Material de Apoio- Análise Textual - Aula 1 -  A LINGUAGEM
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analisamos a coerênica dos textos; agora, estamos estudando a coesão.
*Emprego de partículas temporais:
Que falta eu sinto dele hoje.
*Correlação de tempos verbais:
Bastaria que em redor delas se armasse o silêncio.
Sequenciação por conexão: Ocorre no emprego de:
* Preposições e locuções prepositivas:
O homem se sente só, apesar da agitação das cidades.
*Conjunções e locuções conjuntivas:
\u201cEu levo a vida assim tão só porque não tenho um xodó.\u201d
Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. No entanto, não gostam de fazer amizades.
* Pausas: A pontuação é um importante elemento coesivo.
A coesão pode ajudar na construção da coerência, mas não necessariamente. Textos literários, principalmente, podem fazer sentido sem que se utilizem mecanismos coesivos em sua construção.
Exemplo em que a falta de coesão afeta a coerência: \u201cEram cinco horas, porém não vou ler agora esse documento e já fomos dispensados do trabalho.\u201d
Existe aí incoerência motivada por uma confusão de tempos verbais e pelo uso indevido da conjunção porém \u2013 problemas de coesão que poderiam ser resolvidos dando sentido à sequência:
\u201cSão cinco horas. Não vou ler agora esse documento, pois já fomos dispensados do trabalho.\u201d
Agora note o poema:
Nada na barriga
Navalha na liga
Valha.
Aparentemente um texto desconexo, no entanto, com sentido: a fome faz valer o gesto violento provocado por uma navalha escondida na liga da meia. Com coerência, sem coesão.
Os textos descritivos não utilizam tantos elementos de coesão quanto os narrativos, que precisam deles para manter o andamento da história. Nas dissertações, o uso de um vocabulário ligado ao assunto em questão e o uso de conectivos que estabelecem relações de causa, condição, finalidade, etc. têm grande possibilidade de ocorrer.
Os poemas, como nenhum outro tipo de texto, podem explorar os versos, sons e ritmos como elementos de coesão. E tanto a linguagem poética como a da propaganda trabalham também com a disposição espacial das palavras, um mecanismo lingüístico importante na construção do sentido.
Aula 3 \u2013 Material de Apoio \u2013 Profª Rossana \u2013 Análise Textual
A ARTICULAÇÃO DO TEXTO
A estruturação de um período já foi, com muita propriedade, comparada à articulação de um esqueleto com seus vários ossos. Da mesma forma que de uma articulação de ossos resulta um braço, de duas ou mais orações num só período resulta uma articulação de pensamentos, lembra-nos o professor Mattoso Câmara.
Como você já percebeu, um texto não se faz de um amontoado de palavras ou de orações. É necessário que os termos que formam uma oração e as orações que formam um período apresentem uma relação, uma dependência de significados, enfim, que haja uma articulação de pensamentos.
Assim como um osso liga-se ao outro num esqueleto, as palavras, os termos da oração e as orações ligam-se para formar um texto. Essa ligação se dá pelo nexo estabelecido entre várias partes do texto, tornando-o coeso (nexo significa \u201cligação, vínculo\u201d; daí expressões do tipo \u201cFicou falando coisas sem nexo\u201d).
A coesão é decorrente de relações de sentido que se operam entre elementos do texto. Muitas vezes a interpretação de um termo depende da interpretação de outro termo ao qual faz referência, ou seja, a significação de uma palavra vai pressupor a de outra.
Numa frase como:
\u201cLá era possível adquiri-las a um preço relativamente baixo\u201d.
a significação do advérbio de lugar lá e da forma pronominal -las \u2013 palavras de referência \u2013 fica comprometida (lá onde?; adquirir o quê?), pois o sentido delas pressupõe a existência de outras palavras às quais devem estar se referindo.
Já se disséssemos:
\u201cNaquela exposição havia muitos tipos de flores, lá era possível adquiri-las a um preço relativamente baixo\u201d.
o sentido do advérbio lá e da forma pronominal -las fica claro, pois eles guardam íntima relação com outros termos da frase (lá = naquela exposição; -las = flores). Dizemos então que essas palavras funcionam na frase acima como elementos de coesão, já que a significação delas pressupõe a existência de outras palavras.
OS CONECTIVOS
A coesão também é resultante da perfeita relação de sentido que deve haver entre as partes de um texto. Por isso, o uso adequado de conectivos (palavras que relacionam partes da oração ou orações de um período) é importante para que haja coesão textual. Observe a frase abaixo:
\u201cEmbora saísse de casa com bastante antecedência, Luciana chegou atrasada à reunião que decidiria a compra do material, porque seu carro quebrou no caminho\u201d.
Temos aí quatro orações formando um período composto por subordinações. Observe que há, entre os segmentos do texto (as orações que o formam), uma perfeita relação de sentido, dada pelo uso adequado dos conectivos.
A conjunção embora introduz uma oração que encerra idéia de concessão; o pronome relativo que retoma o substantivo reunião da oração anterior; e finalmente a conjunção subordinativa porque introduz uma oração que exprime idéia de causa.
Conectivos são elementos que relacionam partes do discurso estabelecendo entre elas relações de significado. Possuem valores próprios: usamos embora para exprimir concessão; porque para exprimir causa; mas para exprimir adversidade; se para exprimir condição, etc. Dessa forma, a troca de um conectivo por outro de valor diferente implicará a quebra da coesão.
Há conectivos distintos para estabelecer valores idênticos. Na frase acima, para estabelecer a relação de concessão, poderíamos substituir embora por, por exemplo, apesar de; para estabelecer a relação de causa, poderíamos substituir porque por, por exemplo, já que ou uma vez que. Veja:
\u201cApesar de sair de casa com bastante antecedência, Luciana chegou atrasada à reunião que decidiria a compra do material, já que (ou uma vez que) seu carro quebrou no caminho\u201d.
A SELEÇÃO VOCABULAR
Na produção de texto, a seleção vocabular também é importante elemento de coesão, já que, muitas vezes, substituímos uma palavra que já empregamos por outra que lhe retoma o sentido. Observe:
\u201cOs advogados do réu apresentaram um pedido ao juiz, no entanto o magistrado não acatou a solicitação dos patronos do acusado\u201d.
Nessa frase, as palavras magistrado, solicitação, patronos e acusado funcionam como elementos de coesão, pois retomam, respectivamente, os termos juiz, pedido, advogados e réu.
Veja que a seleção vocabular utilizada na frase acima, além de dar coesão ao texto, tem função estilística, pois permite que não se repitam as mesmas palavras.
QUANDO NÃO HÁ COESÃO
Não há coesão em um texto quando, por exemplo, empregam-se de modo inadequado conjunções e pronomes, deixando palavras ou frases desconectadas, quando a escolha vocabular é inadequada, quando há ambiguidade, regências incorretas, etc.
O jornal Folha de S. Paulo, em sua edição de 2 de abril de 2000, na página 1-4, publicou a seguinte frase, atribuída a um vereador da Câmara Municipal de São Paulo:
\u201cTrata-se de armação de uma máfia na tentativa de desqualificar, denegrir e macular quem sempre esteve na luta pela corrupção e pela ética na política\u201d.
Aos leitores mais atentos, a frase provocou espanto e indignação. Nela, a relação de regência entre o substantivo luta e seu complemento corrupção é estabelecida pela contração pela (preposição + artigo), que tem o sentido de \u201ca favor de\u201d. O vereador afirma, portanto, que sempre esteve na luta em favor da corrupção!
Ora, se o vereador é pela ética na política, ou seja, se ele é a favor da ética na política, como pode estar empenhado na luta em favor da corrupção? O próprio jornal, na edição 8 de abril, em sua seção Erramos, tratou de corrigir o engano com a seguinte nota:
Onde se lê \u201cTrata-se de armação de uma máfia na tentativa de desqualificar, denegrir e macular quem sempre esteve na luta pela corrupção e pela ética na política\u201d, o certo é \u201cTrata-se de armação de uma máfia na tentativa de desqualificar, denegrir e macular quem sempre esteve na luta contra a corrupção ...\u201d.
Nesse caso, a quebra de coesão textual foi decorrente de uma regência incorreta, ou