Incontinencia urinária
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Incontinencia urinária


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neurológicos, os profissionais estão ganhando uma posição mais forte no tratamento da incontinência.
As abordagens de tratamento incluem: biofeedback eletromiográfico de superfície, biofeedback com pressão de ar, estimulação elétrica, tratamento de seqüelas, treinamento com peso da musculatura da vagina, retreinamento da bexiga e exercícios terapêuticos para o assoalho pélvico.
A fisioterapia tem grande importância para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, melhorando a força de contração das fibras musculares e promove a reeducação abdominal. Os músculos do assoalho pélvico fortalecidos ocasionam um apoio maior ao útero, diminui as dores lombares (POLDEN, 2002).
Os exercícios para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico são recomendados durante as fases de evolução da mulher, sendo importante exercitá-los, sobretudo na fase gestacional e pós gestacional. Períneo insuficiente pode levar a prolapso genital e a outras conseqüências tais como incontinência urinaria de esforço, disfunção sexual e outras complicações. (BARACHO, 2007)
Há necessidade de se trabalhar esses músculos durante toda a gravidez, para que no momento do parto ajudem na proteção contra lesões e disfunções do assoalho pélvico como incontinência urinária e fecal, e prolapsos de vísceras. 
TREINAMENTO DO ASSOALHO PÉLVICO
O treinamento do assoalho pélvico visa o aumento da superfície muscular que sustenta a bexiga, vagina/útero e reto, o que melhorará o ângulo uretrovesical de forma que o colo da bexiga permaneça selado; melhorar a força e o tempo de resposta das fibras do esfíncter uretral externo durante aumentos rápidos de pressão intra-abdominal; deprimir qualquer hiperatividade do nervo pélvico autônomo para a bexiga que cause incontinência de urgência. Clinicamente chamada de instabilidade detrusora.
O ginecologista norte americano Dr. Arnold Kegel utilizou pela primeira vez cientificamente os exercícios de fortalecimento da musculatura pélvica objetivando melhorar os mecanismos de continência urinária.
	
Os benefícios apresentados por esses exercícios consistem na melhora da contração da musculatura do períneo tornando-a mais potente, ajuda na compressão da uretra contra a sínfise púbica, aumento da pressão intra-uteral no momento do aumento da pressão intra abdominal, hipertrofia dos músculos pélvicos e aumento do volume dessa musculatura.
 Dessa forma, o suporte estrutural dessa região fica mais eficiente impedindo a descida da uretra quando há aumento da pressão intra-abdominal, diminuindo assim as perdas urinárias. Kegel observou também que vinculado à melhora da continência urinária, seus exercícios melhoravam o prazer sexual de muitas mulheres. Seus exercícios constituem, portanto, no fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico (PALMA & RICCETTO, 1999). 
Os músculos do assoalho pélvico necessitam estar fortes e em perfeitas condições para sustentar as vísceras em posição vertical e manter a continência urinária. Para que isso ocorra, as mulheres com incontinência urinária devem aprender a contrair e a relaxar a musculatura envolvida, já que esses músculos não são usualmente treinados.
O terapeuta deve orientar a paciente descrevendo a contração apropriada dos músculos do assoalho pélvico e instruir uma contração rápida sem sustentar e outra sustentada por longo tempo (10 segundos). O paciente não pode estar utilizando os músculos abdominais, glúteos, adutores para fazer uma ponte ou inclinação pélvica.
Os exercícios contribuem para melhorar o quadro de incontinência de esforço em mulheres, e incluem: 
 Exercícios de propriocepção; 
 Exercícios de Kegel; 
 Exercícios específicos para a musculatura pélvica; 
I. Exercícios de propriocepção 
   
 Esse tipo de exercício consiste na conscientização da musculatura envolvida, já que ela não é usualmente treinada pelas mulheres. Esse procedimento facilitará a realização, desempenho e sucesso nos exercícios de fortalecimento da musculatura pélvica. Um exemplo simples de exercício de propriocepção nesse caso é uma mulher sentada ou em pé imaginar que está urinando e procurar segurar o jato urinário para não deixar que a urina escape. 
	
II. Exercícios de Kegel 
1. Em pé, pernas semiflexionadas e pouco afastadas mãos nas nádegas, pressioná-las enquanto realiza contração da musculatura pélvica. 
2. Em pé, pernas afastadas e semiflexionadas, permanecer em contração estática ou isométrica da musculatura pélvica. 
3. Com cotovelos e joelhos apoiados, realizar contração isométrica da musculatura pélvica. 
4. Com joelhos e mãos apoiadas, realizar contração isométrica ou estática da musculatura pélvica. No momento da contração, as costas deverão curvar-se, e no momento do relaxamento voltar à sua posição normal. 
5. Sentada com as costas ereta e as pernas cruzadas, contrair a musculatura pélvica. 
III. Exercícios específicos para a musculatura pélvica 
1. Decúbito dorsal, pernas semifletidas, pés no chão, expirar, colocar a pelve em retroversão e em seguida elevar as nádegas mantendo a retroversão. Repousar lentamente inspirando, desenrolando lentamente a região lombar até o solo. 
2. Decúbito dorsal, nádegas ligeiramente elevadas com uma almofada, pernas flexionadas e cruzadas, pés no chão; sustentar entre as faces internas do joelho um medicine-ball : 
elevar assento o mais alto possível expirando, 
voltar a posição de partida inspirando 
3. Decúbito dorsal, nádegas apoiadas no chão, colocar entre as pernas um medicine-ball e elevar as duas pernas semi-estendidas. 
4. Decúbito dorsal, nádegas ligeiramente elevadas, perna de apoio flexionada e que fará a elevação estendida. Realizar o exercício com as duas pernas 
5. Em pé, com uma bola entre as faces internas da coxa, ficar na ponta dos pés, contraindo o períneo e relaxando-o ao voltar com as plantas dos pés no chão. 
6. Sentada com as duas pernas estendidas realizar contrações da musculatura perineal. 
7. Em pé, encontrada em uma parede realizar retroversão da pelve com a musculatura pélvica contraída. 
CONCLUSÃO
 A gestação traz alterações na fisiologia e na Biomecânica da mulher. Uma das primeiras alterações é o crescimento do útero e aumento de peso fazendo com que o centro de gravidade da mulher se desloque pra frente, gerando diversas alterações posturais. Além disso, o aumento do peso do útero faz com que haja um compressão na bexiga e sobrecarrega o assoalho pélvico podendo predispor a incontinência urinária.
	Essa condição constrangedora de perda de urina apresenta um grande impacto social e interfere muito na qualidade de vida da mulher, se transformando em uma fonte de constrangimento que é escondida e muitas vezes deixada sem tratamento.
 Muitas mulheres não sabem a função e a importância de um assoalho pélvico íntegro e fortalecido, e também desconhecem que durante a gravidez os músculos que formam esse assoalho se tornam mais relaxados. Sendo a fraqueza da musculatura perineal uma das principais causas para os distúrbios urinários, a conscientização das mulheres sobre a importância do fortalecimento dessa musculatura se torna essencial para prevenção ou até mesmo tratamento da incontinência.
REFERÊNCIAS
MORENO, Adriana L. Fisioterapia em uroginecologia. Editora Manole.
STEPHESON, Rebeca G; O´CONNOR, Linda J. Fisioterapia aplicada à ginecologia e obstetrícia. 2. ed. Editora Manole.
BASTOS, Álvaro da Cunha. Ginecologia. 11. ed. Atheneu Editora São Paulo.
SOUZA, Cláudia E. S., Incontinência Urinária. Disponível em <http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_exibe1.asp?cod_noticia=1036>. Acesso em: 2 abril 2010.