Aula_02
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DisciplinaPsicologia Jurídica9.775 materiais87.865 seguidores
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Universidade Estácio de Sá
Professora Antonia de La Cruz
Apostila elaborada por Antonia de La Cruz \u2013 Curso de Direito
AULA 2
Personalidade: formação e desenvolvimento. Desenvolvimento psicossocial
PERSONALIDADE => origina-se do latim \u201cpersona\u201d.
DESENVOLVIMENTO => Visão positivista \u2013 organizada com início, apogeu e declínio. 
OBJETIVO => Ser adulto \u2013 indivíduo pronto, o produto acabado, o modelo de ser humano em seu apogeu.
DUAS CONCEPÇÕES: A infância e adolescência significam incompletude.
 Velhice significa decadência.
CONSEQUÊNCIAS: - Lugar social da criança é de dependente, tutelado (pais, escolas, professores, FEBEM).
- A velhice é descartada como inútil.
O SABER CIENTIFICO => - Tenta se aproximar da natureza infantil. 
- Determina os cuidados adequados à criança.
- As condições de subjetivação visam à padronização.
- A atribuição de valor é conforme a normalidade.
TEORIA PSICOSSOCIAL DO DESENVOLVIMENTO
ERIK ERIKSON
A personalidade humana é determinada não apenas de experiências infantis, mas também pelas da vida adulta até a velhice e senescência. 
O desenvolvimento do ego é mais do que um resultado de desejos intrapsíquicos ou energias psíquicas internas. Também é uma questão de regulagem mútua entre a criança em crescimento e a cultura e as tradições da sociedade.
PRINCIPAIS CONCEITOS:
Princípio Epigenético \u2013 Sustenta que o desenvolvimento ocorra em estágios seqüenciais e claramente definidos.
\u2013 Caso não ocorra a resolução eficaz de um determinado estágio todos os estágios subseqüentes refletirão este fracasso, na forma de um desajuste físico, cognitivo, social ou emocional.
Crises Internas \u2013 A crise interna pode ser considerada como ponto de virada, período em que o indivíduo se encontra em um estado de maior vulnerabilidade. Idealmente, se uma crise é dominada com sucesso, a pessoa ganha força e é capaz de avançar para o próximo estágio. 
Estágios do Desenvolvimento:
Confiança Básica X Desconfiança Básica: (do nascimento até cerca de 1 ano)
Fase oral-sensorial => a mãe atende aos sentidos do bebê \u2013 visão, paladar, olfato, tato e audição.
A desconfiança ocorre se a mãe não for atenta e carinhosa e não conseguir suprir as necessidades e expectativas da criança.
Uma mãe afetiva, carinhosa ou a mãe substituta que ofereça cuidados consistentes e de alta qualidade, oferece a base para o desenvolvimento da confiança. 
Patologias desta fase: as personalidades dependentes de substâncias têm fortes necessidades de dependência oral e usam as substâncias químicas para satisfazerem-se a si mesmos, em vista de sua crença de que os seres humanos não são confiáveis.
Autonomia X Vergonha e Dúvida: (de 1 a 3 anos, aproximadamente)
Fase anal-muscular => a criança desenvolve sua musculatura.
A autonomia envolve um senso de domínio da criança sobre si mesma e sobre seus impulsos. 
Se os pais permitem que a criança funcione com alguma autonomia e apóiam, sem superproteger, o bebê adquire autoconfiança e sente que consegue controlar a si mesmo e ao mundo ao seu redor. 
Se a criança é punida por ser autônoma ou é excessivamente controlada, sente-se irada e envergonhada. O controle excessivo produz um sentimento de dúvida e vergonha. 
Patologias desta fase: personalidade compulsiva, que se apresenta com avareza, meticulosidade e egoísmo. Demasiada vergonha faz com que a criança sinta-se má ou suja e pode preparar o caminho para um comportamento delinqüente, do tipo: \u2018se é isto que dizem de mim, é assim que me comportarei\u2019. 
Iniciativa x Culpa (de três a cinco anos)
Zona erógena dominante: genital masculino que enseja fantasias fálicas.
Conflitos acerca da iniciativa podem impedir que a crianças em desenvolvimento experimentem todo o seu potencial e podem interferir em seu senso de ambição. 
No final deste estágio há a formação do superego e sua conseqüente consciência moral. A criança aprende que existem limites para seu repertório de comportamentos.
A punição excessiva, porém, pode restringir a imaginação e a iniciativa da criança.
Se a crise da iniciativa é resolvida com sucesso, desenvolve-se um senso de responsabilidade, confiabilidade e autodisciplina.
Patologias desta fase: Transtorno de ansiedade generalizada e fobias. 
Indústria (ou diligência) X Inferioridade (de seis aos onze anos)
Não há zona erógena predominante, visto que as pulsões biológicas encontram-se adormecidas e prevalece à interação com seus pares.
Nesta fase a criança está ocupada construindo, criando e conquistando. 
A indústria, ou capacidade de trabalhar e adquirir habilidades adultas, é o ponto principal deste estágio. A criança aprende que é capaz de fazer coisas e, principalmente, que é capaz de dominar e realizar uma tarefa. A criança produtiva aprende a ter prazer no trabalho e o orgulho de fazer alguma coisa bem feita.
Um ambiente que deprecie ou desencoraje a criança pode diminuir a auto-estima.
Patologias desta fase: no adulto o senso de inferioridade pode acarretar severas inibições profissionais e uma estrutura de caráter marcada por sentimentos inadequados. Em alguns indivíduos, os sentimentos podem resultar em um ímpeto compensatório por ganhar dinheiro, poder e prestígio e o trabalho torna-se o foco principal da vida, às custas da intimidade.
Identidade X Difusão de papéis (de onze aos 21 anos)
A identidade saudável é construída a partir da passagem bem sucedida pelos estágios anteriores. 
A identificação com pais saudáveis ou substitutos destes facilita o processo.
O adolescente encontra-se em uma moratória psicossocial, estágio entre a moralidade aprendida pela criança e a ética desenvolvida pelo adulto. Durante a moratória, vários papéis são testados. O adolescente pode fazer vários \u2018falsos começos\u2019 antes de se decidir a uma ocupação. Os valores morais podem mudar, mas um sistema ético é por fim consolidado em uma moldura organizacional coerente.
Crise de Identidade: uma crise de identidade ocorre ao final da adolescência. Erikson a chama de crise normativa, pois trata-se de um evento normal. O fracasso em administrar este estágio deixa o adolescente sem uma identidade sólida; ocorre uma difusão de identidade e de papéis, caracterizada por não possuir um senso de self e por uma confusão acerca do próprio lugar no mundo. A confusão de papéis pode manifestar-se em anormalidades comportamentais tais como fugas de casa, criminalidade e psicose manifesta. Problemas na identidade de gênero e papel sexual podem manifestar-se neste momento. O adolescente pode defender-se da difusão de papéis unindo-se a cultos ou turmas ou pela identificação com heróis populares.
Patologias desta fase: transtornos de conduta, de comportamento disruptivo, de identidade de gênero e transtornos psicóticos. 
Intimidade X Isolamento (ou auto-absorção) (dos 21 aos 40 anos)
Tarefas que dizem respeito a amar e trabalhar.
Um indivíduo que alcance os anos da vida adulta em um estado de confusão continuada de papéis será incapaz de se envolver em relacionamentos intensos e duradouros. 
Erickson citou a idéia de Freud de que uma pessoa normal deve ser capaz de amar e trabalhar.
Patologias desta fase: A identidade de gênero determina a escolha objetal, hetero ou homossexual. O indivíduo pode ter transtorno de personalidade esquizóide e permanecer isolado com medo, incapacidade de assumir riscos ou incapacidade de amar. 
Generatividade X Estagnação (40 aos 65 anos)
Generatividade inclui criar filhos, orientar nova geração, criatividade e altruísmo.
Assim a estagnação não é evitada por ter filhos. Algumas pessoas podem casar e até mesmo ter filhos, mas tudo isso dentro de um casulo de autopreocupação, isolamento e ausência de intimidade - características da estagnação. 
Patologias desta fase: depressão . 
Integridade X Desespero (mais de 65 anos)
O estágio marca o conflito entre a integridade (o senso de satisfação que se tem ao refletir que a vida foi produtiva e válida) e o desespero - senso de que a vida teve pouco valor ou significado.
Desespero é a perda de esperança que produz