê-se a repressão ao abuso do poder 
econômico através de modalidades de exercício do poder econômico que podem ser consideradas 
juridicamente abusivas e que põem em risco a própria estrutura do livre mercado e que podem ocasionar 
a dominação de setores da economia, eliminando a competição ou aumento arbitrário de lucros. 
 
Os prejuízos à Livre Concorrência ou Livre Iniciativa estão delineados na Lei 8.884/94, em seu artigo 
20, que diz: 
\u201cConstituem infração da ordem econômica, independentemente de culpa, os atos sob qualquer 
forma manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não 
sejam alcançados: 
I \u2013 limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; 
II \u2013 dominar mercado relevante de bens ou serviços; 
III - aumentar arbitrariamente os lucros; 
IV \u2013 exercer de forma abusiva posição dominante.\u201d 
O direito positivo estabelece que os atos de qualquer natureza que tenham o efeito, potencial ou real, de 
limitar, falsear, ou prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa são definidos como infração de ordem 
econômica . 
 
Limitar a livre concorrência ou a livre iniciativa nada mais é do que barrar de forma total ou parcial, 
mediante determinadas práticas empresariais, a possibilidade que tem outros empreendedores ao acesso 
à atividade produtiva e esta obstaculização de acesso decorre do aumento dos custos para novos 
estabelecimentos, provocado com vistas a desencorajar eventuais interessados. 
 
Falsear sugere uma idéia muito mais ampla que simulação relativa aos efeitos dos atos jurídicos. Falsear 
a livre concorrência ou a livre iniciativa significa ocultar a prática restritiva através de atos e contratos 
aparentemente compatíveis com as regras de estruturação do livre mercado. Pode haver falseamento de 
concorrência, sem que o negócio jurídico que o viabiliza se caracterize como simulado e as autoridades 
não precisam demonstrar a existência do defeito do ato jurídico como condição de sanção. 
 
Prejudicar a livre concorrência ou iniciativa nada mais é do que incorrer em qualquer prática empresarial 
lesiva às estruturas do mercado, ainda que não limitativas ou falseadoras dessas estruturas. Tais 
condutas são consideradas reprimíveis pela lei o abuso do poder econômico que visa à eliminação da 
concorrência (CF, art. 173, § 4º). O texto constitucional não faz referência específica à limitação, 
falseamento ou prejuízo da livre concorrência, que são consideradas formas de eliminação parcial e não 
total da competição. Para Medeiros da Silva\uf05b5\uf05d, a norma correspondente da lei de 1962, que tipificava 
como abuso de poder econômico a eliminação parcial da concorrência, seria inconstitucional por falta de 
distinção entre as diversas formas de eliminação. 
 
Em síntese, podemos afirmar que a livre iniciativa é um dos preceitos fundamentais da Carta Política de 
1988, reconhecido não apenas pela Constituição como também pela doutrina e que rege a ordem 
econômica nacional, tendo por finalidade assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames 
da justiça social, sem exclusões nem discriminações. 
 
O PRINCÍPIO DA LIVRE CONCORRÊNCIA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
DE 1988 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A discussão proposta pelo presente artigo circunscreve-se em perscrutar 
o princípio da livre concorrência na Constituição Federal de 1988, suas características e 
peculiaridades. Para tanto, abordar-se-á os princípios da atividade econômica na 
Constituição Federal de 1988, proceder-se-á a distinção entre o princípio da livre 
concorrência e o princípio da livre iniciativa e analisar-se-á a sistematicidade do 
princípio da livre concorrência. 
 
 
 
2 OS PRINCÍPIOS DA ATIVIDADE ECONÔMICA NA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL DE 1988 
 
O sustentáculo econômico do sistema econômico brasileiro encontra-se 
regulado nos arts.170 a 192 da Constituição Federal, que trazem os fundamentos da 
ordem econômica, informadores de toda atividade econômica. 
Embora o sistema econômico adotado no Brasil seja o modo de produção 
capitalista e neoliberal, o texto constitucional permite que o Estado intervenha para que 
os agentes que atuam no mercado cumpram os elementos sócio-ideológicos trazidos na 
carta constitucional, apresentados especialmente em forma de princípios e diretrizes. 
O art. 170 da Constituição Federal estabelece os princípios da atividade 
econômica, preconizando no caput que: 
 
A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames 
da justiça social, observados os seguintes princípios: 
[...] IV \u2013 livre concorrência 
 
São nove os princípios constitucionais da ordem econômica: soberania 
nacional, propriedade privada, função social da propriedade, o já transcrito acima 
princípio da livre concorrência, defesa do consumidor, defesa do meio ambiente, 
redução das desigualdades regionais e sociais, busca de pleno emprego e tratamento 
favorecido para as empresas de pequeno porte constituída sob as leis brasileiras e que 
tenham sua sede e administração no país. 
Estes princípios foram expressamente previstos na Constituição Federal 
com o fim de promover a justiça social, preservar a dignidade humana e o bem-estar-
social, integrando esses valores ao desenvolvimento econômico produzido pela 
iniciativa privada dentro de uma ótica capitalista e de liberdade de exercício de 
atividade econômica. 
Por conseguinte, no Brasil, pelo citado mandamento constitucional, a 
ordem econômica deve se orientar e ter como objetivo a justiça social, a solidariedade e 
a dignidade da pessoa humana. 
A livre concorrência, nesse plano, apresenta-se como princípio 
constitucional, princípio geral da atividade econômica. 
Os princípios inseridos no art. 170 da CF/88, dentre eles a livre 
concorrência, não se coadunam com o exercício de uma atividade econômica cuja 
finalidade é exclusivamente o lucro. 
A Constituição Federal interferiu na exploração da atividade econômica 
impondo-lhe limites e objetivos e estabelecendo-lhe a obrigação de sempre ser exercida 
de maneira a preservar a dignidade da pessoa humana e promover a justiça social, 
sempre norteando-se pela observância dos princípios que lhe são próprios por força 
constitucional, notadamente o princípio da livre concorrência. 
A livre concorrência decorre da manifestação da liberdade de iniciativa 
de atuação no mercado econômico. A livre concorrência é a garantia da livre iniciativa, 
de modo que se não houver livre concorrência, fatalmente não se terá também a 
liberdade de iniciativa, pois a inexistência de uma livre concorrência praticamente 
impede a liberdade de iniciativa. Por isso, de logo, faz-se importante definir a livre 
iniciativa. 
 
 
 
3 LIVRE INICIATIVA 
 
As bases que sustentam a ideologia capitalista, garantindo a coerência e o 
desenvolvimento do sistema, compõem-se de dois elementos primordiais: a propriedade 
privada e a livre iniciativa. 
O primeiro elemento mencionado, a propriedade, é, de acordo com a 
ideologia liberal, um desdobramento da liberdade natural do individuo. Esse direito, que 
inclui a apropriação dos meios de produção, se situa na grande maioria dos sistemas 
jurídicos dos países capitalistas no plexo dos direitos fundamentais do homem. 
O outro elemento, a livre iniciativa, traduz, também, o ideal de liberdade 
econômica,